teologia para leigos

4 de agosto de 2012

LINKEDIN

O LinkedIn é incrivelmente poderoso



Aos 44 anos, Reid Hoffman está milionário.
Considerado um visionário, fundou uma rede social de sucesso, o LinkedIn, e foi dos primeiros a ver o potencial do ‘Facebook’, que hoje vale mais de cinco mil milhões de euros.

Tornou-se, então, um guru de questões laborais em sociedades ligadas em rede.

Em Fevereiro, lançou nos Estados Unidos um polémico livro sobre o mercado do emprego: “Start-Up_Um Novo Futuro”, cuja edição portuguesa saiu agora, pela Clube do Autor.
Hoffman preferiu dar esta entrevista à “Sábado” por email. Não respondeu a várias perguntas, devolvendo-as com um traço por cima. Numa delas, perguntávamos-lhe como as amizades pessoais tinham sido importantes no início da sua carreira.



Sábado – Escreve que as pessoas devem encarar as suas carreiras como empresas e adoptar estratégias empresariais. E a paixão? E a lealdade?
Reid Hoffman – Ser empresarial não exclui a paixão – na verdade, as pessoas devem ser apaixonadas pelo que fazem.
(…)
Sábado – Diz que devemos escolher certas pessoas dos nossos relacionamentos e investir nelas porque podem ser úteis no futuro. Isso não é ser interesseiro?
Reid Hoffman – Não. Investir em relações não é apenas generoso, é essencial na carreira profissional e pessoal. Nós devemos olhar para essa rede de conhecimentos e questionarmo-nos “o que significa para nós?”, e não “o que significa para mim?”. Construir uma relação genuína com outra pessoa depende de pelo menos duas coisas: empatia (ver o mundo a partir da perspectiva do outro) e ajuda (pensar como podemos ajudar a outra pessoa em vez de como ela nos pode ajudar).

Sábado – Defende por isso que cada pessoa tenha um “Interesting People Fund” (fundo para pessoas interessantes). Ou seja: devem investir nessas relações no sentido literal…
Reid Hoffman – O “Interesting People Fund” é uma táctica para ficar em contacto com as pessoas que são importantes. Significa que pré-reservamos tempo e dinheiro para investir na nossa rede de conhecimentos, para levar um colega a almoçar, para ir tomar um café com uma pessoa de outra empresa, para assistir a uma reunião ou uma conferência fora da cidade. No início de cada ano, a pessoa deve definir a quantidade de dinheiro que pode gastar em pessoas interessantes com quem se quer manter em contacto.



Sábado – Não estou registado como LinkedIn. O meu emprego está em risco?
Reid Hoffman – As redes profissionais como o LinkedIn são incrivelmente poderosas: Não interessa qual é o seu emprego agora – a sua carreira numa economia tão conectada depende cada vez mais de conseguir alavancar o poder da sua rede, quer a acumular informação sobre o ramo de actividade, quer a construir relacionamentos com outras pessoas.

Sábado – Não é anti-ético procurar emprego quando já se tem um emprego?
Reid Hoffman – Não. Não é anti-ético continuar a investir na sua rede e ter os olhos abertos para uma nova oportunidade. Às vezes, fazer estas coisas pode de facto ajudá-lo a si e à sua empresa.(…)

Sábado – Queria ser um intelectual, estudou filosofia e política, mas tornou-se empresário. O que o mudou?
Reid Hoffman – As minhas aspirações pessoais passavam por ter um grande impacto em milhões de pessoas, mas isso ruiu com as realidades do mercado académico. Percebi suficientemente cedo que os académicos acabavam a escrever para uma elite escolarizada de cerca de 50 pessoas. Por isso adaptei a orientação da minha carreira para a tecnologia e nunca voltei atrás.

Sábado – Em Dezembro, o primeiro-ministro português sugeriu aos professores desempregados que saíssem da sua zona de conforto e emigrassem para países de língua portuguesa, onde há falta de professores. Concorda com ele?
Reid Hoffman – Há factores – pessoais, familiares e profissionais – que entram em jogo quando se toma a decisão de mudar para outra empresa, outra cidade, ou mesmo outro país. E essa é uma das razões por que ter uma rede é valioso. Não creio que as empresas ou os países possam esperar mais fidelidade aos indivíduos, tal como estes não podem esperar que a estabilidade e as garantias da era industrial regressem. As pessoas devem procurar oportunidades e riscos e devem estar sempre atentas às realidades do mercado que afectam a sua posição.

Marco Alves
Revista SÁBADO, 02:VIII:2012, pp.28-30