teologia para leigos

24 de setembro de 2011

RENUNCIAR AO PODER DO OBREIRISMO

[para lá das obras e da religião…]
 
«o caminho da justiça» [v.32]



sobreiro do Mosteiro de S. João de Arga


Mateus 21: Os dois filhos - 28«Que vos parece? Um homem tinha dois filhos. Dirigindo-se ao primeiro, disse-lhe: ‘Filho, vai hoje trabalhar na vinha.’ 29Mas ele respondeu: ‘Não quero.’ Mais tarde, porém, arrependeu-se e foi. 30Dirigindo-se ao segundo, falou-lhe do mesmo modo e ele respondeu: ‘Vou sim, senhor.’ Mas não foi. 31Qual dos dois fez a vontade ao pai?» Responderam eles: «O primeiro.» Jesus disse-lhes: «Em verdade vos digo: Os cobradores de impostos e as meretrizes vão preceder-vos no Reino de Deus.
 32João veio até vós, ensinando-vos o caminho da justiça, e não acreditastes nele; mas os cobradores de impostos e as meretrizes acreditaram nele. E vós, nem depois de verdes isto, vos arrependestes para acreditar nele.»


Este curto relato, anel de uma cadeia mais vasta, diz-nos, de uma forma demasiado evidente, isto: de nada valem as afirmações correctas, justas, sublimes, empolgantes se não forem seguidas de gestos, actos, ou seja, de opções quanto ao modo ou estilo de vida. Em resumo: de nada servem as palavras sem a sua coerente aplicação no campo relacional prático. Como mensagem, tudo isto é, só por si, um ‘mundo’! O ‘universo’ das nossas entranhas… medos, monstruosidades, façanhas de barro, justificações racionais, ‘maquiavelismos evangélicos’ e muito mais.

Até porque é frequente que os cristãos confundam ‘obras cristãs’ com ‘tarefas paroquiais’. Fazer eco desta parábola sublinhando a importância duma «fé operativa» pode, ainda assim, ser ambíguo, pois há obras e obras. E, neste plano, verdade seja dita: quer no que diz respeito àqueles cristãos que mais valorizam o empenhamento sociopolítico (e se servem desta parábola para se autojustificarem), quer àqueles que privilegiam o empenhamento paroquial e a caridade assistencial, em ambos os sectores se pode viver essa «prática», esse «fazer obras», com um espírito muito primário. Por isso, convém descolar do discurso do «maior valor das obras» por oposição à «fé desencarnada» e ir em busca de mais, a fim de alargar horizontes. Não foi assim que começou a dilacerante rotura reformista, com Martinho Lutero, no cristianismo? Portanto, a questão tem seu quê de seriedade.

1º Desafio - Para já, centremo-nos numa das ‘chaves’ do relato: «o caminho da justiça»! [v.32]

Mais uma vez, a «obsessão» pela justiça de Deus, martelo que, nem com Jesus, pára de bater… Somos, assim, remetidos para um Deus da «justiça e do direito» (Sl 99:4; Is 33:5; Jer 9:24-25), e que, ainda por cima, para acentuar a proximidade teológica da questão, para a rebaixar e a arrancar do âmbito da discussão casuística, aqui (na parábola), esse Deus é designado por «um homem» como nós (v.28).

O sentido principal da «justiça divina» no AT não é retributivo, mas distributivo – tal como no Egipto a Maat simbolizava a «harmonia perfeita», no AT, ser «justo» significa distribuir tudo com justiça! Distribuir tudo equitativamente - recompensa e castigo. ‘Tudo’ é mesmo tudo o que seja possível imaginarmos: dinheiro, tempo, perdão, compreensão, castigo, cuidado. Quando a tradição bíblica exprime essa visão revolucionária de uma «justiça distributiva», ela não está a pensar em princípios democráticos liberais, nem em nenhum quadro legal civilizacional exequível, como o dos Direitos Humanos Universais [J. D. Crossan]. Ela pensa a partir da experiência comum da administração correcta dum lar ou duma propriedade agrícola: como chefe de família, que te preocupa, que decisões tens que tomar? Estão os campos bem cuidados? Providenciaste o alimento para o gado? Estão bem cuidados os armazéns? Os criados, estão bem alimentados e de saúde? As responsabilidades e os lucros estão bem repartidos? Têm todos o suficiente? Está o suficiente [«o pão de cada dia»] equitativamente repartido por todos?

Para o Deus em que eu creio, o Deus de Abraão, de Isaac e de Jacob, o Deus de Moisés e de Isaías, o Deus de Jeremias, de Ezequiel e de Amós ou Oseias, o Deus de Jesus, ‘o Pai’ [«Abbá ho Patër», bilinguismo araimaco-grego que se deve traduzir por «Abbá, o Pai»], para Ele, antes das questões ontológicas está a preocupação pela realização, aqui em baixo, desse «mundo de cuidado», desse Reino à base de Deus. E digo «aqui em baixo» por o verbo ‘proágousin’ estar no presente (José Mª Castillo) [pelo que a tradução mais verdadeira será: «precede-vos» e não «vão preceder-vos»… Os cobradores de impostos e as meretrizes vos precedem no Reino de Deus, ou seja, já vão à frente, estão adiantados, superam os ‘religiosos’, não por méritos próprios ou «superioridade moral» − como diziam de si os comunistas durante o estalinismo soviético ou no «álvaro-cunhalismo» português −, mas por preferência divina, por opção de Deus].

Com esta narrativa, Jesus recorda-nos em que consiste a «justiça divina» − procurar, ávidamente, os desfavorecidos pela iniquidade de todos os sistemas que, entre nós, montamos! A «justiça divina» é procurar os injustiçados para reparar a injustiça!

Todos os comentários bíblicos a esta parábola dos ‘2 filhos’ focalizam-se na disjunção «obras versus fé», sem tocar ou deixando, um pouco na penumbra, a questão central  da «justiça» que Deus quer. Sem este esclarecimento prévio, será difícil criticar as ‘obras’ que escolhemos realizar, passando tudo a ser, moralmente, igual a tudo.

De facto, em Isaías 8:21-23;9:1, na sua Profecia Messiânica, diz-se que: 21«O povo andará errante pela terra, oprimido e esfomeado. Agastado pela fome, amaldiçoará o seu rei e o seu Deus. Levantará os seus olhos para o alto,  22depois olhará para a terra, e não verá senão angústia, trevas, aflição e espessa escuridão.  23Não haverá senão obscuridade e angústia nesta terra. No tempo passado, o Senhor humilhou a terra de Zabulão e o país de Neftali; no futuro cobrirá de glória o caminho do mar, do outro lado do Jordão, a Galileia dos gentios. 9  1O povo que andava nas trevas viu uma grande luz; habitavam numa terra de sombras, mas uma luz brilhou sobre eles.»

Se confrontarmos com Mateus 4:12ss, constataremos as semelhanças:

MINISTÉRIO NA GALILEIA (4,12-18,35) Início da pregação de Jesus (Mc 1,14-15; Lc 4,14-15) - 12Tendo ouvido dizer que João fora preso, Jesus retirou-se para a Galileia. 13Depois, abandonando Nazaré, foi habitar em Cafarnaúm, cidade situada à beira-mar, na região de Zabulão e Neftali, 14para que se cumprisse o que o profeta Isaías anunciara: 15Terra de Zabulão e Neftali, caminho do mar, região de além do Jordão, Galileia dos gentios.  16O povo que jazia nas trevas viu uma grande luz; e aos que jaziam na sombria região da morte surgiu uma luz.  17A partir desse momento, Jesus começou a pregar, dizendo: «Convertei-vos, porque está próximo o Reino do Céu.»

A quem se dirige a profecia messiânica de Isaías, que Jesus adopta também como sua?

Quem é que «jazia nas trevas»? Eram os judeus piedosos… [hoje diríamos, os de «olhos erguidos para o alto», os que vivem para o culto e para o sagrado, menosprezando a libertação histórica].
Quem é que «jazia na sombria região da morte»? Eram os pagãos… [Zabulão e Neftali, hoje diríamos, os estranhos à Fé, os ateus].

Jesus vem, então, para iluminar os das «trevas» e «sombras», ou seja, quer os que se «inebriam com religião», quer os que acham que «vêem» (mas que, na verdade, só vêem em parte).

Ora, os menosprezados pela Religião do Culto do Sagrado são precisamente os não-judeus, os cobradores de impostos, as prostitutas, os coxos, os cegos, os leprosos, as mulheres menstruadas, tudo o que tivesse defeito, etc. [Levítico do cap. 11 ao 21] Curiosamente, são esses os que, nesta parábola, Jesus diz serem os preferidos pelo Pai, precisamente, os que eram excluídos da Assembleia dos Eleitos: os que não acreditavam na religião judaica (Os Magos do Oriente) e os que não praticavam o culto religioso (prostitutas e cobradores de impostos).

Podemos dizer que, para Jesus, as pessoas religiosas fecham o diafragma do horizonte de Deus, ao passo que os ateus e os excluídos o alargam!

Como tónico, antes de enfrentar o Sistema Religioso do seu tempo, com esta parábola, Jesus lança a provocação: para que serve o culto? Para que serve a oração? A vossa igreja destina-se apenas aos vossos seguidores? O centro das vossas liturgias é o louvor litúrgico ou a consciência do mundo? As vossas preces, louvores e ‘sacrifícios eucarísticos’ falam para toda a terra (para o «caminho do mar», para a «Galileia dos gentios») ou para o vosso mundo? (cf. Amós 5:21-24; Isaías 1:11-17;58:5-7).

Muitos séculos após os primeiros profetas, Jesus retoma a mesma teologia profética: «o Senhor ama a igualdade, estabelece o direito e a justiça na casa de Jacob» (Sl 99:4).

1ª Conclusão – Para Jesus, tanto a acção como a oração devem falar a mesma linguagem, sob pena de nos ser «tirado o Reino de Deus e ser entregue a um povo que produza os seus frutos» [Mt 21:43]. A acção e a oração têm de falar da «justiça do Reino de Deus»: a justiça distributiva! A acção e a oração só são possíveis à margem dum sistema religioso que vive duma liturgia desfasada da justiça distributiva. A «vontade de Deus» é «o direito e a justiça», a «distribuição» gratuita e suficiente de cuidado. Como rezar o Pai-Nosso e dizer «faça-se a tua vontade», fazendo de conta…?!! O cristianismo atravessa um período de grave perda de credibilidade. A liturgia tem que possuir denodo, para ser credível!

No coração da religião (do seu tempo), às portas de Jerusalém, no âmago da liturgia, Jesus enfrenta com denodo o sistema religioso que tudo justifica, a religião poderosa que abençoa os poderosos, a casta dos que tomaram conta da fé e, nem entram, nem deixam entrar [Mt 23:13]. [Mt 21:45 - «os sumos sacerdotes e os fariseus, ao ouvirem as suas parábolas, compreenderam que eram eles os visados. Embora procurassem meio de o prender, temeram o povo que o considerava profeta.»]


Consequências disto para nós, hoje - Que andamos, nós, a fazer da missa? Mais valia que disséssemos, como o primeiro filho, ‘não’e fossemos primeiro aos ateus, aos excluídos [Mt 22:9], aos «verdadeiros irmãos» do primeiro filho. Jesus diz-nos que é por aí o caminho. É esse o conselho que Jesus nos dá. Também foi por isso que, aí, na margem da religião, ficaria traçado o destino de Jesus!

Com esta parábola entendemos o seguinte: o cristianismo tem que ultrapassar os estreitos limites da educação familiar e do respeito entre íntimos [o v.28 e sua capciosa pergunta…] e abalançar-se a voos proféticos [v.32]! A Igreja não é um «grupo de amigos» familiares entre si! Doutra forma não passará de mais uma seita folclórica, ridícula, ainda que com um passado interessante a revisitar de quando em vez … Não passará de algo muito parecido com o judaísmo, hoje. A Igreja é um «mistério de comunhão» com as ânsias de libertação integral do mundo.

Terá valido a pena, Jesus, ter «decidido subir a Jerusalém»? [Mt 20:18]

A resposta ainda aguarda por nós. Porém, nem tudo está perdido, nem estamos desamparados.

2º desafio - Existem boas ‘dicas’ nos textos que antecedem esta parábola. Ter-se decidido, Jesus, a subir a Jerusalém, sabendo que esse seria sem dúvida o teste máximo ao seu projecto, foi ocasião única para “ensinar em febre” o que Ele queria dizer com «Reino de Deus». E isso é muito claro em Mateus 20:24 – 24«Ouvindo isto, os outros dez ficaram indignados com os dois irmãos. 25Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores, e que os grandes exercem sobre elas o seu poder. 26Não seja assim entre vós. Pelo contrário, quem entre vós quiser fazer-se grande, seja o vosso servo; e 27quem no meio de vós quiser ser o primeiro, seja vosso servo.»

E, em Mateus 21:4, (Jesus entra em Jerusalém) diz-se d’Ele: «Aí vem o teu Rei, ao teu encontro, manso e montado num jumentinho.» Jesus quer Sua esta marca-de-água! Antes da entrada no Templo, o relato canta bem alto a mensagem que Jesus quer que perdure: a mansidão, a recusa seja de que tipo de poder for! Os seguidores de Jesus, reunidos à sua volta, compreenderam-no bem e manifestaram-no numa sintonia encantadora. [«E todos, quer os que iam à sua frente, quer aqueles que o seguiam, diziam em altos brados:- 9Hossana ao Filho de David! Bendito seja aquele que vem em nome do Senhor! Hossana nas alturas! 10Quando Jesus entrou em Jerusalém, toda a cidade ficou em alvoroço. «Quem é este?» - perguntavam. 11E a multidão respondia: «É Jesus, o profeta de Nazaré, da Galileia.»] [Mt 21:9-11]

Identificado como «profeta» pelo povo, mas não pela aristocracia religiosa, Jesus assumia todas as consequências dessa opção de vida.

 Ainda hoje, se repercute em nós esta postura espiritual de Jesus.

Jesus não tem pressa – tem, isso sim, ideias muito claras; pressa de resultados, não! Impressiona-me, e muitas vezes me pareceu obsessiva, a repetição que Jesus, por mais de uma vez, faz de que «tinha de sofrer muito e ser morto»: «A partir desse momento, Jesus Cristo começou a fazer ver aos seus discípulos que tinha de ir a Jerusalém e sofrer muito, da parte dos anciãos, dos sumos sacerdotes e dos doutores da Lei, e ser morto»! À medida que Jesus faz caminho  com os discípulos, subindo até Jerusalém, o relato pára subitamente três vezes e Jesus lembra-lhes que terá de sofrer e ser morto: lembra-lhes o horror da Cruz! Sempre li isto como obsessão doentia, morbidez de espírito. Na verdade, não é mania, mas pedagogia.

Não há dúvida que só aprendemos de vez quando estamos metidos até ao pescoço nos sarilhos… É por isso que Jesus escolhe esta «rampa final», tensíssima, da sua vida para lhes ensinar o seguinte.

Nem a Fé é um dado adquirido, nem as Obras, só por si, são suficientes em matéria de construção dum mundo outro, do Reino e do Espírito de Deus. O que me encanta, no Espírito de Jesus (por isso, digo que é um Espírito Santo, «diferente») é a sua «exacta medida» - é isso que O faz ‘Filho de Deus’. E um dos traços da Sua humanidade é a Sua radicalidade, ou seja, um grau para mim demasiado elevado de elasticidade – Jesus consegue chegar onde eu não consigo chegar! O Seu braço longo é mesmo longo… Vejamos.

Vivemos um tempo (nada diferente do que outros, em tempos, viveram, p. ex., João Baptista, Judas, Martinho Lutero, etc) em que se torna quase insuportável, quase blasfema, a distância entre a Hierarquia e o Evangelho de Deus-Pai. Subitamente, somos assaltados por uma febre e uma ânsia de fazer alguma coisa para recuperar isso. Como recordava Jung Mo Sung [http://asaladecima.blogspot.com/, a 19 Set 2011, «A complexidade da vida social e a pressa dos discursos voluntaristas»] «há a ideia comum de que, um bom plano racional e "sujeitos históricos” capazes, poderiam construir essa nova sociedade. O sujeito teria um poder de modificar ou de impor sobre o objecto, o sistema social, à sua vontade.»

Por 3 vezes, Jesus lembra a Sua Cruz: Mt 16:21; 17:22; 20:17. E, em Mt 24:9, a deles… a dos discípulos! A «vontade própria» de «fazer algo», essa ânsia obreira, antes de acelerar, reduz as possibilidades, selecciona hipóteses, diminui horizontes, precipita-nos para dentro de nós e seu respectivo abismo. Veja-se o que se passa em Mateus 20:20 (portanto, pouco antes deste relato dos 2 filhos), o que se passa com os 2 filhos de Zebedeu. Sobretudo, com a reacção dos restantes discípulos (v.24): «os outros ficaram indignados», porque queriam ser eles a comandar 'o processo'… Veja-se o que, depois, aconteceria a Judas – na febre de «fazer a libertação» de Israel à pressa, apercebendo-se de que fora vítima de si próprio, do seu obreirismo, arrependido por se ter deixado levar pelo ‘sistema astuto’ dos donos da religião, Judas, «atirando as moedas para o santuário, saiu e foi enforcar-se.» [Mt 27:5] É no que dá a quem acha que «pode (por si) acrescentar  um côvado à duração da sua vida» [Mt 6:27]. Muitos de nós também responderíamos afirmativamente a Jesus sem fazer a mínima ideia do que estávamos a dizer: «−Podeis beber o cálice que Eu estou para beber?» Eles (‘pé na tábua’, de peito feito…) responderam: «−Podemos.». [Mt 20:22]

A Cruz é uma espécie de «sinal de trânsito», de alerta de perigo!

A Cruz é a forma muda de nos fazer parar para pensar!

A Cruz é a pedagogia de Jesus, o filtro decantador que separa o licor da borra.

A Cruz são os «2 cegos sentados à beira de estrada» [Mt 20:29], ‘chatos’ que atrasam o passo dos que passam (com pressa); sinal de STOP… que obriga a parar! (v.32 - «Jesus parou»)

Quando os nossos projectos encalham e ameaçam soçobrar, a aparente inevitabilidade da Cruz diz apenas isto: aprender a descansar nos «braços» do sofrimento (nos «braços da cruz»). Os «braços» da cruz não são apenas estrebuchar, canseira, luta denodada, estertor, mas também «lugar de descanso», interregno, pausa e pedra de fôlego, a «salvação afinal». E esse sofrimento a que Jesus alude é, mais frequentemente, aquele que nós mesmos infligimos à nossa alma.

Voluntaristas e obreiristas nós, mais sofrimento ainda acrescentaremos a nós e ao próprio real.

2ª Conclusão - O Espírito de Jesus, e que Ele quis deixar aos seus discípulos quando as coisas começavam a descambar, é: recusai todo o tipo de poder, sobretudo, o poder de «querer à força», o poder de «empurrar com a barriga», de, até os outros, querer prender a nós; de domínio dos outros e da vida toda. É isso que Ele quer dizer quando diz: Renunciar a si mesmo!

«Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-me. Quem quiser salvar a sua vida, vai perdê-la; mas, quem perder a sua vida por minha causa, há-de encontrá-la. [Mt 16,24-28; Mc 8:33; Lc 9,23-27; Jo 12,25-26]

O Espírito de Jesus é «contra-poder», contra-poder integral, que tudo abarca e questiona, até a nossa ânsia de poder-querer-fazer. O «caminho da justiça» divina não é só libertação (política), mas salvação de tudo, libertação integral.

«João veio até vós ensinando-vos o caminho da justiça». (v.32)
Jesus, o da exacta medida!



[para lá das obras e da religião…]

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