teologia para leigos

5 de novembro de 2013

EUCARISTIA - 1 [fr. MARCOS]

A LIÇÃO DA EUCARISTIA

Jo 6:58
«Aquele que comer deste pão viverá para sempre»







Sobre a Eucaristia, é muito difícil não cair na tentação de dizer o politicamente correcto evitando uma verdadeira análise daquele que é o sacramento mais importante da nossa fé. São tantos os aspectos a analisar, e tantos os desvios a corrigir, que só o facto de os encarar me assusta.

Após uma vida inteira a mergulhar na mensagem de Jesus, posso assegurar-vos – sem a mínima dúvida – que tergiversamos a tal ponto o evangelho que o conseguimos converter em algo totalmente ineficaz para uma verdadeira vida espiritual.

Não resisto a contar-vos o relato que ouvi a Tony de Melo. É o melhor resumo de tudo aquilo que vos gostaria de transmitir sobre a Eucaristia.


“Numa tribo de povos primitivos, o mais atrevido deles descobriu um dia a maneira de fazer fogo. A manipulação do fogo foi a invenção que mais contribuiu para o avanço da civilização humana.

“O inventor quis partilhar as suas vantagens com outras tribos. Pegou nos apetrechos e dirigiu-se à tribo mais próxima.

“Reuniu a comunidade e explicou-lhe a maneira de fazer fogo, e como o poderiam utilizar para melhorar a qualidade da sua vida. As pessoas ficaram maravilhadas ao ver o fogo surgir como que por artes mágicas. Em todos, espanto e agradecimento.

“O visitante deixou ficar lá os utensílios de fazer fogo e regressou à sua tribo.

“Anos mais tarde voltou à aldeia e perguntou pelas vantagens que tinham conseguido com a utilização do fogo.

“Quando o viram chegar, todos rejubilaram. Conduziram-no a uma pequena colina afastada do povoado, onde tinham construído uma plataforma e, onde, no ponto mais alto, tinham colocado uma urna, onde guardavam com devoção os instrumentos de fazer fogo que ele lhes havia oferecido.

“Toda a tribo costumava reunir-se, assiduamente, ali, para adorar e incensar aqueles instrumentos tão preciosos. Mas… nem rasto de fogo em toda a aldeia.

“A vida daquela tribo continuava exactamente igual ao que era antes. Não haviam extraído nenhuma vantagem dos seus ensinamentos. Continuavam sem se atrever a usar o fogo.”


Com os conhecimentos que hoje tenho, não hesito em dizer que a última coisa que Jesus quereria era pedir às pessoas que se pusessem de joelhos diante dele e o adorassem. Ele sim, ajoelhou-se diante dos seus discípulos para lhes lavar os pés, e, no fim dessa tarefa, que era própria dos escravos, disse-lhes:


“Chamais-me Mestre e Senhor. Pois, se eu, o Mestre e Senhor, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns aos outros” (Jo 13:14)

Esta lição nunca nos interessou. É mais cómodo convertê-la num objecto de adoração, do que usá-la sob a forma de serviço e disponibilidade para com todos os marginalizados.

Convertemos a Eucaristia num rito puramente cultual, (…).


Frei Marcos, op