teologia para leigos

22 de janeiro de 2011

THE BEATLES - Revolution is possible

[no final desta anémica liturgia política, ainda será possível ter ganas de sonhar...?]
[a UTOPIA ainda existe? Onde... em que mapa?]
[a Revolução é possível?]
[será possível casar a Revolução com a Construção do Mundo Novo e levar flores nos cabelos...?]
[que é feito dos nossos músicos: deprimiram? A Trompete deprimiu? o Saxofone deprimiu? e os seus filhotes, também: o pífaro pifou...?]
[a coisa tá preta...]
todos p'á rua cantar: «Here comes the Sun...» Já!!!
George Harrison Playing Here Comes The Sun

John Lennon - stand by me

The Beatles - Hey Jude (HQ)

The Beatles - Revolution [HQ]

The Beatles - Strawberry Fields Forever

Lucy in the Sky with Diamonds (The Beatles)

The Beatles - All You Need is Love (HQ)

21 de janeiro de 2011

RISO PÚBLICO, VIDAS PRIVADAS

campanha política  depressão  riso

Re/ 5 vídeos ao dia
(um a cada refeição,
se possível antes & depois…)


A ‘depressão’ abateu-se como uma espada – Janeiro destinou-se a preparar a recepção psicológica ao ‘recibo’... Quantas vezes, este mês, já imprimiste, na Caixa Multibanco, o talão para saber do Saldo que aí vem? Curiosamente, no ‘meu’ hospital, a depressão abateu-se mais sobre os mais ricos, os que se deslocam em bons jipes, vivem entre martas e visons, desconhecem a palavra ‘avariado’. O mesmo não consigo verificar no rosto dos operários mais mal pagos e que, ainda por cima, vivem pior e mais longe do hospital. Os primeiros deixaram de tomar café nas caixas automáticas; os segundo continuam a encontrar-se aí, fumam, tomam dois e três cafés, comentam alto - o futebol e o crime de Nova York, dizendo: ‘mas ele até podia ter chamado os  bombeiros com aquilo na mão e não pediu; ah, de facto não dava lá muito jeito…’, e soltam gargalhadas.

Porque será isso?
Avanço uma explicação inspirado pela pluma-pensante de Slavoj Zizek. [in, ‘Da Tragédia à Farsa’, 2010, Relógio d’Água]

«Num artigo publicado na Newsweek, Emily Flynn Vencat e Gianne Bronwell descreveram como, hoje em dia, ‘o fenómeno «reservado aos membros» explode dando lugar a todo um modo de vida, englobando um conjunto que vai das condições bancárias personalizadas às clínicas de manutenção só para convidados… as pessoas com dinheiro optam cada vez mais por uma vida à porta fechada. Em vez de participarem em eventos fortemente mediatizados, organizam a título privado concertos passagens de modelo, exposições de arte que têm lugar em casa. Vão às compras fora dos horários de funcionamento normal das lojas e escolhem os seus vizinhos (e amigos potenciais) segundo critérios de condição social e nível económico. ‘ [Newsweek, 10:12:2007]

Emerge assim uma nova classe global cujos membros possuem, ‘por exemplo, um passaporte indiano, um castelo na Escócia, um pied-à-terre em Manhattan e uma ilha privada nas Caraíbas’.

O paradoxo é que os membros desta classe global «jantam em privado, vão às compras em privado, admiram obras de arte em privado, fazendo tudo em privado, privado, privado’.’Estão deste modo a criar um mundo-de-vida próprio e à parte tentando resolver o problema hermenêutico que os angustia: como diz Todd Millay, ‘as famílias muito ricas simplesmente não podem convidar outras pessoas e esperar que estas compreendam o que é ter-se 300 milhões de dólares’.

Que contactos mantêm, então, com o resto do mundo em geral? Esses contactos assumem duas formas: os negócios e o humanitário (proteger o meio ambiente, combater a doença, apoiar as artes, etc.). Os novos «cidadãos globais» passam a maior parte do tempo no meio duma natureza sem mácula – a fazer trekking na Patagónia ou a nadar nas águas límpidas das suas ilhas privadas. Não podemos deixar de nos dar conta de que um traço fundamental da atitude destes super-ricos entrincheirados nas suas fortalezas é o medo: medo da vida social no exterior enquanto tal. As prioridades mais urgentes do «grupo dos excepcionalmente ricos» são, portanto, minimizar as ameaças à sua segurança: doença, exposição a actos de violência criminosa, etc.» [fim da citação de Slavoj Zizek]

Ω

Sendo assim, como lhes é possível saírem juntos para o meio do povo, beber um copo e apanharem uma «barrigada de riso»?

O riso é o único remédio para a depressão e o tédio.
E porquê?
Porque ninguém consegue rir a bandeiras despregadas… sozinho – impõe-nos a partilha! O riso é como as cerejas – contagia. Às vezes, apetece não parar. Aumenta a esperança de vida, alarga a caixa torácica, relativiza as dívidas, faz amigos novos, cura as hemorróidas, irriga as faces, aumenta a dopamina, inventa fraternidades onde elas nunca se viram e nem imposto paga, isto para além de permitir que os filhos digam aos pais coisas a que de outra forma nunca se atreveriam… O riso é gratuito (quando não o é, é frete que se faz ao ‘chefe’ e está muito próximo da vénia envernizada da freira frustrada da sacristia…).

O riso pode ser a única  forma perene de fazer crítica política que a tudo resista: resiste ao discurso ideológico do adversário enquanto o corrói ou o bandarilha, e, ao mesmo tempo, fortalece o arrazoado de quem apoiamos pelo simples factos de lhe destapar as fraquezas com souplesse.

O candidato ‘coelho’ terá sido, de entre os candidatos, o único que cuidou da saúde dos portugueses: do coração dos portugueses! O Alberto Jardim, pálido do seu diagnóstico, logo se ressentiu e ficou de molho…

Depois do ‘boto’ [voto], riamo-nos ENTÃO a valer. E bebamos um (um, não…) bebamos dois ou três copos! Que…

Este país é um circo…Vale uma barrigada de riso como esta que vem a seguir [para curar as varizes da alma portuguesa].


pb\
∑

Contemporâneos - Vitor Constâncio
http://www.youtube.com/watch?v=_q-5KlxR4e4

Vasco Jorge Pulido Jesus Valente

Jorge Jesus Cinco Mandamentos

Gato Fedorento - Minicaixotinho

Contemporâneos - O Último Imigrante Em Portugal

Os Contemporâneos - O puto que não tem Hi5, Facebook, Twitter, MySpace...

post by Luís Bateira




19 de janeiro de 2011

SABEDORIA

«To a skylark»
Shelley


1.«Deveríamos considerar aqui a semelhança, no plano da linguagem, das mensagens do Presidente Bush endereçadas ao povo americano depois do 11 de Setembro e depois do colapso financeiro de 2008: dir-se-ia estarmos como que diante de duas versões do mesmo discurso. (…)
 
Marx começou o seu O 18 de Brumário de Luís Bonaparte corrigindo a ideia de Hegel segundo a qual a História se repete necessariamente: «Hegel observa algures que todos os acontecimentos e personagens da História mundial sobrevêm, por assim dizer, duas vezes. Esqueceu-se de acrescentar: a primeira vez como tragédia, e a segunda como farsa». [in Surveys From Exile, Harmondsworth, Penguim 1973, p. 146][1] »


2.«Es sempre noche para el que a medias vive»[2] [É sempre noite para aquele que se satisfaz com a mediania]

3.«Entre o homem e a realidade que o cerca, ainda que da mesma matéria que a sua vida, interpõem-se sempre imagens […] A princípio, sagradas, depois simplesmente convertidas em representações.»[3]


4.«Una cultura depende de la calidad de sus dioses.»[4]


5.«Será revolucionaria aquella política que no sea dogmática de la razón, ni tampoco de la supra-razón; y creerá más en la vida, más en la virtude de los tiempos que en la aplicación apriorística de unas cuantas fórmulas, expresadas  com exigências de perennidad; la que se considere renovable por el caudal inmenso de la realidad, nunca exhausta.»
«El conservador es el mineralizador de la historia.»
«La pura razón es la pura monotonia.» [5]


6.Regresso aqui como quem remexe nos bolsos – a surpresa dum botão é um estado sobre que me inclino. Sem dúvida que nunca faltarão pobres sobre a terra… [Dt 15:11]
Todas as explicações não valem mais que um pássaro. É inútil querer ter razão, quando nada supera a invisibilidade estridente da cotovia de Shelley…
«Deixo o bom Deus governar todas as coisas,
Ele por quem subsistem os ribeiros,
as cotovias, as florestas, os campos,
a terra e o céu.»[6]

Deixo o silêncio ao seu reino.

[3 momentos-pessoa a anteceder um outro MUITO NECESSÁRIO a vinte e três de Janeiro… para as ‘presidenciais’]


[1] Slavoj Zizek, «Da Tragédia à Farsa», Relógio d’Água, Out 2010, relogiodagua@relogiodagua.pt
[2] Maria Zambrano, «Dictados y Sentencias», Edição Antoni Marí, Edhasa, p.86, fr. 513, http://www.edhasa.es
[3] Ibidem, fr.14, p. 22.
[4] Ibidem, fr. 1, p. 21
[5] Ibidem, frs. 615, 616, 617, pp. 98-99.
[6] Joseph von Eichendorff, «Aventures d’un propre à rien», in ‘O AR E OS SONHOS’ de Gaston Bachelard, Martins Fontes, p. 83.

18 de janeiro de 2011

A UNIDADE INTERIOR

«Um caminho para a felicidade não passa ao lado das experiências negativas da vida… Este caminho pode levar-nos a experimentar a unidade interior, iniciando uma caminhada para a felicidade. Connosco e com a humanidade.»

grão de mostarda

17 de janeiro de 2011

SENHOR, EU TE FAÇO REI [ORAÇÃO]

Senhor,
sê o ofício que em mim reine

Imperador dos meus sentidos, sê,
anunciando  azul e laranja em cor
ao sabor do esquecido sítio

Senhor,
sê rei
e eu o príncipe de ti,
um movimento silencioso, em trânsito
contornando o frio da face

Senhor,
eu te faço Rei!

Restitui-me o enigma que passa!

[e os ventos rodopiantes rodeiam-me como anjos…]




pb\




 

15 de janeiro de 2011

O RISCO DA DÚVIDA [POESIA]


 O importante no homem é a fragilidade
a ausência de poder
a febre do sonho
do desejo
do risco
da dúvida
o encantamento dum certo viver efémero.

O importante é a fragilidade de ser.
Ricos e sofridos são seus limites.

(Mário Brochado Coelho)




[tropeçam nossos passos na pegada de outros passos apressados, na cidade de Berlim - alguém dali foi levado numa certa 'noite de cristal' para nunca mais voltar... A fragilidade da febre, a mão trémula, o rosto quebrado, o amor em fuga - 
para onde, meu Deus?!]







14 de janeiro de 2011

SUBÚRBIOS DE NÓS [POESIA]

Vagueamos pelos subúrbios de nós com as mãos cheias de súplicas.
Segmentados pelo cio, pulcros, queixosos, arrastamos o carro carregado de projectores.
A propaganda que fazemos convence-nos duma presença que, verdadeiramente, não existe.
De chumbo são nossos pólens!
Icebergues de esparrelas onerosamente penteados. Massa encruada passante, mal cozida, lantejoulas.
Resolutos vagueamos sem protecção de espécie alguma.
Assim são nossas águas.
[a vida são encontros…]

pb\