teologia para leigos

20 de outubro de 2013

RUMO, NÃO À POBREZA: À MISÉRIA


ISTO NÃO ESTÁ, NEM VAI, CORRER BEM

 
Avenida dos Aliados - Porto_Out 2013


É sabido que o problema estrutural da zona euro que deu origem à crise foram os desequilíbrios externos dos países pertencentes ao euro. No quadro da moeda única, os países do Sul foram acumulando défices, os países do Norte excedentes. Os excedentes do norte serviram para financiar os défices do Sul.

 Tomando a zona euro como um todo, a sua posição era, no entanto, razoavelmente equilibrada em relação ao exterior. Entretanto, com a imposição dos programas de austeridade e empobrecimento geral dos países do Sul, a posição internacional da zona euro alterou-se. Os excedentes do Norte mantém-se, mas os défices do Sul quase desapareceram (ver primeiro gráfico). O resultado é um excedente crescente da zona euro em relação ao exterior. Como pode, uma posição excedentária, ser um problema?





Duas razões.

Primeiro, se a zona euro se mantiver sem grandes sobressaltos internos (na verdade, um cenário inverosímil), a tendência será para o euro se valorizar em relação a outras moedas. O tão propagandeado motor da recuperação económica do Sul, as exportações, estará assim comprometido, por maior que seja a “desvalorização interna”.

Segundo, os excedentes externos têm como natural contrapartida a acumulação de activos (créditos) da banca dos países excedentários da zona euro sobre o exterior (ver segundo gráfico abaixo). Em caso de sobressalto financeiro, estes activos estarão em risco sem que a banca europeia possa, ao contrário do que acontece hoje dentro da União Europeia, garantir politicamente o reembolso dos seus créditos.

Assistimos assim a um retomar dos mesmos mecanismos que estiveram na origem da crise financeira internacional, com a banca europeia numa posição bem mais vulnerável. Isto não vai correr bem.





Nuno Teles

Fonte:


 
 
 
 

18 de outubro de 2013

O PREÇO DA DESIGUALDADE 1/4 [J. STIGLITZ]

99% - 1%

I PARTE





A forma como O Preço da Desigualdade foi recebido demonstrou a sua importância. Não só nos Estados Unidos, como no resto do mundo, existe uma preocupação cada vez maior com o aumento da desigualdade e com a falta de oportunidades, e com o modo como estas tendências gémeas estão a transformar as economias, as políticas democráticas e as sociedades. À medida que fui viajando pelos Estados Unidos e pela Europa a discutir o tema da desigualdade, as suas causas e consequências e o que se podia fazer para a contrariar, muitas pessoas partilharam comigo as suas histórias, bem como, aquilo que se estava a passar, as afectava a elas, às suas famílias e aos seus amigos. Contudo, por trás destas histórias havia inúmeros novos dados que tiveram influência sobre os argumentos aqui defendidos. Neste prefácio, quero partilhar os momentos mais impressionantes deste debate sobre a desigualdade, fornecer outros dados que reforçam as minhas conclusões originais e analisar outras mudanças no panorama político e económico. Nos Estados Unidos, o acontecimento mais importante foram as contundentes eleições presidenciais de 2012 e a reeleição de Barack Obama. Na Europa foi a continuação da crise do euro, com os seus profundos efeitos sobre a desigualdade.

No início da minha tournée do livro, em Washington DC, apercebi-me da dimensão da crise dos empréstimos estudantis. Vários estudantes descreveram-me o dilema que enfrentavam: não havia emprego; o melhor uso que podiam dar ao tempo, e a melhor forma de melhorarem as suas perspectivas era inscreverem-se em cursos de doutoramento. Porém, ao contrário de um filho de pais ricos, tinham de ser eles a pagar os cursos com empréstimos estudantis[1]. Já se encontravam amedrontados com o seu actual endividamento, sabendo da quase impossibilidade de ficarem isentos de pagamento, mesmo nas piores circunstâncias. Não queriam contrair ainda mais empréstimos, e a sua sensação de desilusão e de desespero era decepcionante e triste. A sua amargura aumentou à medida que olhavam para os colegas que tinham pais ricos e que podiam aceitar estágios não remunerados para enriquecer o currículo. Os filhos dos norte-americanos comuns não se podem dar a esse luxo. Têm de aceitar quaisquer trabalhos temporários que lhes aparecem mesmo que sejam trabalhos sem futuro algum. Os dados revelados posteriormente apenas confirmam estas impressões. Enquanto, nas escolas e nas universidades públicas, as propinas aumentaram em média um sexto entre 2005 e 2013 – o que se compreende se tivermos em conta os cortes orçamentais – os rendimentos continuaram a diminuir. (Nalguns Estados, como a Califórnia, as coisas estavam ainda pior: as propinas ajustadas à inflação aumentaram 140% nos cursos públicos de dois anos, e cerca de 72% em cursos públicos de quatro anos, entre os anos lectivos de 2007-08 e 2012-13) A progressão parecia quase impossível.

As estatísticas que, porventura, mais ressoaram enquanto me encontrava com grupos de costa a contra-costa, e as que mais surpreenderam o público estrangeiro, foram as relacionadas com a falta de oportunidades nos Estados Unidos. Tanto os norte-americanos como os estrangeiros olhavam para os Estados Unidos como a terra das oportunidades. Uma sondagem efectuada pelo Pew Research Center mostrou que a grande maioria dos norte-americanos – cerca de 87% – concorda que «a nossa sociedade deve fazer o necessário para garantir que todos tenham a mesma oportunidade de serem bem-sucedidos». Mas era óbvio que não tínhamos.


A crise continua a atingir os do meio e os da base

Já passou mais de meia década desde que começou a recessão. O défice de emprego – a diferença entre o número de postos de trabalho actuais e o número de postos de trabalho que haveria caso a economia funcionasse normalmente – continua a crescer. E os rendimentos dos norte-americanos comuns continuam a diminuir. À medida que a depressão económica prevalece – enquanto este livro é editado (2012), mais de cinco anos após o início da Grande Recessão –, as consequências da desigualdade persistente, de uma rede de segurança deficiente e de uma austeridade crescente sentem-se cada vez mais.

Como é evidente, os do topo continuaram a ter o apoio da Reserva Federal. As suas baixas taxas de juro foram implementadas para ajudar a reforçar os preços das acções. Esses preços voltaram aos níveis anteriores à crise (ainda assim, ajustados à inflação, estão ainda mais baixos). Quem teve os recursos e o bom senso para se manter nos mercados recuperou totalmente. Os 5% mais ricos, que detêm mais de dois terços da riqueza, estão novamente no bom caminho. Os do topo continuaram a ficar com uma enorme fatia da riqueza nacional. A própria revista Economist, [13 Outubro de 2012], defensora do mercado livre, o observou: «Nos Estados Unidos a parte da riqueza nacional que vai para os 0,1% do topo (cerca de 16 mil famílias) subiu de pouco mais de 1% em 1980 para os quase 5% actuais – uma fatia ainda maior do que a que os 0,1% do topo detinham na Era DouradaWarren Buffett, ele próprio um membro dos super-ricos, que reconheceu os danos da escandalosa desigualdade nos Estados Unidos, usou as páginas do New York Times no Outono de 2012 para sublinhar a divergência através de outras contas: os 400 norte-americanos mais ricos levaram para casa um «salário» por hora de 97 mil dólares em 2009 (o último ano em que o Fisco providenciou dados) – uma taxa que mais do que duplicou desde 1992.

Os que se encontram no meio e na base da pirâmide social, que têm grande parte da sua riqueza em imobiliário, não se saíram tão bem. Os dados recentemente divulgados mostram que no período da recessão, entre 2007 e 2010, a riqueza média – a riqueza da classe média – caiu cerca de 40%, de volta aos níveis vistos no início da década de 1990. Toda a acumulação de riqueza neste país foi para o topo. Se a base tivesse partilhado do aumento da riqueza nos Estados Unidos, a sua riqueza nas suas duas últimas décadas teria subido cerca de 75%. Os dados mais recentes também mostram que os da base sofreram ainda mais do que a classe média. Antes da crise, a média de riqueza dos 25% da base era de 2300 dólares negativos. Depois da crise, caiu seis vezes mais, para 12.800 dólares negativos.

Não surpreende que a persistente depressão económica tenha conduzido a um contínuo enfraquecimento dos salários: só entre 2010 e 2011, os salários reais diminuíram em cerca de 1% para os homens e mais de 3% para as mulheres. O mesmo aconteceu com os rendimentos do comum dos norte-americanos. Ajustados à inflação, os rendimentos médios por agregado familiar em 2011 (o ano mais recente de que existem dados disponíveis) foram de 50 054 dólares, um número inferior aos 50 661 dólares em 1996.

No Capítulo 1 descrevo como as famílias com poucas qualificações têm vindo a sofrer muito mais com a crise, suportando um marcante decréscimo nos seus padrões de vida.

Estas preocupantes tendências na desigualdade de rendimentos e de riqueza foram superadas por provas ainda mais preocupantes em relação à desigualdade na saúde. Uma vez que a assistência médica melhorou, a esperança média de vida aumentou – em média, nos Estados Unidos, cerca de dois anos entre 1990 e 2000. Mas para os norte-americanos mais pobres não houve qualquer progresso, e para as mulheres pobres a esperança média de vida tem, na verdade, vindo a descer.

Hoje, as mulheres nos Estados Unidos, têm a esperança média de vida feminina mais baixa entre os países desenvolvidos. O nível de escolaridade, que costuma estar ligado à riqueza e à raça, é um grande e crescente preditor de vida. Mulheres brancas não hispânicas com curso universitário têm uma esperança de vida que é cerca de dez anos superior à das mulheres negras e brancas não hispânicas sem o ensino secundário completo. As mulheres brancas não hispânicas sem a escolaridade obrigatória perderam cerca de cinco anos de esperança de vida entre 1990 e 2008. O declínio de três anos na esperança de vida dos homens brancos sem o ensino secundários completo, durante o mesmo período, era apenas um pouco menos dramático.

Decréscimos nos rendimentos e decréscimos no nível de vida costumam ser acompanhados de vários problemas sociais – malnutrição, abuso de drogas e deterioração de vida familiar, o que prejudica a saúde e a esperança de vida. De facto, estes declínios na esperança de vida costumam ser considerados mais reveladores do que os próprios números dos rendimentos. Nos anos seguintes à queda da Cortina de Ferro [Muro de Berlim], na Rússia, os rendimentos caíram. Mas o indicador mais fidedigno da gravidade da situação talvez tenha sido facultado por dados que mostravam uma queda dramática na esperança de vida. Não surpreende que os especialistas em saúde tenham comparado os recentes declínios nos Estados Unidos com o que aconteceu na Rússia. Michael Marmot,[2] director do Institute of Health Equity, em Londres, e um especialista na relação entre rendimentos e saúde, observou que «a queda de cinco anos para as mulheres brancas rivaliza com a catastrófica queda de sete anos para as mulheres russas nos anos após o colapso da União Soviética».

(…)

Joseph E. Stiglitz
Prémio Nobel da Economia 2001
in «O Preço da Desigualdade», 2013.




ÍNDICE da obra «O PREÇO DA DESIGUALDADE»

Capítulo 1 – O problema dos 1% nos Estados Unidos

Capítulo 2 – Rent-seeking e a formação de uma sociedade desigual

Capítulo 3 – Os mercados e a desigualdade

Capítulo 4 – Porque importa

Capítulo 5 – Democracia em jogo

Capítulo 6 – 1984 está à porta

Capítulo 7 – Justiça para todos? De que modo a desigualdade está a destruir o Estado de Direito

Capítulo 8 – A batalha do orçamento

Capítulo 9 – Uma política macroeconómica e um banco central por e para os 1%

Capítulo 10 – O caminho para a frente: outro mundo é possível






6 de outubro de 2013

2. EVITAR A CATÁSTROFE SOCIAL [G. EPSTEIN]

Fazer justiça, anunciar a metanoia, evitar a catástrofe

Quando Jesus responde a Pilatos «O meu Reino não é deste mundo» (Jo 18:36) poderíamos inferir daí que as minudências deste mundo são de valor relativo para efeitos da nossa salvação. Na verdade, se assim fosse, Jesus nunca se teria preocupado tanto – como de facto se preocupou – com questões de dinheiro e de ganância. Jesus chegou ao ponto de dizer que a experiência de Deus até se pode fazer aquém da instituição religiosa, mas nunca aceitou que ela se fizesse para além das relações humanas feridas de morte pelo deus-dinheiro e/ou a ganância (confira: Mateus 5:23-24, Mateus 25:40, Mateus 19:23, Lucas 12:13ss, 1 Jo 3:17; 1 Tm 6:10; Mt 6:24; Lc 16:13; Mc 14:4-8; Lc 15:28.29-30; Lc 12:16-32; Mt 27:1-5; Mc 12:41-44; Jo 12:1-6; Mt 23:23, Lc 16:14; etc.).

«E, no entanto, − como diz S. Paulo − é de sabedoria que nós falamos entre os cristãos; sabedoria que não é deste mundo, nem dos chefes deste mundo, votados à destruição.» (1 Cor 2:6)

Portanto, como seguidores de Jesus é inconcebível que sejamos sábios em matéria de espiritualidade ou de práticas devocionais a um Deus que (só) nos ama e ignorantes em matéria dramaticamente tão próxima de nós, como é o caso da Crise financeira, económica e política que (só) nos angustia.

Este texto do Prof. Gerald Epstein (Massachusetts), proferido em Coimbra,  introduz-nos na “terminologia de executivo” que hoje em dia entope os noticiários e a boca dos comentadores de economia. Este texto vem na sequência do artigo de Jan Toporowski, «Fontes de Crise Financeira», que anteriormente editamos. Porém, pretende traçar um programa, em nove pontos, para reformar o sistema financeiro global, dando, assim, um contributo concreto numa matéria que os governantes insistentemente nos tentam convencer ser do âmbito do destino, da fatalidade, do nosso fado nacional.

Os nossos governantes, fanáticos neoliberais (PSD-CDS), repetem à exaustão que «o sistema é o que é» e toda a tentativa de lhe querer escapar não passa duma utopia angelical… porque, simplesmente não temos dinheiro que chegue! Por outras palavras: como que diante dum altar a um deus sanguinário (Is 1:11), “estamos nas mãos da troika” e não há volta a dar-lhe…. Eis a «sabedoria da destruição» dos donos deste mundo! Para G. Epstein há volta a dar-lhes, sim.

Para Jesus também sempre houve alternativa a este mundo excludente assente na sabedoria dos «espertalhuços dos mercados» (Mt 9:9). Para Jesus, o mundo está sempre em aberto, o mundo pode sempre ser “um mundo outro”, um mundo de criação-criativo, um mundo em que podemos sempre regressar à vida (económica, pois então) caso acreditemos, de olhos bem abertos, decididamente no seu Reinado (Mt 15:26-28). Reinado que é, acima de tudo, de justiça (Is 1:17) com partilha (Jo 6), em que até os cleptómanos das finanças que nos (des)governam são recicláveis… (Lc 19), vejam só!

Bispos e Papas falam de «bem comum», de «defesa da propriedade privada», «a justa função dos lucros», «o capitalismo como único modelo de organização económica» depois do fim do socialismo e do marxismo, «um futuro económico onde caibam todos», «dar a cada um o que lhe é devido», «justiça, enquanto conformidade moral de cada um com o que Deus espera dele», «subsidiariedade e solidariedade», etc. etc. etc. - falta de melhores conceitos ou estratégia objectiva?

É concebível que um doente entre num Serviço de Urgência hospitalar de hoje a queixar-se de que sente uma certa separação de humores causada quiçá por umas laranjas que ceara na véspera? Igualmente, não será tempo de os cristãos - leigos, diáconos, presbíteros, bispos e Papas - falarem a linguagem instrumental que a economia política hoje exige (e não apenas aqueles conceitos ambíguos, de eficácia muito débil ou até totalmente ineficazes por que não-analíticos)? Era nesta linha de tensão que S. Paulo situava já a experiência cristã: «E, no entanto, é de sabedoria que nós falamos entre os cristãos; sabedoria que não é deste mundo, nem dos chefes deste mundo, votados à destruição.» (1 Cor 2:6).

«Que o vosso «sim» seja sim e que o vosso «não» seja não, para não incorrerdes em condenação.» (Tg 5:12)

O Deus bíblico não admite à sua mesa os cobardes e os ambíguos… Deus detesta os que não se sobressaltam nunca nem ‘põem os nomes aos bois’ a fim de nunca se comprometerem com um dos lados (1 Rs 18:21) e, assim, salvarem a pele (Jo 18:25-27).

«Oxalá fosses frio ou quente. Assim, porque és morno - e não és frio nem quente - vou vomitar-te da minha boca.» (Ap 3:16)







A Crise financeira Global:
- evitar uma Grande Depressão e conter o ciclo destrutivo

por Gerald Epstein



I - Introdução

Os Estados Unidos, e certamente também o mundo inteiro, enfrentam a perspectiva de um desastre económico nunca visto que se prolongará ao longo de várias gerações, concomitantemente com enormes riscos sociais e políticos. Há um conjunto emaranhado de pressões que são provenientes, em primeiro lugar, dos mercados financeiro e imobiliário e que arrastaram a situação económica para a Crise, que surgiu de início nos mercados financeiros e no mercado do imobiliário, mas que está agora a arrastar a economia real para a depressão, o que começou a produzir a intervenção dos estabilizadores e instituições macroeconómicas. A acção rápida e coordenada dos governos das economias industrializadas – em especial os da Europa, dos Estados Unidos e da China – e o apoio das instituições financeiras internacionais podem fazer com que se saia desta Crise Global.

Mas esta acção só será eficaz se for maciça e fortemente dirigida para a satisfação das necessidades das pessoas e das comunidades, em vez de querer sobretudo proteger as instituições falhadas e as práticas do passado que, em primeiro lugar, ajudaram a criar a Crise e que agora se têm tornado ineficazes ou mesmo contraproducentes.

(…)

Até agora, a administração Bush nos Estados Unidos e alguns governos na Europa investiram vários milhões de milhões de dólares em acções pontuais de apoio aos mercados e às instituições financeiras (bailout)[1], esperando que os efeitos positivos dessa ajuda financeira se difundiam pouco a pouco pelo resto da economia.[2]

(…)

Mas esta política falhou, enquanto as principais instituições financeiras acumularam muito dinheiro ou usaram os seus fundos para continuarem, durante décadas, as suas políticas agressivas de aquisição de outros bancos, e iam pagando pródigos honorários para enriquecer elites financeiras, todas elas com fortes ligações aos meios governamentais.

(…)

Para ser bem sucedida, a Administração Obama e os governos europeus necessitam de uma mudança radical de direcção e de passar, então, a colocar a economia real no centro das preocupações, de modo que seja esta a determinar o sentido das políticas e se passe a reestruturar o arruinado sistema financeiro, (…)

O nosso programa regulador de nove pontos está assim projectado para ter uma função correctora, e decorre destes (quatro) principais problemas.

I – A redução do incentivo às estruturas assimétricas e o perigo moral

(…)

II – Alargar e reforçar os objectivos da regulação

(…)

III – Aumentar a transparência

(…)

IV – Reduzir a Intensidade da Tendência Pró-cíclica

(…)

Etc. etc. etc.


Gerald Epstein
Professor catedrático da Universidade de Massachusetts. Amherst.

[17 p.]









[1] O termo bailout é uma acção de apoio financeiro pontual para salvar uma empresa da bancarrota, da insolvência ou da total liquidação e da ruína (Nota do tradutor).
[2] Sarah Anderson e outros analistas do Institute for Policy Studies estimaram que os Estados Unidos e os governos europeus já atribuíram 4,1 milhões de milhões para salvar da falência imediata (to bail out) bancos e outras instituições financeiras (IPS, 2008).