teologia para leigos

15 de abril de 2013

CEP - PROFECIA MENOR


Os salmos do poder e da austeridade
ou de como é ópio rezar sem a História e as Ciências Sociais



«Jesus chamou-os e disse-lhes: «Sabeis que os chefes das nações as governam como seus senhores, e que os grandes exercem sobre elas o seu poder

[Mateus 20:25]



«Porque se estendem ao pé de cada altar sobre as roupas recebidas em penhor, e bebem no templo do seu Deus o vinho dos que foram confiscados. Fui Eu que, diante deles, exterminei os amorreus, que eram altos como cedros e fortes como os carvalhos. Destruí-lhes por cima os frutos e por baixo as raízes. Eu é que vos tirei da terra do Egipto, e vos conduzi, através do deserto, durante quarenta anos, a fim de vos dar a posse da terra dos amorreus. Suscitei profetas entre os vossos filhos, e nazireus entre os vossos jovens. Não é assim, filhos de Israel? - oráculo do Senhor. Mas vós obrigastes os nazireus a beber vinho e proibistes os profetas de profetizarem. Pois bem! Eis que vos vou esmagar contra o solo como esmaga um carro bem carregado de feno. O homem ágil não poderá fugir, o forte em vão recorrerá à sua força, o valente não salvará a sua vida. O que maneja o arco não resistirá, nem o homem de pés ligeiros escapará, nem o cavaleiro salvará a sua vida. E o mais corajoso entre os valentes fugirá nu, naquele dia - oráculo do Senhor.»

[Amós 2:8-16]



«A 10 de Dezembro de 1993, sem qualquer pressão internacional e sem nenhum exército inimigo às portas de Lisboa, a Assembleia da República aprovava, para posterior ratificação pelo Presidente da República, o Tratado de União Europeia ou Tratado de Maastricht. Esse documento instituía o caminho para a moeda única, da qual, ao contrário de outros países que recusaram fazer parte da união monetária, não se exceptuava Portugal.

«Do meu ponto de vista, a Assembleia da República, ao fazê-lo, sem ouvir o povo em referendo e violando claramente os deveres de representação decorrentes do pacto estabelecido entre eleitores e eleitos, decidiu que Portugal abdicava de um instrumento essencial da sua autonomia política: a emissão monetária. Foi a maior capitulação do País desde as Cortes de Tomar de Abril de 1581, que consagraram o domínio de Filipe II de Espanha sobre Portugal.

«Vinte anos depois, a economia portuguesa está destroçada, o Estado em bancarrota, o País nas mãos de credores e sujeito a políticas ditas de ajustamento que reforçam esse domínio; os jovens portugueses desesperam e vêem-se obrigados a emigrar em massa; o desemprego ultrapassa todos os máximos anteriores; a própria sobrevivência de Portugal está em risco. (…)

O neoliberalismo é mais do que uma visão económica: é uma verdadeira doutrina filosófica.

Partindo de um individualismo extremo («só o indivíduo existe, a sociedade é uma ficção», como dizia a antiga primeira-ministra, a Srª Thatcher), defende que o Estado só deve intervir de forma minimalista na sociedade e na economia, limitando-se a tarefas como a defesa e a justiça.

Do ponto de vista económico, o neoliberalismo considera que não faz sentido o Estado intervir na economia a não ser quando haja falhas patentes do mercado. Objectivos como uma mais justa repartição dos rendimentos não devem ser prosseguidos pelo Estado e o combate ao desemprego deve fazer-se fundamentalmente através da melhoria de funcionamento do mercado de trabalho, aumentando a sua flexibilidade e reduzindo os salários − e não por medidas activas de emprego, seja a nível macroeconómico seja a nível microeconómico. Tanto mais que existe uma taxa natural de desemprego, abaixo da qual não se pode ir sem acelerar a inflação. O que significa que não se pode ter como objectivo o pleno emprego. (…)

Todos estes aspectos nucleares do neoliberalismo têm consagração no Tratado de Maastricht, em grande parte devido à pressão alemã para que a moeda europeia fosse tão forte como tinha sido o marco alemão nas duas décadas anteriores.

No Tratado de Maastricht, a inflação é um fenómeno apenas monetário (uma das afirmações do monetarismo, que é uma componente importante do neoliberalismo) e a política monetária tem como objectivo único a estabilidade dos preços. O combate ao desemprego não emerge como objectivo da política macroeconómica, o equilíbrio orçamental surge (na realidade, este objectivo será tornado mais estrito já depois de Maastricht) como objectivo em si mesmo, é proibida a emissão monetária destinada a financiar estados, de forma a enfraquecer o poder desses mesmos estados (grande desígnio do neoliberalismo) e colocá-los sob a tutela dos mercados financeiros, e o banco central torna-se independente do poder político.

O Tratado de Maastricht fez assim as delícias dos neoliberais, uma vez que praticamente todo o seu programa de gestão económica se encontra plasmado no tratado. (…)

Na verdade é difícil imaginar projecto mais pernicioso para o modelo social europeu (…).

«Este livro é sobre o grande drama europeu actual e, dentro dele, sobre a imensa tragédia portuguesa[João Ferreira do Amaral, Porque devemos sair do euro – o divórcio necessário para tirar Portugal da crise, Lua de Papel, Abril 20131, excertos de pp. 15.81-83; ISBN 978-989-23-2314-5; 126 páginas, 14 euros]



Um deus que só sabe apontar o dedo e não ouça o clamor dos aflitos não pode ser o Deus bíblico… [Dt 26:7-8; Pr 21:13]
Uma Igreja que não saiba «ler» a dimensão estrutural da realidade onde está é «ópio do povo».

É por isso que é triste termos representantes da Igreja católica que não sejam capazes de compreender a realidade em que estamos mergulhados e pensem que o sistema está apenas a precisar de correcções ou melhoramentos (que se vai lá com IPSS's, solidariedade de vizinhança, Banco Alimentar, empreendedorismo, economia social, distribuição nocturna de refeições, aproveitamento de medicamentos quase fora de prazo, peditórios e leilões, 'solidariedade social', etc.). Não: o sistema está a precisar de ser denunciado e virado do avesso, porque não tem ponta por onde se pegue.

Na Nota Pastoral da CEP − «A força da família em tempos de crise»− custa a compreender que o primeiro ponto que é referido como de valor relevante «no actual contexto da sociedade portuguesa, atravessada por uma crise social e económica de particular gravidade», sejam «as alterações legislativas» que abrem as portas às «uniões de pessoas do mesmo sexo». [ponto 1.] Este ponto 1., que constitui a abertura da Nota da CEP, é denominado «A família, um bem social»… Soa a artificial esta sanduiche: que tem a ver as uniões de pessoas do mesmo sexo com a crise?

O mesmo acontece no ponto 4., onde se fala da «crise da instituição familiar», («A família e a abertura à vida»), e dá-se a entender que a «crise da instituição familiar» pode acarretar «malefícios sociais» (ex.: «crise demográfica», «baixa taxa de natalidade»). Quantas afirmações confusas e conceitos mal articulados, neste parágrafo! Exemplos: «A diminuição dos nascimentos põe em crise também os sistemas de assistência social»; «a crise que atravessamos também é reflexo da crise demográfica. Numa sociedade em envelhecimento, as despesas públicas serão cada vez maiores em pensões, saúde, etc., e as receitas cada vez menores. Assim, o financiamento do Estado há-de ser cada vez mais problemático.»[1]


Não faria mais sentido, primeiro, explicar porque é que a instituição familiar está em crise?

Porém, a lógica desta Nota da CEP é clara:

- tudo (o que existe na sociedade) parte e depende da Família («a saúde e coesão da sociedade dependem da saúde e coesão da família»; «a família como fonte e o fermento de onde parte a renovação da sociedade);

mas - constata-se - a Família está em crise;

- Há, então, que encontrar dentro da família, ou nos movimentos (cristãos?) que a ela se dedicam, a cura («os movimentos e instituições que se preocupam e dedicam à família»; «Experiências de entreajuda entre famílias»);

- a partir da família curada, por um automatismo miraculoso extensível, ficaria a sociedade curada (dos seus males).

Não faria mais sentido articular dialecticamente as variáveis todas aqui envolvidas - crise económica, crise social, crise civilizacional, crise religiosa, crise do modelo de família, etc. - antes de extrair conclusões? Haverá um lugar eclesial, evangélico, celestial para onde mandar «a instituição familiar doente» a banhos? E que 'coisa' é essa a que chamam «família doente»? São pessoas doentes vivendo em família, são grupos sociais doentes constituídos em famílias doentes, são o quê? Existirá, a «família doente», como conceito operativo ou trata-se apenas de mais uma abstracção tipicamente católica?

Marcada por laivos de voluntarismo, esta Nota da CEP tem arrumos de ingenuidade que fazem sorrir: «as famílias de pequena e, às vezes, pequeníssima dimensão correm o risco de empobrecer as relações sociais e de não garantir formas eficazes de solidariedade. São situações que apresentam sintomas de escassa confiança no futuro e de cansaço moral. Deste modo, torna-se uma necessidade social, e mesmo económica, continuar a propor às novas gerações a beleza da família e do matrimónio (…)». [Ponto 4.]

Igualmente ingénuas são afirmações como esta:

«Nesta perspectiva, os Estados são chamados a instaurar políticas que promovam a centralidade e a integridade da família, fundada no matrimónio entre um homem e uma mulher, célula primeira e vital da sociedade, preocupando-se também com os seus problemas económicos e fiscais, no respeito da sua natureza relacional» [Bento XVI na encíclica Caritas in veritate (n. 44)].»

Moral da história: se a família foi definida como «micro-sociedade» (espreitando para dentro da família poderíamos observar todas as realidades, dimensões e contradições da macro-sociedade), agora, nada de misturas: família é família e sociedade é sociedade (entidades separadas passíveis de políticas individualizadas, entidades estanques com políticas estanques; conceito novo, este, o da CEP: a família - "um homem, uma mulher e as crias" - como factor de alavancagem da sociedade económica);

(e continua a NOTA dos bispos portugueses)

«Ajudam a combater a crise da natalidade medidas fiscais, que promovam o emprego juvenil, (…)».


Se já nos choca este perspectiva aplicada a vacas, porcos, galinhas mais me choca esta perspectiva de chocadeira ou de aviário aplicada a seres humanos: dinheiro para fomentar casamentos e partos? Filhos fiscais? Fecundação in money? [Ponto 4.] Claro que eu exagero: o decisivo para os bispos está, não nos corpos que se amam e se dão em amor, nem só nas medidas fiscais, mas... na mente e na cultura! Sobretudo, na «mente»: se fores capaz de superar o teu cansaço («moral», «cultural», «mental») vais conseguir ter/fazer filhos... e resolver este insolúvel problema tão português que é a infertilidade.

«O contributo decisivo para vencer a crise demográfica situa-se no plano da cultura e da mentalidade. Há que superar o “cansaço moral” e a “falta de confiança no futuro” a que alude a encíclica Caritas in veritate. Saber que a vida é sempre um dom que compensa todos os sacrifícios – só com esta consciência pode ser vencida a crise da natalidade.» Compensa sempre? E até que sacrifícios compensa? E que tipo de sacrifícios? Sobrevive o bebé, mas morre a mãe do bebé - tudo bem? compensa? Está, assim, salva a natalidade e a Pátria (que é o que parece ser decisivo para os bispos católicos portugueses?)? E o resto, e tudo o resto, santo Deus...?

Moral da história: molhada de grelos, grande confusão mental! (Cf. os trabalhos abaixo da Profª Clara Murteira da FEC) Os nossos bispos têm que descer à (nossa) terra para ver e tocar a realidade... Não tenho dúvidas nenhumas que, se os nossos bispos vivessem no meio dos pobres, rapidamente perceberiam que a família não está doente: «o sistema» neoliberal é que é doentio e faz adoecer (seja lá que tipo social de família for). Do ponto de vista social, a realidade está mesmo muito feia, o que, só por si, acarreta disfuncionalidades/dependências relacionais, morais, psicológicas, culturais, alimentares, sanitárias, etc. Partir de uma concepção abstracta de «família» só pode resultar em conclusões abstractas (genéricas, independentes da realidade social concreta) e, também, em propostas de solução (estratégias eclesiais) igualmente abstractas / teóricas. Duma leitura enviezada da realidade resultará sempre uma Pastoral ineficaz e moralizante.




CONCLUSÃO

Os nossos Bispos, quando falam de risco de falência da segurança social e quejandos!,  não só não sabem do que falam (são incompetentes, porém não deixam de fazer propostas políticas concretas) [2]...

(PF: aprendam, Srs Bispos,  e não funcionem apenas como caixa de ressonância da intoxicação política e ideológica dominantes. A realidade é APENAS esta: para os neoliberais, «o combate ao desemprego deve fazer-se fundamentalmente através da melhoria de funcionamento do mercado de trabalho, aumentando a sua flexibilidade e reduzindo os salários»; «o combate ao desemprego não emerge como objectivo da política macroeconómica»; dentro deste sistema, «não se pode ter como objectivo o pleno emprego»; estudem, meditem e rezem este pequeno livrinho do Prof. J. Ferreira do Amaral)



VÍDEO:
«NÃO ACREDITE EM TUDO O QUE PENSA»



 …como estão a anos-luz de Jesus Cristo, que nunca se enganou quanto ao «sistema que governa o mundo», ao dizer: «Chegou a hora! Virai este mundo do avesso [não vos contenteis com remendos…]. Acreditai nesta Boa Notícia!» (Mc 1:15)

Aprendam com Jesus Cristo:
«A prática de Jesus não consiste apenas em proclamar a sua [dos grupos sociais pobres] dignidade diante de Deus, de modo a que possam recuperar subjectivamente a sua dignidade, mas pretende atacar a raiz das causas que geram a sua indignidade social, ou seja, as condições materiais da sua existência e a concepção religiosa do seu tempo. A importância desta observação para a ética fundamental consiste, então, em dizer que a simples declaração da dignidade dos sem dignidade ante Deus não são suficientes se não se vai mais longe e se não se desmascara e transforma as raízes da sua indignidade.» (Jon Sobrino, sj)

Após o «chumbo de parte do Orçamento de Estado para 2013» por parte do Tribunal Constitucional, e numa altura em que o Governo prepara o mais escandaloso dos «cortes sociais» (mais redução do subsídio de doença e mais reduções do subsídio de desemprego), é aquela NOTA a mensagem de alento que os Bispos católicos portugueses querem deixar às Famílias que estão a ser as vítimas inocentes dum neoliberalismo obstinado e voraz: uma NOTA que é um verdadeiro tiro fora do alvo a que ninguém, aliás, na sociedade presta (já) um pingo de atenção.

pb\

9 de abril de 2013

O REINO DE DEUS, COMO SE FAZ? [JON SOBRINO]

A relação de Jesus com os pobres

e com os desprezados

«Procurai primeiro o Reino de Deus e a sua justiça,
e tudo o mais vos será dado por acréscimo»
(Mt 6:33; Lc 12:31)



Os «milagres», em Jesus, são «opção de classe»... e anúncio do Reino!




«(…) Jesus anuncia o reino como boa notícia para os pobres (Lc 4:18; cf. Lc 7:22; Mt 11:5) e declara que o reino é dos pobres (Lc 6:20; cf. Mt 5:3). Assim, se estabelece uma fundamental co-relação entre a boa notícia e os seus destinatários privilegiados (privilegiados ou únicos[1]), facto que indirectamente permite compreender de que trata a boa notícia.

Se esse reino é para os pobres; se a salvação vem não para os justos, mas para os pecadores; se os publicanos e as prostitutas chegam ao reino antes dos piedosos, então, é na situação concreta que esses destinatários estão a viver que teremos que encontrar ainda que, num primeiro momento, sub specie contrarii aquilo que é o nuclear dessa boa notícia.

Sendo assim, o reino de Deus não poderá ser um símbolo universal de esperança utópica, intermutável com outra utopia qualquer, mas terá que ser, muito em concreto, a esperança dos colectivos humanos que estejam a viver em sofrimento debaixo da opressão material e social.[2] A boa notícia será, em primeiro lugar e em directo, aquilo que hoje se denomina libertação, e que encontra o seu paralelismo bíblico mais na linha profética do que na concepção apocalíptica da história universal.

E, antes de espiritualizar precipitadamente os pobres e extrapolar universalmente a noção do reino, convém lembrar que os destinatários do reino são aqueles que mais privados estão de vida, e privados daquilo que é mais básico. Naquela passagem em que Jesus responde aos enviados de João Baptista, nela os pobres são equiparados aos cegos, aos coxos, aos surdos, etc. Segundo J. Jeremias, esta passagem não deve ser interpretada espiritualmente, porque «à situação de tais pessoas, e segundo o pensamento da época, já não se lhe pode mais chamar vida».[3] A boa notícia consiste, então, em trazer para a vida aqueles que viram secularmente ameaçada e negada a vida.

O reino de Deus, precisamente aquilo que importa erguer, está, portanto, em estreita relação com aqueles que mais privados estão de vida. Por isso, para conseguir uma noção operativa do conteúdo do Reino de Deus, haverá que adoptar a óptica[4] dos sem vida, dos sem poder, dos sem dignidade e não pretender que fora dessa óptica seja possível saber-se, mais e melhor, o que é o reino de Deus. Assim, a noção de reino de Deus não ficará paralisada pelo universalismo abstracto do seu conteúdo ou pela imposição precipitada da reserva escatológica sobre ele.[5] Os pobres, os pecadores, os desprezados representam o lugar necessário, ainda que sob muitos aspectos não suficiente[6], para saber do que trata a boa notícia do reino. Acresce uma última razão de natureza teológica: Deus chama-os, Deus defende-os e Deus quer que tenham vida.[7]

Para além desta primeira correlação entre reino de Deus e pobres, consegue-se (…)».

Jon Sobrino, sj

[pp. 10]




[1] Cf. J. Jeremias, Teologia del Nuevo Testamento I, Sígueme, Salamanca 1974, p. 142.
[2] Acerca desta dualidade do significado de pobre, cf. J. Jeremias, ibid., pp. 134-138. 
[3] Ibid., p.128.
[4] «Dentro da óptica» implica mudança de campo social, vizinhança, partilha/ajuda, intimidade comensal, gestualidade e proximidade corporal, compreensão analítica dos “códigos sociais” específicos. [Nota do Editor]
[5] Isto não significa reduzir o reino de Deus aos níveis primários da vida, mas tê-los presentes para que, quando se fale, de acordo com o Evangelho, de vida plena e de plenitude escatológica não se esqueça o seu pressuposto fundamental.
[6] O simples facto da pobreza é importante para a determinação daquilo que é o reino de Deus, mas a pobreza em si não possui eficácia automática com vistas à salvação histórica; cf. I. Ellacuría, «Las bienaventuranzas como Carta Fundacional de la Iglesia de los pobres», VV.AA., Iglesia de los pobres y organizaciones populares. S. Salvador 1979, p. 118.
[7] Foi assim que o Documento de Puebla, no nº 1142, o reconheceu: «Por apenas essa razão, os pobres merecem uma atenção preferencial, seja lá qual for a situação moral ou pessoal em que eles se encontrem… Deus toma a sua defesa e ama-os». Cf. G. Gutiérrez, «Pobres y liberación en Puebla», Páginas, Abril 1979, pp. 11ss.