teologia para leigos

19 de dezembro de 2012

NATAL_1 - DEUS E O DINHEIRO

O Senhor disse:«Já que são tão orgulhosas as mulheres de Sião: andam com a cabeça emproada, lançam olhares desavergonhados, caminham com passo afectado, fazem soar as argolas dos seus pés»,  o Senhor tornará calvas as suas cabeças, o Senhor desnudá-las-á.  Naquele dia, o Senhor lhes tirará todos os seus adornos: os anéis,  os colares, as lúnulas,  os brincos, as braceletes e os véus, os lenços da cabeça, as argolas dos pés e os cintos, os frascos de perfumes e os  muletos, os anéis dos dedos e argolas do nariz, os vestidos de festa, os mantos, os xailes e as bolsas, os espelhos e as musselinas, os turbantes e as mantilhas.

Então, em lugar de perfume haverá mau cheiro; em vez de cinto, uma corda; em vez de cabelos entrançados, a calvície; em vez de vestidos sumptuosos, um saco; em vez da beleza, a vergonha. Os teus homens cairão mortos à espada, e os teus soldados tombarão no combate, hão-de entristecer-se e gemer as tuas portas; e, desolada, sentar-te-ás por terra. [Isaías 3:16-26]


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Como o luxo resiste à crise em Portugal


O desafio chegou à Amorim & Irmãos no Verão de 2010.
Um mergulhador francês descobrira 168 garrafas de champanhe Juglar e Veuve Clicquot do início do século XIX, nos destroços de um navio naufragado no mar Báltico. Bastou retirar a rolha à primeira para se perceber que a temperatura e a pressão da água tinham mantido todas as propriedades do vinho, incluindo o gás. Para continuar a preservá-las, bastava substituir as rolhas. E nenhum outro fornecedor garantia aos técnicos da Veuve Clicquot (do grupo Louis Vuitton) o mesmo nível de qualidade da Amorim, com quem trabalhavam há vários anos.

Foi preciso criar rolhas de raiz as medidas dos gargalos eram diferentes das actuais. E até a engarrafadora manual saiu do museu da empresa, porque facilitava o encaixe nas garrafas antigas. Todos os passos foram acompanhados de perto: o gestor do produto Ernesto Pereira levou o material para França e assistiu no local à colocação das rolhas para evitar que se danificasse o achado.

“O segmento de luxo deverá representar entre 5 e 7% da produção da corticeira”, diz à SÁBADO Carlos Jesus, director de marketing da holding de Américo Amorim. Além dos vinhos, a empresa fornece componentes à Ferretti, líder em iates de luxo, e à Bentley, fabricante de automóveis; produz revestimentos para jactos privados e protótipos da Mercedez como o F700; e já enviou cortiça para sapatos Christian Louboutin, Stella McCartney e Dior. Em 2010, a Dalmore Trinitas, uma das melhores marcas de whisky do mundo, encomendou três rolhas para selar três garrafas de uma edição limitadíssima de 1964. A empresa acompanhou o processo durante seis meses e, mais uma vez, o gestor deste projecto deslocou-se propositadamente à Escócia para entregar a encomenda.

As garrafas foram postas à venda por 125 mil euros: duas venderam-se em menos de 24 horas. Não adianta querer saber mais: um contrato de sigilo impede a Amorim de divulgar o valor cobrado, bem como todos os detalhas técnicos.

Esta é uma exigência comum das marcas de luxo. O joalheiro José Carlos Santos também assinou um acordo de 16 cápsulas com um dos maiores produtores franceses de jóias. “Obriga-me a silêncio absoluto sobre os nomes das marcas e proíbe-me de reproduzir as peças que faço para eles”, diz à SÁBADO.

Mas a primeira encomenda feita ao empresário de Azurém (um anel de ouro, brilhantes e pérolas) não correu bem. Foi chamado à sede da empresa, em Paris. Lá, com fotografias do anel ampliadas ao microscópio, o gerente, o joalheiro, o polidor, o cravador de pedras e o fundidor mostraram-lhe várias imperfeições e erros invisíveis a olho nu. Todos os métodos de trabalho da José Carlos & Filhas tiveram de ser revistos passaram um ano a fazer testes sem receber um cêntimo mas nunca mais houve reclamações.

A produção constante para as maiores marcas de joalharia obrigou José Carlos Santos a alguns investimentos: comprou microscópios potentes e foi a França contratar uma pessoa só para escolher pedras preciosas e controlar a qualidade do trabalho. “Quando me vêem chegar dizem-me, a brincar, que vem lá a troika”, conta Jaime Emílio, responsável pelo acompanhamento da produção na empresa. A exigência compensa: a José Carlos & Filhas exporta 80% para marcas de topo.

Na Curtumes Fabrícios, em Seia, as preocupações são semelhantes. Quem entra na antiga sala de reuniões nem vê as paredes: o espaço está coberto com amostras das peles produzidas nos últimos dois anos. Todas menos uma a pele de borrego tingida de azul em exclusivo para a marca francesa Lancel, que ninguém pode ver. “Está fechada numa gaveta. Assinámos um contrato a garantir que não a mostrávamos”, diz à SÁBADO o administrador João Pedro Santos.

Desde 2007 já 19 companhias tiveram amostras da Fabrícios em cima da mesa dos seus estilistas: a Tom Ford, Givenchy e a Kenzo nunca as chegaram a usar, ao contrário da Louboutin, a marca conhecida pelos sapatos de sola vermelha[1], que aqui comprou peles para oito modelos de carteiras diferentes. Entre todos os interessados, João Pedro não esquece o caso de uma senhora que pediu informações sobre várias peles e acabou a marcar uma reunião para as 8h 30m da manhã do dia seguinte, na sede da Hermès, em Paris.

Karl Lagerfeld foi um dos primeiros estilistas mundiais a fazer encomendas à Fabrícios prefere cores berrantes, como o rosa-choque. Mas nenhuma marca é tão exigente como a Lancel. “Deu-nos um caderno de encargos com duas páginas para testarmos as peles”, adianta José Pedro Santos. Um dos testes consiste em colocar um peso sobre um pedaço de pele e raspá-lo várias vezes para confirmar que não tinge a peça. Quando as peles ficam prontas, um inspector da Lancel desloca-se à fábrica e passa três ou quatro dias a verificar cada lote antes de a encomenda ser enviada para os países onde se faz o produto final sobretudo Argélia, Tunísia e Turquia.

Só 5% das peles que chegam à Fabrícios têm qualidade suficiente para este segmento. E até o tamanho das cabras é importante: um animal com 1,20 metros tem os poros mais dilatado do que um mais pequeno. Numa das encomendas da Lancel, que pesa 20% da facturação anual, isso foi um problema: as carteiras fizeram tanto sucesso que a marca encomendou sete mil metros quadrados de pele a dimensão dos poros teve que ser reproduzida em laboratório, com produtos químicos.

As peles produzidas para marcas de luxo demoram três vezes mais a estar prontas, mas rendem mais estas empresas pagam 50% acima do mercado. De qualquer forma, uma mala vendida por 700 euros, não terá custado à marca mais de 60 euros. Nem tudo é lucro. “Uma marca que faz o lançamento de um novo perfume pode investir 70 a 100% da facturação prevista desse perfume”, explica Mónica Seabra Mendes, docente do Programa Executivo da Católica na área do Luxo.

Inês Branco, da Empresa Têxtil Nortenha, nem sempre sabe o preço final dos pólos e das T-shirts que fabrica para a Thomas Pink, do grupo Louis Vuitton, e para o criador norte-americano Adam Kimmel. Recentemente, cruzou-se por acaso com um vestido da Jonathan Saunders numa loja on-line custava mais de 500 euros, mas tinha saído de Vila Nova de Famalicão por apenas 65 euros.

Manter satisfeitos os responsáveis pelas compras é um dos truques de Inês. “O nosso contacto na Levi’s mudou-se para a Thomas Pink, em Inglaterra, e pediu-nos para produzirmos para eles, e dali passou para a Reiss, que já vestiu Kate Middleton e Michelle Obama.”

Sempre que um cliente consulta a Têxtil Nortenha, Inês contacta os diferentes fornecedores à procura de malhas adequadas. Um dos parceiros a quem recorre frequentemente é a Luís Azevedo & Filhos, de Guimarães que já colocou malhas em colecções das casas Dior, Balenciaga, Prada e Yves Saint Laurent. A participação na Première Vision, a mais importante feira de têxteis para vestuário, é fundamental para impressionar o mercado.

A administradora Sílvia Azevedo reserva sempre um stand de 20 metros quadrados para expor as novidades três dias custam-lhe 13 mi euros, mas o investimento compensa. Foi numa das feiras que um responsável da Balenciaga a abordou. O representante da marca espanhola perguntou-lhe se era possível alterar a cor e o padrão de um devoré preto malha simples com padrões de transparências conseguidas através de enzimas. A Azevedo produziu a malha em rosa-vermelho.

Portugal não é caso único. Mais de 70% dos produtos de luxo são feitos na Europa; o sector já representa 2,6% do PIB da região e vai continuar a crescer mais de 7% ao ano. É, aliás, um dos poucos que resiste à crise.

A fábrica La Perla em Valadares é a única unidade europeia fora de Itália. Há 22 anos que a marca de lingerie de luxo se instalou perto de Vila Nova de Gaia. E se nos primeiros tempos a casa-mãe não permitia a confecção do artigo completo, agora confia alguns dos trabalhos mais complexos às costureiras portuguesas. As quase 200 máquinas de costura utilizadas não são de última geração. Não é importante: “25 a 50% das peças são feitas à mão”, explica à SÁBADO António Pimentel, director da fábrica. A complexidade dos artigos é tão grande que mesmo os básicos demoram quatro ou cinco vezes mais a produzir do que os equivalentes de gama média. Em Portugal são produzidos todos os anos 250 modelos diferentes, num total de meio milhão de peças a mais cara custa 1.700 euros.

Os materiais escolhidos pela marca (algodões extra-finos, sedas de chantilly e malhas de caxemira) são tão delicados que obrigam a cuidados especiais. Os vidros da fábrica têm protecção contra raios ultra-violetas, as mesas de trabalho são polidas para não haver arestas, e nalguns casos as costureiras retiram todos os anéis e põem creme nas mãos várias vezes por dia para não danificarem as peças. Mais: a fábrica contrata modelos todas as semanas para garantir que os materiais não picam ou provocam comichão e que os aros dos sutiãs não magoam. 

Mas nem sempre trabalhar para marcas de luxo significa um prazo maior. “Queremos as peças mais cedo para terem mais tempo para fazerem a verificação da qualidade”, explica Jorge Frade, director da Unidade de Cunhos e Cortantes da Autoeuropa, responsável por produzir moldes para peças de carros (como pára-choques) para marcas como Bentley, Porsche ou Lamborghini. “Num projecto normal fazemos um molde de cada vez, de forma sequencial. Nestes, temos que fazer dois ou três moldes em simultâneo”, diz.

Estes carros precisam de peças feitas à medida e a única garantia de que ficam exactamente iguais é serem feitas com o mesmo molde. As fugas de informação são outra preocupação. “Na nossa unidade, apenas quatro pessoas têm acesso aos dados desta peça [uma calha de água para a Bentley]”, aponta Jorge Frade. “Se fosse uma peça normal seriam 10 a 15 pessoas. Não está escrito no contrato, mas nós assumimos como importante”. Quando a SÁBADO lhe pede mais detalhes sobre o automóvel, responde: “É um modelo que ainda vai sair e ficamos por aqui.” Nem mais uma palavra.

Revista SÁBADO, 21-27 de Junho de 2012.
Por Rita Garcia e Patrícia Silva Alves


11 de dezembro de 2012

COMUNIDADES DE BASE [ALBERT ROUET]

«A IGREJA CORRE O RISCO DE SE CONVERTER NUMA SUB-CULTURA» [arcebispo Albert Rouet]





Lamentavelmente, na Igreja católica portuguesa, quanto à «actualização» da experiência do movimento iniciado por Jesus de Nazaré, a cultura teológica cristã, sobretudo a metodologia pastoral, são muito deficitárias, quando não divergentes da de Jesus. O dinamismo profético e radical do Evangelho, bem como a sua “pegada existencial” são praticamente ignorados / secundarizados por parte de leigos, padres e bispos.

Podemos resumir a duas, as formas concretas de os leigos serem igreja católica em Portugal:

.uma, massiva e pública, pontual, datada, feita de ajuntamentos de multidões (movimentos laicais, festivais, procissões, santuários), geograficamente não vinculada ao mapa paroquial;

.uma outra, que se centra à volta da simbólica e da liturgia (nos templos), partindo depois para o louvor a Deus segundo uma mística do transcendente a partir do mistério inominável (ligada à paróquia ou a capelanias).

Sem relevância (inexistente?), poderá existir uma terceira (provavelmente, ultra-minoritária: LOC, JOC, outros?), que parte da atenção à revelação de Deus na História através das suas contradições / tensões, procurando ler o acontecer (o revelar) da Salvação de Deus-Pai oferecida ao seu Povo na Face do Servo de Yahvé (4º Cântico do Servo: Is 52:13-15).

Há muito que venho insistindo nisto: em Portugal, predominam as paróquias e, nelas, não há comunidades. Há, sim, «gente que vai à missa» para cantar e para ouvir o Padre. Por «comunidade» entendo uma experiência existencial de «acolhimento integral» de cada um (palavra, incluída), de «partilha de destino» (“carregarmo-nos uns aos outros” – Jon Sobrino, sj) e de «celebração do perdão» (na linha da última Ceia de Jesus com os seus amigos).

A questão prática é: que metodologia para o fazer? No concreto, como o fazer? Acerca deste ponto, vários autores já foram editados nesta página Web, «A SALA DE CIMA» (p. ex., Marcel Legaut - 06:IX:2011; José Comblin, Leonardo Boff, Segundo Galileia - 9:IX:2012; Xabier Pikaza – 7:X:2012, etc.). Segue-se o ex-arcebispo de Poitiers, Albert Rouet.

A questão de fundo é: quais são os “materiais de construção”? por quais começar? como os dispor? que orientações globais? que prioridades?

Aquilo que vemos é que, uns refugiam-se na «liturgia» (um esquema pré-fabricado, onde o rebanho "mergulha a cara" no canto e lê aquilo que lhe foi predestinado ler ou ouvir ler). Outros defendem-se com «conferências» e conferencistas-super star, outros reduzem tudo a «espaços de oração» (monacais) em que todos aceitam dissolver-se num silêncio mudo, sacral e individual, em que o conceito de Povo de Deus é substituído pelo ‘indivíduo/a consciência a sós com Deus’.

Os modelos «comunidade local» (Albert Rouet), «comunidade humanista de base» (11:X:2011, Aloysius Pieris, sj), as «pequenas comunidades» do futuro (06:IX:2011, Marcel Legaut) ou «comunidades eclesiais de base - CEB» (América Latina) são a via, o caminho que a sociedade do nosso tempo nos obriga a adoptar. Esses modelos têm todos, como metodologia, o seguinte (e por esta ordem):

Atenção à realidade histórica - Que está a acontecer? Como interpretar? Qual o sentido histórico disso? Quais as causas pessoais e políticas? Quais as consequências pessoais e sociais? Que questões éticas se levantam? De que lado nos situarmos?
[Um Deus que sela um pacto contra os tiranos! é um desafio à Igreja: «Tomar o controlo dos pobres - assistencialismo - ou unir-se a eles na luta pela emancipação»?] Ex 1-2; Dt 26:5-10; Dt 4:37-39

Atenção ao “próximo - Que está a acontecer na realidade em que me insiro? Que se passa com os mais desfavorecidos, com os mais frágeis, com os excluídos do sistema? Que posso fazer? De quem me faço “próximo”?
[“Próximo” é aquele de quem me abeiro e carrego comigo e não aquele que se abeira de mim e a quem dou a esmola: Lucas 10:33] Mc 7:24-37; 8:1-10

Como o exemplo de Jesus pode ser um modelo de Novidade Radical, uma Boa-Notícia? (“Memória do Ev-angelio de Jesus”; alargar e radicalizar um horizonte de humanidade-salvífica) Jo 4:29.42; Lc 24:33-35

Como abrir o meu coração e confessar? CLICAR AQUI Como pedir perdão, perdoar e ser perdoado para ser salvo? Como reforçar o meu compromisso de profeta do Reino?
(não há Oração individual, nem Confissão Auricular, nem Perdão Individual sem comunidade de comunhão baptismal) Lc 7:36-50

Este desafio construir «comunidades de base» permanece urgente
(com aquela urgência das coisas perdidas: dracma, filho, ovelha…).

Urge regressar a Jesus de Nazaré, ao seu 'evangelho' e Bem-aventuranças, e aos primeiros passos pós-pascais da Igreja nos Actos dos Apóstolos.

[pb]




O arcebispo de Poitiers, Albert Rouet, é uma das figuras mais livres do episcopado francês. O seu livro J’aimerais vous dire (“Gostaria de vos dizer”) é um best-seller neste tipo de livros. Vendeu mais de 30.000 exemplares e recebeu o prémio 2010 dos leitores de «La Procure» (a maior livraria católica em França). Trata-se de um livro de entrevistas através das quais lança um olhar muito crítico sobre a Igreja católica. Em Fevereiro de 2011, ao completar setenta e cinco anos, tal como está previsto, apresentou a sua demissão. Em menos de duas semanas, facto absolutamente inédito, ela foi aceite por Roma.


Le Monde [LM] – A Igreja católica tem vindo a ser, desde há meses, sacudida pela revelação dos escândalos de pedofilia em vários países europeus. Surpreendeu-o?

Albert Rouet [AR] – Antes de mais, uma precisão: para que haja pedofilia não necessárias duas condições: uma perversão profunda e poder. O que quer dizer que todo o sistema que seja fechado, idealizado, sacralizado é um perigo. Na medida em que uma instituição – a Igreja, incluída – se constitua sobre um direito privado e se pense como instituição poderosa, então são possíveis as derivas financeiras ou sexuais. É o que esta crise [a «crise pedófila] revela e isso deve fazer-nos regressar ao Evangelho: a debilidade de Cristo é constitutiva da forma de ser Igreja.
Em França, a Igreja já não tem esse tipo de poder e por isso estamos frente a faltas individuais, graves e condenáveis, mas não diante de uma questão sistémica [estruturante].

Le Monde – Estas revelações acontecem depois de várias crises que puseram à prova o pontificado de Bento XVI. O que é que aflige assim tanto a Igreja?

Albert Rouet – Desde há já algum tempo que a Igreja está sob tempestades internas e externas. Temos um Papa que é mais um ‘teórico’ que um historiador. Como professor que foi, continua a pensar, que, quando um problema está bem equacionado, está meio resolvido. Mas, na vida, nada é assim: na vida temos que enfrentar a complexidade, a resistência do real. Nas nossas dioceses, isso é muito claro: fazemos o que podemos. A Igreja tem dificuldade em situar-se num mundo agitado como o de hoje. E esse é o núcleo do problema.

Duas coisas me preocupam na actual situação da Igreja. Nela existe uma espécie de congelamento da palavra. Portanto, qualquer tipo de questionamento da exegese ou da moral são condenados como blasfemos. Colocar questões é algo que, lamentavelmente, já não acontece e isso é uma pena. Por outro lado, reina na Igreja uma atmosfera de desconfiança doentia. A instituição tem pela frente o centralismo romano que assenta sobretudo numa rede de denúncias. Certas correntes passam a vida a denunciar as tomadas de posição de certo bispo, elaborando relatórios, denunciando este e aquele, tomando notas contra outros. E, com a internet, este fenómeno ainda se amplifica mais.

Por outro lado, há na Igreja uma evolução paralela à da sociedade. A sociedade reforça-se com mais segurança e mais leis; a Igreja, com mais identidade, mais decretos, mais regulamentos. Protegemo-nos, enclausuramo-nos! Somos o exemplo de um mundo fechado, o que é desastroso!

Em geral, a Igreja é um bom exemplo da sociedade, mas, no seu interior, são especialmente fortes as pressões relativas à identidade. Há toda uma corrente que não reflexiona, mas que assume uma identidade de tipo reivindicativo. A seguir à publicação, na imprensa, das caricaturas sobre a pedofilia na Igreja, recebi reacções dignas dos integristas islâmicos aquando das caricaturas de Maomé. Ao ofendermos, perdemos autoridade.

Le MondeO presidente da Conferência Episcopal, monsenhor André Vingt-Trois, repetiu em Lurdes, a 26 de Março: a Igreja francesa está marcada pela crise de vocações, pelo decréscimo da transmissão da fé, pela dissolução da presença cristã na sociedade. Como vive, o sr. Arcebispo, esta situação?

Albert Rouet – Procuro ter bem em conta que estamos no fim duma era. Passámos de um cristianismo de costumes a um cristianismo de convicções. O cristianismo sobreviveu graças ao facto de se ter  convencido de possuir o monopólio da gestão do sagrado e das celebrações. Com a chegada de novas religiões e com a secularização das pessoas, já ninguém recorre a essa ideia de sagrado.

Mas, será possível continuarmos a dizer que a borboleta é «mais» ou «menos» parecida à crisálida? Não, não é. É por isso que eu não raciocino em termos de ‘degenerescência’ ou ‘abandono’: estamos num processo de mutação. Precisamos de calcular a amplitude de tal mutação. Repare: na minha diocese, há setenta anos, tínhamos 800 padres. Hoje, temos 200, mas contamos com 45 diáconos e 10.000 pessoas envolvidas nas 320 comunidades locais que, há 15 anos, começamos a criar. E isto é o que importa. Temos que acabar com a pastoral do tipo ‘rede ferroviária nacional’… Temos que encerrar algumas linhas e abrir outras. Sempre que nos aproximamos das pessoas, da sua maneira de viver, dos seus horários, a participação eclesial aumenta e aumenta também a formação catequética. A Igreja tem essa capacidade de adaptação.

Le MondeMas de que forma?

Albert Rouet – Já não podemos dispor de gente suficiente para uma rede territorial de 36.000 paróquias. Então, das duas uma: ou consideramos isto uma desgraça da qual nos teremos de livrar custe o que custar e re-sacralizamos o ‘padre’, ou inventamos um modelo outro.
A pobreza [de meios] da Igreja é uma provocação para que abramos novas portas. A Igreja deve apoiar-se nos seus clérigos ou nos seus baptizados? Eu penso que a Igreja deveria confiar nos seus leigos e deixar de funcionar na base da divisão territorial medieval. Esta é uma mudança vital. Um desafio.

Le Monde E esse desafio pressupõe a abertura da ordenação sacerdotal aos homens casados?

Albert Rouet Sim e não! Não, na medida em que eu até poderia amanhã ordenar dez homens casados que bem os conheço , mas isso não é o que mais falta faz. Por exemplo, eu não lhes poderia pagar o salário. Ou seja, tinham de ter os seus empregos e só estariam disponíveis aos fins-de-semana para os sacramentos. Eis como se regressaria à velha imagem do padre vinculado apenas ao culto. Seria uma falsa modernidade.

Mas, se alterarmos a maneira de exercer o ministério e se a sua função na comunidade for outra, então sim, podemos considerar a ordenação de homens casados. O padre não deve continuar a ser o ‘patrão’ da paróquia. Deve apoiar os baptizados para que se convertam em ‘baptizados adultos na fé’, deve formá-los e evitar que se dobrem sobre si próprios.

Seria o padre quem deveria lembrar-lhes que eles são cristãos para os outros e não para si mesmos. Então, o padre presidiria à eucaristia como um gesto de fraternidade. Se os leigos permanecem infantis na fé (na menoridade), credibilidade alguma terá a Igreja. A Igreja tem de falar de adulto para adulto.

Le Monde O senhor considera que a palavra da Igreja já não se adapta ao mundo. Porquê?

Albert Rouet Com a secularização formou-se uma espécie de «bolha espiritual» dentro da qual as palavras flutuam, começando pela palavra «espiritual», que praticamente embrulha qualquer tipo de produto ou mercadoria… Portanto, é importante fornecer aos cristãos os meios indispensáveis para que eles saibam identificar e expressar os elementos da fé. Não se trata de repetir uma doutrina oficial, mas de permitir-lhes expressarem livremente a sua própria adesão à fé.

Às vezes, é a nossa maneira de falar que não funciona. Impõe-se descer da montanha e vir até à planície e fazê-lo com humildade. Para isso, requer-se um grande trabalho de formação, na medida em que a fé se converteu em algo de que nunca se fala entre os cristãos.


Le Monde Qual é a sua maior preocupação para com a Igreja?

Albert Rouet O perigo é real. A Igreja corre o risco de se converter numa sub-cultura. A minha geração estava muito agarrada à ideia da inculturação, de imersão na sociedade. Hoje em dia, o risco é que os cristãos simplesmente se fechem e se endureçam, porque têm a impressão de estarem frente a um mundo de incompreensão. Mas não é acusando a sociedade como causadora de todos os males que iluminamos as pessoas. Pelo contrário, faz falta uma imensa misericórdia diante deste mundo, onde milhões de pessoas morrem de fome. Não nos compete suavizar este mundo. Compete-nos tornarmo-nos mais amáveis.

Le Monde, 3 de Abril de 2010 [ENTREVISTA]
Por Stéphanie Le Bars


LINKS :

OS «PEQUENOS GRUPOS», O FUTURO DA IGREJA – J A PAGOLA

AS PEQUENAS COMUNIDADES – MARCEL LÉGAUT

ASSEMBLEIAS DOMINICAIS SEM PADRES – BERNARD SESBOUÉ

O DEUS DE JESUS DE NAZARÉ – PAULO BATEIRA

SOCIEDADE DE BEM-ESTAR E FÉ – J A PAGOLA

CRISTÃO, SEGUIDOR OU ADEPTO? – J A PAGOLA



6 de dezembro de 2012

MISSA E RESTAURACIONISMO [J. PEREA]

Há 50 anos - 11:OUT:1962
Abertura Solene do Concílio Ecuménico Vaticano II


A CONTRA-REFORMA (LITÚRGICA) CONTINUA





A 4 de Dezembro de 1963 assinou-se e publicou-se o primeiro documento da Concílio Vaticano II, a Constituição Sacrosanctum Concilium, sobre a reforma litúrgica. A sua comemoração, mais do que ocasião para lançar foguetes, afigura-se-nos como um momento de preocupação.

De facto, existe hoje em muita gente a convicção de que o ensinamento da constituição conciliar sobre a liturgia do Vaticano II foi explorado apenas em uma ínfima parte, ficando a maioria por desenvolver. […]

Muitos pensam que a nova situação social e eclesial (passaram já 40 anos![1]) exigiria adaptações, ou seja, uma recepção viva. Porém, é muito evidente que Roma, realizando uma recepção ao pé-da-letra e por vezes contra a letra, trava a renovação eclesial e não quer enfrentar os processos pendentes. Podem ser dados inúmeros exemplos. […]


A reforma da reforma e seus motivos

No pólo oposto, existem outros que se lamentam da pirosice da liturgia renovada e se excitam com a «mística» da liturgia pré-conciliar. Estes desejam voltar à «antiga» liturgia: algumas nações apropriam-se da permissão excepcional concedida à Fraternidade de S. Pedro para usar o rito tridentino.

Os esforços restauracionistas da liturgia significam um «regresso» geral ao tempo anterior ao Concílio, ou, como alguns protagonistas desta corrente o designam, uma «reforma da reforma». Os traços deste restauracionismo começaram a permear os documentos litúrgicos oficiais. […]

Um dos sinais distintivos da «reforma da reforma» é a rejeição da modernidade enquanto aplicável à liturgia. Este rejeição funda-se na convicção de que a cultura e a arte modernas, por natureza essencialmente profanas e secularizadas, são incapazes de transmitir a transcendência e de simbolizar o sagrado. Por isso, procuram-se, no campo da liturgia, figuras expressivas do transcendente que provenham do passado.

O restauracionismo litúrgico é igualmente movido pela sensação de que é necessário corrigir certas tendências que caminham para o herético, as quais desde o Concílio que se vêm infiltrando na Igreja através de novas práticas litúrgicas. […] De entre as várias preocupações que são referidas, podemos enumerar três exemplos principais: o decréscimo da fé na presença real; a desvalorização da identidade presbiteral; e a perda da dimensão escatológica.

Os defensores do restauracionismo[2] estão fortemente empenhados em sublinhar que a presença real e a correspondente adoração das espécies eucarísticas têm vindo a ser substituídas pela participação na celebração como função primeira dos crentes.

Quanto ao papel presbiteral, procura-se, entre os restauracionistas, desvalorizar o sacerdócio dos crentes[3] e sublinha-se o papel do presbítero que actua em nome de Cristo cabeça. […]

Quanto ao não se dar, na celebração, espaço apropriado à dimensão escatológica, ou seja, à relação com a liturgia celeste, critica-se que só se acentua a realidade da comunidade celebrante aqui e agora e a ligação da celebração aos problemas do mundo.


Modelo de celebração e modelo de Igreja

A Constituição deixou claro que a liturgia é a mais importante auto-representação, bem como a realização central da vida da Igreja. Certamente, não é a única. Porém, é a fonte donde emana toda a força e o cume para onde tende a actividade da Igreja (nº10). […]

Há que reconhecer que não há nenhuma decisão tão directamente cheia de consequências para a vida espiritual das comunidades eclesiais como a reforma da celebração. Eclesiologia e liturgia são inseparáveis.

Na verdade, mesmo que sejam passados 40 anos da aprovação da constituição Sacrosanctum Concilium, só aos poucos é que se tomou consciência de que essa constituição só poderá ser compreendida tendo como pano de fundo a renovação eclesiológica. Na Constituição sobre a liturgia está o núcleo da Constituição sobre a Igreja que, no ano seguinte, seria aprovada. Donde resulta que, pelo facto de a liturgia e a Igreja estarem vinculadas entre si, a reforma litúrgica acarreta necessariamente a reforma e a renovação completa da Igreja toda.

O princípio atrás referido vale também para o movimento tradicionalista. Quem quer a chamada ‘missa tridentina’ tem também uma clara imagem do tipo de Igreja que quer: igreja ordenada uniformemente de cima a baixo, o clérigo como vir Dei, o santo homem de Deus, sem o qual o leigo apenas pode obter alguma participação na graça que os sacramentos transmitem, graça que o clero administra. […]

Neste movimento, reconhece-se, de modo dramático, a ligação insolúvel entre liturgia e eclesiologia: quem rejeite globalmente a reforma litúrgica não pode estar de acordo com a reforma eclesial no seu todo e, consequentemente, tem de rejeitar todo o Vaticano II.[4]





Significado eclesial da reforma litúrgica

Compreende-se assim como a renovação da liturgia fica afectada se a eclesiologia do Concílio for lamentavelmente interpretada de forma unilateral por alguns representantes concretos da Cúria romana, que a vêm através duns óculos a que chamam ‘comunhão hierárquica’.

Para alguns analistas da actual crise intra-eclesial, uma das questões-chave para a compreender está na reforma litúrgica: ao constituir-se no centro da renovação da Igreja, a reforma litúrgica contribuiu para o crescimento da consciência do «ser sujeito» de todos os baptizados, isto é, contribuiu para uma concepção totalmente transformada da Igreja e da comunidade. E isso mete muito medo aos que detêm o poder espiritual.

Perante todas as tentativas de travagem, há que dizer com muita clareza que não se pode falar de projecto de evangelização, nem sequer pretender ter aí algum êxito, enquanto a liturgia renovada não corresponder a um sujeito eclesial renovado. […]

Mais. Uma reforma litúrgica que olhe a comunidade como sujeito da acção litúrgica não é concebível sem uma reforma concomitante das estruturas eclesiais e comunitárias.

Em suma, a reforma litúrgica terá alcançado o seu fim e o seu sentido essencial se se converter no núcleo de uma reforma permanente da Igreja e da comunidade. Quarenta anos depois do Concílio não é possível garantir que essa meta se tenha alcançado. […]

O Concílio encarregou a Igreja da reforma litúrgica, e, apesar das dificuldades imprevisíveis, entendeu-a como uma tarefa permanente e nunca concluída. Se a Igreja quer ser fiel ao Concílio, as reformas litúrgicas realizadas até agora terão de ser consideradas apenas como prólogo.

Não podemos ignorar que, precisamente, em Roma essa fidelidade não é levada à prática. Peter Hünermann[5], professor de Teologia Dogmática e de História dos Dogmas na Universidade de Tubinga, director da última edição de Denzinger, escrevia há alguns anos atrás:

«Não conheço nenhum paralelo histórico para semelhante suspensão das conclusões de um Concílio legítimo».[6]

Daqui se conclui que o processo de recepção do Concílio Vaticano II não só não foi finalizado como continua pendente. […]

Digamo-lo com todas as letras: aquilo que com a «reforma da reforma» está em jogo é se ainda permanece válida, para os nossos tempos e para o futuro, a orientação peculiar do Concílio Vaticano II, quer sobre a Igreja no mundo de hoje, quer sobre a pessoa humana como crente em Deus e celebrante diante de Deus.

Porque se reformou a liturgia?
Constatou-se que, quer a celebração da Igreja, quer a pessoa humana, estão submetidas a condicionalismos históricos e, por isso, precisam de ser sempre repensadas. A liturgia, seja ela antiga, medieval ou barroca, está vinculada à história. Não podemos dizer que o homem da era industrial, da era técnica e das estruturas sociologicamente condicionadas por essa era, seja incapaz de actos litúrgicos[7]. A questão está em saber como têm de ser celebrados os sagrados mistérios para que o homem de agora possa encontrar-se, neles, com a sua verdade hodierna. […]

Decisiva é a tensão entre a história salvífica de Deus e, por outro lado, a humanidade e as condições históricas nas quais o ser humano está imerso. Só assim a Igreja poderá partilhar as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias da humanidade de hoje, tal como diz a Gaudium et Spes. […]

A tentativa, por parte do Concílio, de resolver esta questão consistiu em reconhecer que a vida celebrativa exige uma renovação fundamental, a qual não pode acontecer sem que antes se olhe para a pessoa humana. Isto não tem nada que ver com a fidelidade esterilizante à letra do rito.[8] A fidelidade às tradições rituais e aos textos originais não chega. É necessária uma tradução [da vida celebrativa] para dentro do mundo vital dos seres humanos, da forma a mais viva possível, de modo a que os próprios seres humanos se possam reconhecer nela, bem como nela se possam reflectir os aspectos específicos da vida que eles vivem.

Assim se define a finalidade que a reforma litúrgica terá e também a missão permanente da Igreja: pôr em relação, de modo sempre renovado, a riqueza da fé com as experiências humanas e o mundo em que vivem.

Portanto, a reforma da liturgia, tal como a concebe o Concílio, postula uma renovação mais ampla, a qual exige um repensar geral da identidade da Igreja e da sua relação com o mundo. Repensar a Igreja e a sua relação com o mundo deve inscrever-se num amplo processo de adaptação das instituições eclesiásticas às exigências do tempo presente. […]


De como se amordaça a recepção criativa do Vaticano II

Graças à publicação de variadas fontes da história do Concílio, tais como as notas estenografadas do (…).


Joaquin Perea

Joaquin Perea [Barakaldo, 1932], presbítero diocesano de Bilbao, foi formador no Seminário de Derio e professor de Teologia Fundamental e de Eclesiologia nesse centro e na Faculdade de Teologia da Universidade de Deusto. Posteriormente, foi director do Instituto Diocesano de Teologia e Pastoral de Bilbao.

Este Artig-[9] foi escrito pelo 40º aniversário da publicação da Constituição conciliar sobre a reforma litúrgica.

FONTE: (traduzido de) «Clamor contra el Gueto – textos sobre la crisis de la Iglesia», Trotta, 12012, pp. 130-135.


LINKS:

«KIKOS» na PRAÇA CIBELES – O EVANGELHO DE ARGUELLO

«O CRISTIANISMO COMO ESPECTÁCULO» – JOSÉ ALVILARES

A MÚSICA NA «LITURGIA DO ESPECTÁCULO» - J.M.J., MADRID 2011

BENTO XVI AMIGO DOS NEOCATECUMENAIS, ET AL. – 3 CASOS DE ESTUDO




[1] Este Artigo foi editado em 2003.
[2] Veja-se a fixação por gestos grandiosos (p. ex., a colocação, na torre da catedral de Madrid, da custódia gigante, com a hóstia; a ‘via crucis’ ao longo da avenida, preferencialmente em latim; a cerimónia pública de “envio em missão”, na Praça Cibeles, de centenas de jovens ‘kikos’ para converter a China, no dia seguinte à clausura das JMJ…) que ocorreram durante os dias das Jornadas Mundiais da Juventude em Madrid, 2011. [N. do E. deste blog]
[3] Segundo a expressão do Concílio, ‘o sacerdócio comum dos fiéis’. Ou seja, todos os cristãos participam do único sacerdócio de Cristo. (LG 10,1) [N. do E. deste blog].
[6] P. Hünermann, «Droht eine dritte Modernismuskrise?»: HK 43 (1989), pp. 43s.
[7] Como também não se pode dizer que o Homem da era pós-moderna esteja desprovido de capacidades simbólicas ou rituais, ou que esteja vazio de densidade existencial e que a sua sociedade seja carente de símbolos, gestos e rituais, pelo que a Igreja deverá ser, de novo, a municiadora dessa simbólica outrora evacuada…. [N. do E. deste blog]
[8] Conheço mais do que um caso de padres que ‘se passaram’ por questões relativas a: mobilidade da mesa-eucarística, tipo de farinha para confeccionar o pão-eucarístico, e por aí adiante. [N. do E. deste blog]
[9] Iglesia Viva 38/116 (2003), pp. 123-128.