teologia para leigos

15 de agosto de 2012

O EURO, a nossa desgraça

LIÇÕES



«Política de um Estado que soube usar a sua soberania democrática tem lições a dar aos países em crise: transferir alguns dos custos do ajustamento para os credores, instituir controlos de capitais, manter a protecção social e recorrer a uma política cambial assente na desvalorização da moeda fazem parte do menu. Por contraste com a destrutiva desvalorização interna em curso nos países sem soberania, através da quebra dos salários nominais e do desemprego de massas permanente, esta opção islandesa revelou-se mais rápida e eficaz a estimular exportações e a desincentivar importações, com efeitos favoráveis na procura, teve custos para os trabalhadores, em termos de quebra dos salários reais, incomparavelmente menores e reversíveis, evitou a destruição de emprego em curso no euro-sul e não exigiu alterações regressivas nas regras laborais e sociais com efeitos negativos permanentes na correlação das forças sociais, um elemento decisivo da economia política da nossa desvalorização interna.» [João Rodrigues, 14:VIII:2012, Ladrões de Bicicletas, blog]







Chefe da missão do FMI na Islândia diz que o país é um exemplo para as nações em dificuldades. Forte recuperação da economia islandesa tem lições a dar aos países resgatados. De acordo com o chefe da missão do Fundo Monetário Internacional (FMI) [CLICAR AQUI] na Islândia, o país tem lições importantes a dar aos países que estão a ser submetidos a programas de resgate financeiro, uma vez que, no seu caso, o programa de ajuda resultou numa recuperação “surpreendentemente” forte e consistente.

O comprometimento da Islândia com o seu programa, a decisão de imputar as perdas aos obrigacionistas e não aos contribuintes, de manter blindado o sistema social e de protecção aos desempregados, ajudou a impulsionar a nação do colapso para a recuperação, segundo o FMI.

“A Islândia atingiu grandes metas desde a crise”, afirmou em entrevista Daria Zahkarova, chefe da missão do FMI para a Islândia, citada pela Bloomberg. “Temos uma perspectiva muito positiva de crescimento, especialmente para este ano e para o próximo”.

A Islândia recusou-se a proteger os credores dos bancos, quando estes passaram por uma grave crise em 2008, e as suas dívidas dispararam para um valor que corresponde a dez vezes o tamanho da economia.

A subsequente decisão de evitar a saída de capital, restringindo a moeda, permitiu ao governo da Islândia evitar os ataques especulativos e “estancar a hemorragia” que pesava sobre a economia do país. Por seu turno, isso ajudou as autoridades a focarem-se no apoio às famílias e às empresas.

“O facto de a Islândia ter conseguido manter um sistema de bem-estar social face a uma consolidação fiscal muito significativa é um dos maiores feitos do governo da Islândia”, referiu Zakharova.

13 Agosto 2012.
‘Negócios_on line’



 

«ESTADO INEFICAZ» - o martelo ideológico

Do empobrecimento do Estado

(clicar para ampliar)


Persiste na opinião pública um conjunto de ideias-feitas sobre o Estado: que gasta mais do que ganha, que é ineficiente por natureza ou que consome os recursos da economia (como se os serviços que presta não fossem também eles economia e «alavancadores» - como agora se diz - da economia).

A sobrevivência e persistência destas ideias muito deve não só ao simplismo das formulações que as veiculam (embebidas num moralismo populista tão eficaz quanto fraudulento), como à desinformação (por ausência de atenção) em relação a processos continuados de empobrecimento deliberado do Estado.

Não é possível, de facto, perceber a actual situação das finanças públicas sem dar conta destes processos. Estamos a falar, entre outras coisas, do historial trágico de privatizações de sectores relevantes e lucrativos para o Estado, ou da concessão de benefícios e isenções fiscais que aprofundam iniquidades, ao mesmo tempo que depauperam as receitas públicas.

No tempo recente, devem ainda somar-se a estes processos os impactos económicos e orçamentais - sobre as economias do sul - da sangria provocada por um euro desenhado para os países do norte europeu e o modelo de financeirização da economia seguido nas últimas décadas.

João Ramos de Almeida, num artigo do Público [6:VIII:2012] de ontem que merece ser (clicar aqui) lido na íntegra , dá conta de uma das dimensões deste processo de empobrecimento do Estado.

De acordo com os cálculos efectuados, entre 1990 e 2010, «o montante dos resultados contabilísticos positivos das empresas multiplicou-se por 13, enquanto a receita de IRC apenas triplicou». Ou seja, se «em 1990 o IRC liquidado pelo Estado representava 27% dos resultados contabilísticos positivos declarados pelas empresas», passados «20 anos o IRC pesou já só 6% desses resultados», o valor mais baixo da série apurada (ver gráfico acima).

A perda de receitas gerada por esta via deve-se essencialmente a sucessivas reduções da taxa de IRC, sobretudo através da alteração da base de tributação aplicada às empresas (metade dos resultados contabilísticos deixou de ser tributado) e à diversificação das rubricas de dedução à colecta.

Por sectores, em 2010 foi a banca a conseguir a maior redução de taxa efectiva. [que menos taxa de IRC pagou]


Desconfiem portanto quando ouvirem dizer que o Estado social é desmesurado e insustentável, face à capacidade financeira do Estado.


Nuno Serra
Ladrões de Bicicletas, blog
07:VIII:2012




RSI: AS MIGALHAS DA MESA DOS BANCOS

RSI: MITOS  E REALIDADES
em 2011

(clicar para ampliar)


Clicar, para ampliar, nesta excelente infografia de Nuno Oliveira (via facebook), que reúne e analisa dados relativos ao Rendimento Social de Inserção (RSI) e que arrasa a propaganda populista e demagógica que desde há muito envenena a opinião pública.

De acordo com os dados, relativos a 2009 e 2010 (hoje a situação será bem pior, em virtude dos sucessivos cortes posteriores), o RSI abrange apenas 18% da população a viver abaixo do limiar de pobreza (e 4% no total da população), representando um encargo para o orçamento da Segurança Social que não vai além dos 2,5% (bem inferior aos 30% relativos às dívidas das empresas).

E a famosa fraude, que o discurso populista tenta colar a esta prestação, é estimada em apenas 3% (casos de cessação devida a «falsas declarações»), valor que tem vindo a diminuir, uma vez que o RSI é o programa mais ferozmente fiscalizado pela Segurança Social.

Adenda: A tripla tenaz da austeridade (corte nos rendimentos, aumento de impostos e tarifas e restrições no acesso a serviços públicos), para além do aumento galopante do desemprego (de 10,1% no final de 2009 para 12,4% em Setembro de 2011), elevaram certamente o número de portugueses a viver abaixo do limiar de pobreza (isto é, com menos de 360€ por mês). Mas mantendo os cálculos, por defeito, para esse valor, e considerando que em Setembro de 2011 o número de beneficiários do RSI caiu para cerca de 340 mil, o seu peso na população a viver abaixo do limiar de pobreza passa a ser de 17%

Nuno Serra
Ladrões de Bicicletas, blog
30:XII:2011



«um bodo aos pobres»…

BANCA PAGOU MENOS 63% DE IRC EM 2010
 

BANCA PAGA METADE DE IRC DAS EMPRESAS


14 de agosto de 2012

RSI - UM ÓDIO AOS POBRES

Os pobres e os desempregados
que se lixem


(clicar para ampliar)



No primeiro trimestre de 2012 entraram na Segurança Social, em média, 12 mil processos de RSI por mês. Em 2011 esse valor situou-se em cerca de 8 mil processos mensais e, no último trimestre desse ano, em 9 mil. Nada que surpreenda: por um lado, as «políticas activas de desemprego» levadas a cabo pela actual maioria PSD/PP geraram, em apenas um ano, 140 mil novos desempregados; por outro, com a degradação das condições de acesso ao subsídio de desemprego (em prazos e montantes), o número de desempregados que perderam o direito a esta prestação aumentou sem cessar (de cerca de 404 mil para 473 mil entre Junho de 2011 e Junho de 2012). Sendo mais do que previsível, o acréscimo de processos de RSI entrados não se traduziu, contudo, num aumento proporcional do número de beneficiários desta prestação (apenas cerca de mais 15 mil, no mesmo período). Comprometido com cortes substanciais nas despesas sociais, Pedro Mota Soares viu-se pois a braços com a necessidade de conter os encargos orçamentais com o RSI, prestação a que a direita dedica um ódio particular.

Em vez de reconhecer o que seria expectável, para quem defende a (clicar AQUI) «ética social na austeridade», isto é, o reforço financeiro da medida dado o aumento de cidadãos em situação económica que os deveria tornar elegíveis para a receber, Pedro Mota Soares decide fazer o contrário: aperta ainda mais as regras de acesso e fiscalização da prestação, esforçando-se assim - tanto quanto pode - para manter a imagem (e o estigma) de que o RSI é um puro «subsídio à preguiça» e fonte inesgotável de «fraudes e abusos». Os dados, porém, desmentem sistematicamente esta (clicar AQUI) « deliberada mistificação » .

Se olharmos para o relatório mais recente da CNRSI, de Junho de 2011 (isto é, anterior ao reforço do cerco persecutório e populista montado aos beneficiários do RSI pelo actual governo), verificamos que dos 642 mil processos entrados e avaliados no primeiro semestre de 2011, cerca de 40% foram indeferidos ou arquivados (o que demonstra que o crivo é, logo à partida, muito relevante).

Mas mais interessante ainda é constatar os motivos de cessação da prestação no mesmo período:

- a maior parte ocorre por alteração dos rendimentos (52%) e restrição dos critérios de acesso (12%), representando as situações de provável «fraude e abuso» (incumprimento do programa de inserção, falsas declarações, falta à convocatória do IEFP, recusa do plano pessoal de emprego ou posse de património mobiliário superior ao limite) apenas 10% do total de processos cessados (clicar no gráfico para ampliar).







Não, nem o RSI é um alfobre de «fraudes e abusos» nem o governo se pauta por qualquer espécie de «ética social na austeridade».

Mas sim, e apenas, por uma repugnante e inesgotável miséria moral.
Adenda: Se ponderarmos o número médio mensal de cessações fundamentadas em casos de «fraude e abuso» (incumprimento do programa de inserção, falsas declarações, falta à convocatória do IEFP, recusa do plano pessoal de emprego ou posse de património mobiliário superior ao limite) pela média mensal de famílias beneficiárias de RSI no primeiro semestre de 2011, constatamos que o peso percentual das referidas «fraudes e abusos» se restringe a uns residuais 3% (o que desautoriza - de forma inequívoca - a sanha persecutória do ministro Mota Soares).

Nuno Serra
Ladrões de Bicicletas, blog
09:VIII:2912




GOVERNO PSD-CDS/PP:

«O Governo tem como objectivo "manter uma ética social na austeridade" e isso implica, segundo o ministro da Solidariedade, "tomar um conjunto de medidas como o aumento das pensões mínimas, sociais e rurais que está previsto que aconteça no próximo ano, ao contrário do que aconteceu no passado", contemplando cerca de um milhão de portugueses.» [17:X:2011, Pedro Mota Soares, “I Convenção Anual da Plataforma Europeia Contra a Pobreza e a Exclusão Social”, EU, Cracóvia]


Papa JOÃO PAULO II:

Laborem Exercens (1981), nº 12: prioridade do trabalho sobre o capital.

Liberdade cristã e libertação – Instrução da Congregação da Doutrina da Fé (1986):

«(…) a solução para a maior parte dos gravíssimos problemas da miséria encontra-se na promoção duma verdadeira civilização do trabalho. De certa maneira, o trabalho é a chave de toda a questão social». «a relação entre a pessoa humana e o trabalho é radical e vital» (nº 83).

«(…) todo o homem tem direito a um trabalho que deve ser reconhecido na prática por um esforço efectivo que vise resolver o dramático problema do desemprego. O facto de este manter numa situação de marginalidade amplos sectores da população e principalmente da juventude é algo intolerável. Por isso, a criação de postos de trabalho é uma tarefa social primordial que deve dizer respeito aos indivíduos, à iniciativa privada e igualmente ao Estado (…)». (nº 85)

 “Centesimus annus” (1991), c. 5:

“Os mecanismos do mercado (…) são portadores do risco da «idolatria» do mercado, já que ignoram a existência de bens que, pela sua natureza, não são nem podem ser simples mercadorias”. (nº 40)
“A primeira incumbência do Estado é (…) que quem trabalha e produz possa gozar dos frutos do seu trabalho (…). O Estado tem o dever de secundar a actividade das empresas criando condições que assegurem oportunidades de trabalho, estimulando onde elas sejam insuficientes ou sustentando-as em momentos de crise.” (nº 48)

Aos Bispos do Peru (Roma, 1984):

“(…) conheceis sem dúvida de perto a tragédia do homem concreto do campo e das cidades(…). Quanto mais dura é a situação mais inadmissíveis são as atitudes dos sistemas que se inspiram em princípios de pura utilidade económica para benefício de sectores privilegiados”. (…) “É por isso necessário que todos os pastores da Igreja do Peru (…) trabalhem seriamente (…) na causa da justiça e da defesa do pobre” (…) “a Igreja quer manter a sua opção preferencial por estes”.


Na Missa, em Santo Domingo (Peru, 1984):

Deus “é o Deus de todos, contudo outorga a sua misericórdia inicial aos deserdados deste mundo”. (nº 5)


AMARTYA SEN:

«Há aqui seguramente lições a tirar de John Maynard Keynes, que compreendeu que o Estado e o mercado são interdependentes. Mas Keynes tinha pouco a dizer sobre justiça social, incluindo os compromissos políticos com que a Europa emergiu depois da Segunda Grande Guerra. Foi isso que conduziu ao nascimento do moderno Estado Providência e dos sistemas nacionais de saúde - não para sustentar uma economia de mercado, mas sim para proteger o bem-estar humano.

Embora Keynes não se tivesse envolvido profundamente com estas questões sociais há, na Economia, uma velha tradição, a que combina mercados eficientes com provisão pública de serviços que o mercado não é capaz de assegurar.

Como Adam Smith (tantas vezes simplisticamente encarado como o primeiro guru da livre economia de mercado) escreveu, na «Riqueza das Nações», há «dois objectos distintos» numa economia:

a)   «primeiro, garantir recursos abundantes ou de subsistência para as pessoas, isto é, mais precisamente, que lhes permitam assegurar um rendimento ou uma forma de subsistência para elas próprias;
b)  e, em segundo lugar, dotar o Estado ou a comunidade com uma receita suficiente para serviços públicos.»

Nuno Serra, in: «A ESTANTE DOS PASSOS PERDIDOS»



SNS - vale tudo...

ISABEL VAZ e a IVG

Eng.ª Isabel Vaz, BES-SAÚDE


«está na altura de nos deixarmos de conversa fiadae irmos muito mais além da troika!» [Eng.ª Isabel Vaz]



A Eng.ª Isabel Vaz ganhou o prémio «Mulheres de Negócios_Máxima 2011».


A Eng.ª Isabel Vaz afirmou à RTP (não sem se engasgar…) que a saúde é «talvez uma das maiores áreas de negócio a nível mundial; diria que melhor que o negócio da saúde só mesmo a indústria do armamento». Comparou a Saúde com a indústria da Guerra: há nesta comparação ALGUMA VERDADE. Mas, não lhe foi fácil: acabou por confessar TODA A VERDADE, sim, mas sob a forma de uma engasgadela…


A Eng.ª Isabel Vaz, presidente da comissão executiva do BES-Saúde, foi convidada pela Igreja Católica (Pastoral da Saúde) para ir a Fátima falar no âmbito de "Cuidados de Saúde, Lugares de Esperança (A Saúde em Portugal)".

Em Fátima, referindo-se ao novo Hospital de Loures, que é público (do Estado) mas que a BES-Saúde está a gerir sob a forma de PPP, a Eng.ª Isabel Vaz disse (o JN noticiou, 02:V:2012):

«"Tivemos mais consultas de interrupção voluntária da gravidez do que de obstetrícia" para terem filhos, afirmou Isabel Vaz. "E algumas das pessoas a repetirem segunda e terceira vez", sublinhou a responsável, em Fátima, durante a sua intervenção no XXIV Encontro Nacional da Pastoral Social (sic).

«Os números dizem respeito a março e são os primeiros dados desde a Espírito Santo Saúdo que iniciou a gestão do hospital, em fevereiro.

«"Isto não tem nada a ver com ser ou não católico", destacou a responsável da entidade do Grupo Espírito Santo, lembrando que "a cobertura universal dos cuidados de saúde não é possível".

«Isabel Vaz sustentou que uma das "discussões sérias que tem que ser feita" é "sobre o que deve ser de facto pago por todos nós", porque "não há dinheiro para pagar tudo". Ou seja, "há que fazer escolhas", defendeu.

«A responsável explicou que "não vale a pena fazer declarações de amor ao Serviço Nacional de Saúde (SNS)". O que é imperioso, sustentou, é "gerir melhor".» [Jornal de Notícias, 02 Maio 2012, link em baixo]




A notícia dá a entender que houve, na intervenção da Eng.ª Isabel Vaz durante o encontro nacional organizado pela Pastoral da Saúde, referência a conteúdos que costumam ser enquadrados no âmbito das questões da Vida, nomeadamente, a questão da interrupção da gravidez. A notícia leva o leitor a pensar que a Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), na prática, é uma questão muitíssimo grave: induz a pensar que se aborta mais do que se dá à luz… Se a reprodução do conteúdo das palavras da Eng.ª Isabel Vaz é exacta e se a inferência o for também, estamos perante uma situação gravíssima, tendo a Igreja Católica razões demasiado sérias para se preocupar − a Igreja Católica e todo o país…

Se consultarmos os dados da Direcção Geral de Saúde (ver também o relatório da UMAR[1]), verificamos que a Eng.ª Isabel Vaz tem um tipo de leitura típica do ‘homem da rua’: a partir duma amostragem casual transpõe para a realidade nacional. O conteúdo da notícia (e igualmente os links abaixo)  revela-nos uma Eng.ª Isabel Vaz imbuída de ideologia neo-liberal, preconceituosa, desprovida da competência técnica mínima exigível. Que credibilidade merece tal gestora? Terá havido lugar ao contraditório, em Fátima?

Quem convidou esta gestora para ir falar a Fátima? Com que critério foi seleccionada? Como cristã ou como mais um(a) gestor(a) ligada(o) à banca? Que voz foi dada às associações de utentes do SNS? Sobre estas perguntas, na verdade, o jornal não nos fornece elementos - destaca, apenas, a figura da BES-Saúde. A hierarquia da Igreja Católica, sobretudo nos lugares mais altos da pirâmide, é regra geral ocupada por pessoas muito próximas do poder secular. Sendo assim é compreensível que se privilegie o convite a quem esteja no mesmo comprimento de onda: banqueiros, intelectuais, gestores, políticos, artistas que se revelam do mainstream, do campo do tradicional e do reprodutível pela maioria dominante. A Concordata, afinal de contas, é um acordo: é sempre mais agradável ‘mandar vir’ daquilo de que se gosta e que não incomode demasiado. Às vezes, a regra é quebrada, mas só muito às vezes – não foi o caso, desta feita, com a Eng.ª Isabel Vaz.

Quem diz que a «cobertura universal dos cuidados de saúde não é possível» e que a Saúde é um «negócio» − negócio só comparável à mais que iníqua indústria do armamento − em que «lugares de esperança» e para quem está a pensar quando em Fátima é convidada para falar a cristãos?

O que é que o evangelho de Jesus tem a dizer aos «lugares de esperança» promovidos pelo Banco Espírito Santo_Saúde?

Esta é, na actualidade da vida dos cristãos, talvez a «Questão da Vida» moralmente mais importante: a Saúde como um valor da lei natural, carrefour de todas as condições prévias a qualquer discurso sobre ética universal, base do «valor incomparável da pessoa humana», do «EVANGELIUM VITAE».

As ‘preocupações sociais’ começam com o básico: ter saúde de bom nível e acessível para todos, ter casa para todos, ter trabalho para todos e ter um país solidário, antes de tudo com os mais desprotegidos ou com quem de repente se viu lançado para o esgoto social por uma governação parcial, cega, «corrupta» (D. Januário Torgal Ferreira, bispo) e criminosa.

Outros links:

Entrevista:


SIC – DEBATE «FINANCIAMENTO DO SNS»


SNS NA AMÉRICA: A SAÚDE «PÚBLICA» É MELHOR
«Goverment Health Care is THE BEST HEALTH CARE MONEY CAN BUY!»




13 de agosto de 2012

IVG's E OS NEGÓCIOS

Interrupção Voluntária de Gravidez
uma análise sem preconceitos



Quando ideologias profundamente conservadoras e princípios economicistas tolhem uma análise séria dos dados e procuram descarada e novamente colocar o direito à saúde sexual e reprodutiva das mulheres sob a tutela de outrem

«Na passada quinta-feira, 3 de Maio, a Direcção-Geral da Saúde (DGS) deu a conhecer dois relatórios sobre os registos das Interrupções da Gravidez (IG) ao abrigo da Lei 16/2007 de 17 de Abril - um com dados referentes ao período de Janeiro a Dezembro de 2011 e outro com dados referentes ao período de Janeiro a Dezembro de 2010 (edição revista em Março de 2012).

«Estes relatórios permitem fazer as seguintes reflexões (…)»



Aqui pode descarregar o texto integral do relatório da UMAR



A SAÚDE É O NEGÓCIO...

Saúde Privada: Melhor e mais barata?



O discurso dos liberais para a privatização da Saúde assenta em dois argumentos: os privados fornecem um serviço melhor e mais barato para estado e utentes. É verdade?

Este é um debate muito útil para perceber melhor o que se está a passar nos Estados Unidos e os esforços que na Europa estão a ser conduzidos para nos aproximarmos desse modelo no sentido da concessão a ou financiamento de serviços de saúde privados, elegantemente descritas como "liberdade de escolha".

O que é interessante é que, no momento em que a completa falência do modelo de saúde nos Estados Unidos está a aumentar a pressão para uma mudança de paradigma no sentido do modelo europeu, haja quem na Europa pressione para que se faça o movimento contrário.

Vamos primeiro aos factos:

1. É pura e simplesmente falso que a saúde privada seja melhor. O modelo dos Estados Unidos assente nas seguradoras produziu resultados esclarecedores: Os Estados Unidos estão em 37º no Ranking da Organização Mundial de Saúde (ONU), antes da Eslovénia e logo a seguir à Costa Rica. Só para dar uma ideia: o primeiro país é a França e Portugal está em 12º.

2. É pura e simplesmente falso que saia mais barata [dados da OCDE].

3. É inclusive falso que saia mais cara ao próprio Estado. Embora os Estados Unidos gastem muito menos em percentagem da despesa total com saúde e os utentes (os que podem) paguem incomensuravelmente mais, os EUA são o 3º país do Mundo, mesmo considerando apenas os gastos do Estado [dados da OCDE outra vez].

4. Acresce que a despesa pública com saúde é paga com impostos que não são apenas os dos utentes. É financiado também pelos impostos sobre os rendimentos do capital, numa lógica solidária que é a razão de ser do Estado Social e o pilar da sua viabilidade.

Não admira, portanto, que os liberais se refugiem no discurso da Liberdade de Escolha. É mesmo o único que têm.

E é dirigido para seduzir aqueles que podem escolher.

Para que o Estado suporte um serviço de saúde de pior qualidade e muito mais caro em vez de o assegurar directamente, com vantagens de custo e de qualidade.

As concessões a privados, os benefícios fiscais a privados em cuidados de saúde que existem no Público, a inexistência de cuidados de saúde no público (saúde oral, p. ex.), são buracos abertos no Serviço Nacional de Saúde que vão corroendo a sua universalidade, qualidade e viabilidade.

Com pezinhos de lã, como convém a uma política tão gritantemente contrária ao interesse público. A área de Saúde é uma das áreas em que os liberais têm de ter mais cuidado para não dizerem o que realmente querem. Senão, acontece-lhes o que aconteceu a William Kristol... [VER VÍDEO EM BAIXO]

Ladrões de Bicicletas, blog
12 ABRIL 2010


 
SNS NA AMÉRICA:
«Goverment Health Care is THE BEST HEALTH CARE MONEY CAN BUY!»