teologia para leigos

10 de fevereiro de 2012

JESUS, DOUTOR OU LIBERTADOR?

Manter viva a consciência da missão! (Mc 1, 40-45)

Ninguém liberta ninguém organizando Colóquios, Editando livros, distribuindo migalhas de caridade, ter afã por Espaços de Oração. Impõem-se duas coisas: mudar-se de ‘armas e bagagens’ para o lado dos excluídos & ter uma leitura estrutural correcta das causas da pobreza!

Tudo mais é espiritualismo, cristianismo desencarnado ou desculpas… Esse nunca foi o jeito de Jesus! Os ‘excluídos’ são o único critério de salvação para Jesus.






NÃO VOLTAR ATRÁS NO ANÚNCIO DA BOA NOVA
MANTER VIVA A CONSCIÊNCIA DA MISSÃO


 
Nos versículos 16 a 45 do primeiro capítulo, Marcos descreve o objectivo da Boa Nova e a missão da comunidade, apresentando oito critérios para as comunidades do seu tempo poderem avaliar a sua missão. Tanto nos anos 70, época em que Marcos escreveu, como hoje, época em que nós vivemos, era e continua sendo importante ter diante de nós modelos de como viver e anunciar o Evangelho e de como avaliar a nossa missão.



COMENTANDO


Mc 1, 40-42: Acolhendo e curando o leproso, Jesus revela um novo rosto de Deus


Um leproso chega perto de Jesus. Era um excluído. Devia viver afastado. [Levítico 13:31;33.43-46] Quem tocasse nele ficava impuro também! Mas aquele leproso teve muita coragem. Transgrediu as normas da religião para poder chegar perto de Jesus. Ele diz: "Se queres, podes curar-me!" Ou seja: "Não precisa tocar-me! Basta o senhor querer para eu ficar curado!" A frase revela duas doenças: 1) a doença da lepra que o tornava impuro; 2) a doença da solidão a que era condenado pela sociedade e pela religião. Revela também a grande fé do homem no poder de Jesus. Profundamente compadecido, Jesus cura as duas doenças. Primeiro, para curar a solidão, toca no leproso. É como se dissesse: "Para mim, você não é um excluído. Eu o acolho como irmão!" Em seguida, cura a lepra dizendo: "Quero! Seja curado!" O leproso, para poder entrar em contacto com Jesus, tinha transgredido as normas da lei. Da mesma forma, Jesus, para poder ajudar aquele excluído e, assim, revelar um rosto novo de Deus, transgride as normas da sua religião e toca no leproso. Naquele tempo, quem tocava num leproso tornava-se um impuro perante as autoridades religiosas e perante a lei da época.

[libertar é mudar de território, passar dos Pinhais da Foz para o Aleixo… é tocar a exclusão mesmo!]


Mc 1, 43-44: Reintegrar os excluídos na convivência fraterna


Jesus não só cura, mas também quer que a pessoa curada possa conviver. Reintegra a pessoa na convivência. Naquele tempo, para um leproso ser novamente acolhido na comunidade, ele precisava ter um atestado de cura assinado por um sacerdote. É como hoje. O doente só sai do hospital com o documento assinado pelo médico de plantão. Jesus obrigou o fulano a buscar o documento, para que ele pudesse conviver normalmente. Obrigou as autoridades a reconhecer que o homem tinha sido curado.

[Jesus obrigou as autoridades a reintegrar o excluído com todos os direitos dos incluídos…]



Mc 1, 45: O leproso anuncia o bem que Jesus fez e ele e Jesus se tornam excluídos


Jesus tinha proibido o leproso de falar sobre a cura. Mas não adiantou. O leproso, assim que partiu, começou a divulgar a notícia, de modo que Jesus já não podia entrar publicamente numa cidade. Permanecia fora, em lugares desertos. Por quê? É que Jesus tinha tocado no leproso. Por isso, na opinião da religião daquele tempo, agora ele mesmo era um impuro e devia viver afastado de todos. Já não podia entrar nas cidades. Mas Marcos mostra que o povo pouco se importava com estas normas oficiais, pois de toda a parte vinham a ele! Subversão total!

O duplo recado que Marcos dá às comunidades do seu tempo e a todos nós e este: 1) anunciar a Boa Nova é dar testemunho da experiência concreta que se tem de Jesus. O leproso, o que ele anuncia? Ele conta aos outros o bem que Jesus lhe fez. Só isso! Tudo isso! E é este testemunho que leva os outros a aceitar a Boa Nova de Deus que Jesus nos trouxe. 2) Para levar a Boa Nova de Deus ao povo, não se deve ter medo de transgredir normas religiosas que são contrárias ao projecto de Deus e que dificultam a comunicação, o diálogo e a vivência do amor. Mesmo que isso traga dificuldades para a gente, como trouxe para Jesus.

[libertar é correr o risco de não ser mais ouvido pelo Poder dominante, de ficar de fora rotulado de incómodo…]




ALARGANDO

O Anúncio da Boa Nova de Deus feito por Jesus


A prisão de João fez Jesus regressar à sua terra natal e iniciar o anúncio da Boa Nova.

Foi um início explosivo e criativo!

Jesus percorre a Galiléia toda: as aldeias, os povoados, as cidades (Mc 1,39). Visita as comunidades. Ele muda de residência, e vai morar em Cafarnaum (Mc 1,21; 2,1), cidade que fica no entroncamento de estradas, o que facilita a divulgação da mensagem. Ele quase não pára. Está sempre andando. Os discípulos e as discípulas com ele, por todo canto. Na praia, na estrada, na montanha, no deserto, no barco, nas sinagogas, nas casas. Muito entusiasmo!

Jesus ajuda o povo prestando serviço de muitas maneiras: expulsa maus espíritos (Mc 1,39), cura os doentes e os maltratados (Mc 1,34), purifica quem está excluído por causa da impureza (Mc 1,40-45), acolhe os marginalizados e confraterniza com eles (Mc 2,15). Anuncia, chama e convoca. Atrai, consola e ajuda. É uma paixão que se revela. Paixão pelo Pai e pelo povo pobre e abandonado da sua terra. Onde encontra gente para escutá-lo, ele fala e transmite a Boa Nova de Deus. Em qualquer lugar.

Em Jesus, tudo é revelação daquilo que o anima por dentro! Ele não só anuncia a Boa Nova do Reino. Ele mesmo é uma amostra, um testemunho vivo do Reino de Deus. Nele aparece aquilo que acontece quando um ser humano deixa Deus reinar, tomar conta de sua vida. Pelo seu jeito de conviver e de agir, Jesus revelava o que Deus tinha em mente quando chamou o povo no tempo de Abraão e de Moisés. Jesus desenterrou uma saudade e transformou-a em esperança! De repente, ficou claro para o povo: "Era isso que Deus queria quando nos chamou para ser o seu povo!

Este foi o começo do anúncio da Boa Nova do Reino que se divulgada rapidamente pelas aldeias da Galiléia. Começou pequena como uma semente, mas foi crescendo até tornar-se árvores grande, onde o povo todo procurava um abrigo (Mc 4,31-32). O próprio povo se encarregava de divulgar a notícia.

O povo da Galileia ficava impressionado com o jeito que Jesus tinha de ensinar. "Um novo ensinamento! Dado com autoridade! Diferente dos escribas!" (Mc 1,22.27). Ensinar era o que Jesus mais fazia (Mc 2,13; 4,1-2; 6,34). Era o costume dele (Mc 10,1). Por mais de 15 vezes o Evangelho de Marcos diz que Jesus ensinava. Mas Marcos quase nunca diz o que ele ensinava. Será que não se interessava pelo conteúdo?

Depende do que a gente entende por conteúdo! Ensinar não é só uma questão de ensinar verdades novas para o povo decorar. O conteúdo que Jesus tem para dar transparece não só nas palavras, mas também nos gestos e no próprio jeito de ele se relacionar com as pessoas. O conteúdo nunca está desligado da pessoa que o comunica. Jesus era uma pessoa acolhedora (Mc 6,34). Queria bem ao povo. A bondade e o amor que transparecem nas suas palavras fazem parte do conteúdo. São o seu tempero. Conteúdo bom [doutrina] sem bondade [gestos] é como leite derramado.

Marcos define o conteúdo do ensinamento de Jesus como "Boa Nova de Deus" (Mc 1,14). A Boa Nova que Jesus proclama vem de Deus e revela algo sobre Deus. Em tudo que Jesus diz e faz, transparecem os traços do rosto de Deus. Transparece a experiência que ele mesmo tem de Deus como Pai. Revelar Deus como Pai é fonte, conteúdo e destino da Boa Nova de Jesus.


Carlos Mesters e Mercedes Lopes


9 de fevereiro de 2012

TEOLOGIA FEMININA 1/2



Teologia feminista

1/2

«Quem dizem as mulheres que Eu sou?»
 
Introdução

A teologia feminista é um tema recente. Desde os seus começos que busca inter-relacionar os seguintes aspectos: a Experiência de Vida das mulheres (tanto a vida própria delas como a vida das suas companheiras, sobretudo em meios populares) com a Experiência de Deus vivida e experimentada de uma maneira distinta, próxima e relacional, experimentada no quotidiano, pois Deus está do lado dos mais débeis, a quem protege e infunde coragem e esperança. (…)

Ao observar a imagem tradicional de Deus, a teologia feminista descobriu uma relação directa entre a imagem exclusivamente masculina de Deus e a opressão estrutural das mulheres. Neste sentido, é complicado aceitar e aplicar essa cristologia às mulheres, porque Jesus Cristo é indiscutivelmente um homem que é apresentado como Salvador e o único mediador entre a humanidade e o Pai.

Uma cristologia feminista tem como tarefa explicar o que significa, para as mulheres, ser Salvador e Mediador. A teologia feminista também tem que criar modelos cristológicos adequados aos nossos dias. A hermenêutica propõe-nos que leiamos um texto não como um relato ‘acabado’ que fizesse referência a um passado longínquo, mas como algo relacionado com a história actual da nossa comunidade. [S. Croatto, Hermenêutica Bíblica, Sinodal, São Leopoldo 1985, p.36]


Teologia Feminista – algumas chaves de leitura

A Teologia desenvolvida por mulheres na América Latina tem a sua fonte na «Teologia da Libertação». [A.M.Tepedino, ‘Mulher e Teologia na América Latina, perspectiva histórica’, in A.M. Bidelgáin, Mulheres, Autonomia e Controlo Religioso na América Latina, Cheila, Vozes, S. Paulo - Petrópolis 1996, pp.197-220; cf. também María Pilar Aquino, ‘Nuestro Clamor por la Vida’, Dei, Sanbanilla (San José – Costa Rica)]

Alguns pontos comuns entre ambas as teologias:

a)   A experiência de vida como ponto de partida. Quer as teólogas dos EUA e da Europa, quer as da América Latina acreditam que esta é uma questão central. A experiência das mulheres é o resultado da sua vida quotidiana, de uma série de acontecimentos, de sentimentos e lutas que são partilhadas por nós, mulheres, nas circunstâncias concretas onde se vive. Apesar de existirem muitos pontos em comum, a experiência de vida das mulheres não é monolítica. Muda segundo a raça, a classe social e a cultura. Essas diferenças notam-se nas diferentes perspectivas das nossas reflexões. A forma de opressão que afecta as mulheres é bem diferente. Há um tipo de opressão que afecta às mulheres de raça branca, classe média, com emprego fixo e com estudos universitários. Há um outro tipo de opressão que atinge mulheres pobres, especialmente se são de cor negra, mestiças ou indígenas, sem estudos, trabalhando a tempo parcial ou em economia clandestina. Ora, trata-se de «partir do nosso ser e do nosso fazer, do nosso olhar e do nosso sentir, do nosso falar e do nosso calar». [I. Gebara, ‘La mujer hace teologia. Ensaio para la reflexión’, in M.P. Aquino, Aportes para una teologia desde la mujer, Bíblia y Fé, Madrid 1988, p.10] Partimos da própria busca existencial da identidade. A identidade outorgada pela sociedade patriarcal não corresponde à experiência que possuímos. [cf. A.M. Tepedino, ‘A Mulher: aquela que começa a desconhecer seu lugar’, in Perspectivas Teológicas, 17 (1985), pp. 375-379] Há muito que não nos reconhecemos no estereótipo de seres irracionais, emocionais, meladas, débeis, subjectivas e exclusivamente domésticas. A ‘experiência’ é o contexto do nosso trabalho teológico. Pelo que, antes de começar a raciocinar sobre Deus, sobre Jesus Cristo, sobre a Igreja, necessitamos de ter a oportunidade de nos nomearmos a nós mesmas e nomear as nossas experiências para que as nossas reflexões teológicas, cristológicas e eclesiais possam ser autenticamente nossas. [M.P. Aquino, La Iglesia y la mujer en América Latina, Indo-American, Bogotá 1994] O discurso teológico realizado pelos homens sempre pretendeu ser universal na medida em que a sua tentação sempre foi a de identificar a linguagem masculina como universal. (…)

Na América Latina, a teologia feminista está ligada, desde os começos, à luta maior dos pobres e dos oprimidos pela vida. Ela concentrou os seus esforços na luta em que as condições sociais e pessoais se interligavam e se completavam entre si. Concebemos o problema da ‘classe social’ a partir duma prática social, precisamente aí onde nos encontramos com muitas dificuldades e barreiras. É a partir de aí que levantamos questões relacionadas com a situação pessoal e familiar. E, como somos seres crentes comprometidos nas comunidades, interrogamo-nos sobre a nossa situação eclesial. É aqui onde se cruzam duas direcções: a classe e o sexo. A questão da ‘raça’ surge quando nos damos conta que as mulheres negras sofrem por ser mulheres, por ser pobres e por serem negras. Ou seja, sofrem uma tripla opressão: de género, de classe e de raça.

Neste momento, é necessário que a Teologia da Libertação abra uma chaveta para investigar acerca da opressão, quer de género, quer cultural. A princípio privilegiou-se a questão económica e social, mas, agora, os pobres – objecto da Teologia da Libertação – não só começam a ter rostos, mas também corpos, histórias distintas, vozes e reflexões diferentes. (…)

b)   Outro ponto comum é a interdisciplinariedade. Procura-se a mediação analítica das ciências humanas e sociais como colaboração para compreender melhor a problemática. A princípio, foi a sociologia, a antropologia, a psicologia e a história. A seguir veio a economia e a filosofia. Todos estes ramos do conhecimento oferecem-nos dados para melhor compreender o patriarcalismo. Ajudam-nos, também, a superá-los.


Teologia patriarcal

A leitura que, após o nascimento do cristianismo, se fez dos capítulos 2 e 3 do Génesis, já sob a influência da filosofia grega, desembocou na sub-valorização e desvalorização das mulheres.

Apresentam-se, as mulheres, criadas depois do homem ter sido criado. Foram elas quem cometeu o primeiro pecado e foram elas que fizeram os homens pecar. Ainda que não tenha sido essa a intenção do autor dos textos bíblicos, tal interpretação deles − numa linha patriarcal e sexista − provocou a marginalização das mulheres dentro das Igrejas cristãs e também na sociedade «cristã ocidental».

«A teologia patriarcal acentuava a maior propensão [da mulher] para o pecado e a sua menor espiritualidade. Como ‘produto inferior’, a mulher nunca poderá representar a imagem de Deus como o homem o pode, sendo o homem considerado o representante da parte racional do ‘eu’» [R. Ruether, ‘Sexismo e religión’, São Leopoldo, 1993, p.84] «Neste sentido, a ideologia da subjugação das mulheres é reflexo da sua natureza inferior, castigo pela sua responsabilidade no ‘pecado’ [‘original’]». [ibidem]

Santo Agostinho e S. Tomás de Aquino são os ilustres responsáveis deste tipo de antropologia.

Santo Agostinho admite que, ainda que a mulher possa ser redimida e vir a participar da «imagem de Deus», tal facto será sempre prejudicado pela representação corporal de um eu inferior propenso ao pecado. Considera a mulher como imagem secundária de Deus. O homem representa, de forma normativa, a imagem de Deus. Os homens possuem faculdades racionais superiores. As mulheres têm menos capacidades racionais e menor controlo moral. Faz parte da natureza da boa ordem, que os superiores rejam os inferiores. Aqueles autores acreditam que a hierarquização das classes e a escravatura são necessárias para que exista ordem social. Consideram a hierarquia consequência do «pecado» [‘original’ – Génesis 2 e 3]. Concluem que a hierarquia homem-mulher não é só consequência do ‘pecado original’: ela faz parte da ordem natural criada por Deus. [R. Ruether, ibidem]

S. Tomás vai mais longe com este tipo de pensamento e chega até a ridicularizar a mulher. Diz que ela é inferior quanto ao corpo (é mais débil), quanto à mente (menor capacidade racional) e quanto à moralidade (menor capacidade volitiva e menor autocontrolo). [Santo Tomás de Aquino,Summa Theologica’, 1, 92, 1, citado por Ruerther; cf. também K.E. Borresen, «Subordination et Equilivalence. Nature de la femme d’après Augustin et Thomas d’Aquin», Universitetsforlaget – Mame, Oslo – Paris 1967] Na opinião de S. Tomás, esta compreensão agudizou-se ainda mais por causa do ‘pecado’. Já desde os começos, a natureza defeituosa da mulher significava que, naturalmente, a mulher é servil e se deve encontrar submetida ao homem. Como resolve, S. Tomás, este problema? Se Deus tudo criou perfeito, como pode ter criado a mulher imperfeita? S. Tomás soluciona-o dizendo que a mulher, ainda que imperfeita na sua natureza individual, faz parte da perfeição geral da natureza através do seu papel na procriação. S. Tomás diz que a mulher foi criada para a procriação. Em matéria de ajuda espiritual, o homem sempre recorrerá a outro homem.

A antropologia patriarcal foi extremamente perversa e negativa para as mulheres. (…)


Cristologia patriarcal

A Teologia feminista não produziu muitos textos sobre cristologia, mas trata sempre do tema quando reflecte sobre a situação da mulher dentro do movimento de Jesus ou quando reflecte sobre a Igreja. A cristologia é, seguramente, um dos capítulos mas polémicos. Por um aldo, Jesus Cristo é o centro da Fé e da teologia cristã; por outro, o facto da salvação oferecida pelo Deus vivo ser encarnada num homem (sexo masculino) cria problemas a muitas mulheres. Como não se sentirem cidadãs de segunda categoria no Reino proosto por um Deus que privilegia o sexo masculino na hora de se encarnar? [cf. M. C. Bingemer, ‘Jesus Cristo e a salvação da mulher’, in «O segredo feminino do mistério», Vozes, Petrópolis 1991, pp. 44-45] (…)

Ao longo dos séculos dá-se uma paulatina desvalorização do papel das mulheres nas comunidades primitivas. (…) Do mesmo modo a cristologia sofreu um processo crescente de patriarcalização. Evangelizar e celebrarar sacramentos esteva reservado apenas aos homens – numa palavra, eles actuavam in persona Christi. (…)

A proclamaçãp messiânica de Jesus centra-se na apresentação do Reino de Deus. Na realidade, tal anúncio não realiza a expectativa de um rei semelhante ao rei David, bem pelo contrário: vai mais na linha profética de Moisés. Após a morte de Jesus, a interpretação que a comunidade cristã faz desse messianismo situa-a mais na linha do Servo de Yahvé. (…) Com o pasar do tempo, a Igreja nascente sente a necessidade de se organizar e, para esse fim, instala uma incipiente hierarquia formada de bispos, presbíteros e diáconos. Eles serão os responsáveis pelo deposito fidei, ficando como responsáveis pela ortodoxia.

Pouco a pouco, processa-se uma progressiva alienação do Jesus histórico, roubando-se-lhe a sua individuação como ‘ser humano’. Sem a sua história concreta, Cristo converte-se numa imagem. [José Comblin, ‘Teologia de la revolution’, Desclée de Brouwer, Bilbao 1973.] E, para se ter acesso a Ele, tem-se que deitar mão da linha oficial do ensino dos apóstolos. Só homens podem ocupar o ofício do ensino apostólico quanto a representar Cristo. «Cristo vira uma revelação atemporal da perfeição divina localizada num momento paradigmático do passado. E este revelação atemporal nunca mais se voltará a repetir.» [cf. R. Ruether, o.c., pp. 106-107]

O momento decisivo da patriarcalização da cristologia acontece no século IV – estamos no ano de 312 d.C. A conversão do imperador Constantino ao cristianismo marca a passagem da religio ilícita, perseguida, minoritária, de marginais, à religião oficial do Império Romano. Legitima-se, então, a sua ideologia. A unidade imperial exige unidade de fé e de teologia. [cf. A. Grillmeier, ‘The Christian Tradition: From the Apostolic Age to Chalcedon’, John Knox, Atlanta 1975, pp. 153-154; trad. espanhola, ‘Cristo en la tradición Cristiana: desde el tiempo apostólico hasta el Concilio de Calcedonia’ (451), Sígueme, Salamanca 1997] Um cristianismo instalado num poder político sobre o «mundo» integra-se perfeitamente na expectativa messiânica davídica.

«A doutrina cristológica de Cristo como Logos ou fundamento do mundo criado identifica-se com os fundamentos do sistema social vigente. Cristo como Logos de Deus é revelação da mente divina − oferece o governo e o plano do cosmos social estabelecido. Assim, tudo se integra numa única e ampla hierarquia do ser.» [Eusébio de Cesareia, ‘Vida de Constantino’, 10, 7, citado por R. Ruether, o.c., p. 108]

Tal como o Logos de Deus governa o cosmos, o imperador romano cristão, conjuntamente com a Igreja cristã, governa o mundo político. Os senhores governam os escravos e os homens governam as mulheres. [A teóloga Elisabeth Schüssler Fiorenza inventou o termo «kiriarcalismo» para rotular este sistema ideológico masculino de dominação e subordinação, autoridade e obediência, de governantes e governados, na família e no Estado. É também nesta cristologia utilizada que o poder imperial encontra o seu fundamento.] As mulheres, os escravos e os bárbaros eram os alagoi, as pessoas «sem palavra própria, sem mente». Precisam de ser guiadas pelos representantes do Logos divino. Jesus Cristo é o retrato do Imperador. Jesus é o Pantocrator, que tudo governa. Reina sobre a nova ordem social, na qual as mulheres não têm nenhuma importância. O Deus masculino só pode ser representado por homens.

Cristo transforma-se no fundador e no governante cósmico da hierarquia social vigente. É a revelação masculina de um Deus masculino, cujo representante normativo só pode ser o homem.

Até à Idade Média adoptava-se o modelo biológico aristotélico: o homem oferece o sémen que dá forma ao corpo humano. A mulher é apenas matéria, o recipiente onde se fará o novo ser. O sexo masculino, portanto, é o sexo normativo ou genérico da raça humana.

Em suma, a encarnação do Logos de Deus num homem não é um acidente histórico – é uma necessidade ontológica. Assim como Cristo teve que encarnar-se num homem, da mesma forma só num homem Cristo pode ser representado. [S. Tomás, o.c., 1, 1, 92, 1-2; 1, 1, 99, 2; 3, supl., 39, 1; citado por R. Ruether, o.c., p. 108]

Esta cristologia ressurgiu recentemente com a reivindicação do acesso ao ministério ordenado por parte de algumas mulheres. Os argumentos usados inter-relacionam masculinidade, cristologia e sacerdócio. Sem dúvida, e na opinião de Rosemary Ruether, Jesus Cristo é a «kenosis do patriarcado». Ele é o auto-esvaziamento do poder dominador masculino a favor da nova humanidade, do serviço compassivo e do mútuo reconhecimento. (segue)


Ana María Tepedino
Teóloga, Universidade Católica do Rio de Janeiro


In «10 Palabras clave sobre Jesus de Nazaret» (Dir. J. J. Tamayo Acosta), Editorial Verbo Divino, pp. 415-452 [excertos].



8 de fevereiro de 2012

TEOLOGIA FEMININA 2/2







Teologia feminista

2/2


«Quem dizem as mulheres que Eu sou?»


Uma leitura a partir da categoria do género

 
Esta categoria, não só não abriu horizontes novos, como também ajudou a desmontar o patriarcado. Ela permite-nos reconstruir toda a teologia. Este perspectiva não diz respeito apenas às mulheres – exige diálogo entre homens e mulheres. É um grande desafio ao trabalho que está a começar a fazer-se. [cf. D. Irarrazaval, ‘Theology with Gender Perspective’ − apresentação no Encontro da Comissão Teológica da EATWOT, Rio de Janeiro, Maio 1998. Será publicada em Voices from the Third World’]

Para superar a teologia patriarcal é necessário construir uma nova epistemologia fundamentada numa nova antropologia, numa nova ética e numa nova espiritualidade. [cf. A.M. Tepedino – M.P. Aquino (ed.) ‘Entre la indignación y la esperanza: Teologia feminista Latino americana’, o.c., documento final; cf. também ‘Final Statement of the «Women against violence» dialogue’, em ‘Voices from the Third World’, vol XVIII, 1, (Junho 1995), pp. 211-219] As categorias epistemológicas para essa nova antropologia, nova ética e nova espiritualidade são o corpo, o quotidiano e o relacional, as quais sempre foram subvalorizadas no pensamento tradicional e na teologia tradicional.


O corpo

Ivone Gebara afirma que o corpo é o novo ponto de partida da teologia. «Partir do corpo é partir da primeira realidade que somos e conhecemos. É afirmar e reconhecer a sua maravilha e, ao mesmo tempo, a impossibilidade de dizer o que quer que seja se ele for ignorado.» [I. Gebara, ‘A Mulher, contribuição à Teologia Moral na América Latina’, in M. Fabri (coord.), ‘Temas Latino americanos de Ética’, Santuário, Aparecida 1988, pp. 195-210]


É verdade que eu sou o meu corpo. É com ele que eu me faço presente no mundo, me relaciono com outras pessoas, com Deus, com a natureza, com Pacha Mama [a grande Mãe-Terra, na denominação dos povos pré-colombianos] O cosmos passa pelo nosso corpo: olhos, ouvidos, mãos, emoções, sentimentos, razão. O corpo sempre foi depreciado pela teologia e pela Igreja, por questões relacionadas com o dualismo. Sobretudo, a corporeidade feminina foi menosprezada por causa duma leitura sexista de Génesis 2 e 3 que nela vê apenas sedução. No entanto, «partir do corpo é redimir o corpo humano total: o do homem e o da mulher. É lutar pela ressurreição, pela sua vida com as armas da vida.» [ibidem]

«Tomar o corpo como ponto de partida da teologia é acolher uma antropologia unitária que procura superar os dualismos e englobar as ambiguidades inerentes à existência humana. Só um fundamento antropológico unitário poderá recriar o homem e a mulher como imagem de Deus e Deus como imagem do homem e da mulher.» [ibidem]

Se começo a dar-me conta da importância do meu corpo tenho que reconhecer que todo o meu comportamento, inclusivamente o comportamento ético, tem como ponto de partida a experiência corporal.


A relação

As mulheres como grupo social − ontologicamente abertas a acolher outros corpos − acrescentam um novo fundamento à ética feminina: a relação. As mulheres dão muita importância às relações como uma outra porta para o conhecimento – trata-se de uma outra forma de aprender, que integra o afectivo e o racional. A relação chega-nos através do corpo, pela emoção, pelo sentimento, pela razão, pela compaixão e termina no compromisso ético. Uma teologia feita com paixão e compaixão [A.M. Tepedino, ‘Feminist Theology as Fruit of Passion and Compassion: Women Doing Theology’, in V. Fabella – M. Odoyuye (Org.), ‘Passion and compassion. Third World Women Doing Theology’, Orbis, Nueva York 1988, pp. 165-172], com sentimento e solidariedade, tem como mediação a categoria ‘relação’.

Rita Brok afirma: «Necessitamos duma teologia que revele o coração (COR) do universo. Coração, não entendido de maneira sentimental, mas como metáfora da nossa capacidade de sintonizar com outras pessoas para estabelecer relações, intimidade.» [R.N. Brock, o.c., p.86] Para o semita, o «coração» é a pessoa humana total: corpo, espírito, razão e paixão.

Não esqueçamos que, no sentido bíblico, «conhecer» significa conhecimento de todas as dimensões humanas, incluindo a dimensão sexual (cf. Génesis 4:1 − «Abraão conheceu Sara»). O conhecimento do coração integra corpo, emoções, sentimentos, razão, aspectos espirituais, a única forma de evitar o dualismo. Eis como poderíamos construir uma antropologia integral a partir da qual tudo estivesse inter-relacionado.


O quotidiano

A experiência do quotidiano, como categoria hermenêutica, como tema das ciências humanas, está unida à crítica da racionalidade. Converte-se numa outra porta de conhecimento e tem como ponto de partida uma multiplicidade de vertentes críticas do conhecimento. [cf. A. Heller, ‘O cotidiano e a história’, Paz e Terra, Rio de Janeiro 1985; ed. em castelhano ‘Historia y Vida Cotidiana’, Grijalbo Mondadori, Barcelona 1972] Trata-se do que vivemos no dia-a-dia, da luta pela sobrevivência e da maneira como interpretamos essa luta. Ou seja, o vivido e o interpretado transformam-se num recurso teológico importante. [A.M. Isasi Díaz, ‘The Present-Future of EATWOT: A Mujerista Perspective’, in ‘Voice from the Third World’, vol. XIX, 1 (1996), pp. 86-103]  O quotidiano converte-se em espaço de trocas, em resistência ao processo de dominação por parte de uma racionalidade exacerbada.

«O quotidiano está profundamente ligado com a prática libertadora. O quotidiano está relacionado com formas particulares do discurso; com experiências de classe e distinções de género; com o trabalho e com a pobreza; com relações familiares e de vizinhança em comunidade; com a experiência da autoridade; com a experiência central da fé; com celebrações religiosas e com as concepções das figuras religiosas. Mas o quotidiano é mais do que uma categoria descritiva. Inclui, também, a maneira como os membros das comunidades-de-base consideram as acções, os discursos, as normas, os papéis socialmente estabelecidos e até os nossos próprios papéis sociais.» [H.D. Levine, ‘Popular Voices in Latin American Catholicism’, Princeton University Press, Princeton – New Jersey 1992, citado por Isasi Díaz, art. cit., p. 96]

Assim se aproximam, e se diluem um no outro, o público e o privado, o biológico e o mental, a natureza e a cultura, a razão e as paixões, o objectivo e o subjectivo. Todas as dualidades das relações de género misturam-se, quer por que se encontram interligadas, como também porque constituem um processo que transforma e porque elas se vão também transformando a si próprias.» [cf. M.O. Silva Dias, ‘Teoria e método dos estudos feministas: perspectiva histórica e Hermenêutica do Cotidiano’, in A. Costa – C. Bruschini (org.), ‘Uma questão de género’, Rosa dos Ventos, Rio de Janeiro 1992, pp. 39-53]

A experiência diária dos(as) pobres não só aponta para a sua capacidade de conhecer, mas que também ilumina a maneira de conhecer. O quotidiano é uma maneira de se colarem aos seus esforços para entender e expressar o ‘como’ e o ‘porquê’ das suas vidas serem como são e o ‘porque’ actuam como actuam. [O. Maduro, ‘Mapas para la fiesta’, Centro Nueva Tierra, Buenos Aires 1992, p. 17, cit. Por Isasi Díaz, art. cit., p. 97]

Uma nova espiritualidade. O sagrado exprime-se aqui e agora. É aqui que vamos descobrindo as imagens diferentes de Deus e é aqui que denominamos, com diferentes nomes, o Mistério que nos habita e nos circunda. Esta experiência dá-nos força para enfrentar a vida, para resistir e para esperar contra toda a esperança, para lutar quando tudo parece perdido e para celebrar as vitórias conseguidas.

De acordo com as experiências dos diversos grupos vamos nomeando Deus e nomeando Jesus de formas muito variadas. Descobrimos um Deus multicolor. Com as irmãs negras, «Deus é negro»; com os irmãos e as irmãs indígenas «Deus é um casal: mulher e homem»; com as mulheres dizemos «Deus é Ela»; com o povo pobre dizemos: «Deus é muito mais, Deus é maior que o nosso sofrimento».

Todas estas imagens de Deus demonstram-nos uma maneira de pensar que é relacional, na medida em que supera a pura racionalidade.

Nomeamos o sagrado assim, porque o sentimos próximo, animando-nos, consolando-nos, curando-nos, sendo fonte de força, coragem, alegria, amor. Não se trata apenas de um conceito: é alguém que dá vida. Aquilo a que chamamos Deus é muito mais que meras palavras, já que nunca conseguiremos expressar este enorme Mistério. Outras linguagens, tais como a poesia, a liturgia, os cantos e as danças populares ou a arte podem ajudar-nos no nosso balbuciar.


O Jesus total

«E o Verbo se fez carne» [João 4:14a].
O Verbo fez-se carne. Carne de homem e carne de mulher. Carne, corpo, humanidade, inserção na história, história de uma relação.

«Carne» sugere solidariedade para com toda a humanidade, na medida em que não somos uma colecção de indivíduos justapostos, mas sim um todo orgânico. O que atinge um só afecta eles e elas, os restantes, ou seja, toda a natureza de Deus. Essa experiência integral faz-nos valorizar cada vez mais a relação como porta de entrada, como acesso à nossa fé. Deste modo vamos refazendo a nossa relação com Jesus e com o Mistério Maior que Ele revela e que está fora e dentro de nós. Vamos partilhando com outras irmãs, com o povo, com outros homens as experiências que realizamos e as respostas que damos à pergunta de Jesus: «E vós, quem dizeis que eu sou?»

As mulheres falam de vida, falam de amor, de respeito, de com-paixão, igualdade, solidariedade, reciprocidade, liberdade, vida em plenitude, acções prenhes de ressurreição.

Para as mulheres negras norte-americanas a mensagem revolucionária de Jesus é entendida como liberdade. Jesus é o centro da sua fé. Em Jesus, Deus torna-se real, torna-se presente nas suas vidas. Elas identificam-se com Jesus porque Ele se identifica com elas. Experienciam-no como aquele que sofre como elas sofrem, que compreende seus sofrimentos − por isso o vêem como consolo. Jesus identifica-se com os pequenos do seu tempo e com os pequenos de agora. É, portanto, um Messias político. Valorizam a importância do Jesus histórico para poderem entender quem foi Jesus e a sua importância na actualidade. Num passo seguinte, confessam que este Jesus é o Cristo, isto é, o Deus incarnado. Ao longo deste processo de identificação com os pequenos de todos os tempos, Jesus é negro para o povo negro. [cf. J. Grant, o.c., p.212-215; K. Brown Douglas, ‘Womanist Position’, in L. Russel – J.S. Clarkson (eds.), ‘Dictionary of Feminist Theologies’, WQestminster John Knox Press, Lousville 1996]

As mulheres latino-americanas também se identificam com esta compreensão. Sublinham o caminho histórico: a liberdade, o consolo, o projecto. Destacaria a maneira de relacionar-se que percebemos em Jesus histórico: a sua relação com o Abba e com o Reino, a compaixão pela(o)s marginalizada(o)s, as curas dos que sofriam, a amizade para com os homens e as mulheres, a crítica à hierarquia social e religiosa do seu tempo. A crítica que hoje as mulheres fazem à hierarquia religiosa e social é parecida com aquela que Jesus fez no seu tempo. A perspectiva profética na qual Jesus se posicionou beneficiou grupos marginalizados e desvalorizados da sociedade: as mulheres, as crianças, os pobres, os estrangeiros.

Apercebemo-nos que a Sua capacidade como ser-libertador não reside na sua masculinidade. Reside na sua humanidade plena!, território de vincos tradicionalmente atribuídos ao masculino, mas de outros atribuídos ao feminino. A experiência nos diz que tanto os homens como as mulheres são fortes e débeis, ao mesmo tempo, inteligentes e emotivos, ternos e agressivos. Em graus distintos, ambos possuem traços de activos e de passividade, de personalidade forte e débil – a perspectiva de género pressupõe o diálogo entre mulheres e homens. Desmonta as identidades tradicionais e constrói novas identidades e novas relações. Supera dualismos e postula direitos iguais; e, tudo isto, não apenas em teoria, mas na vivência concreta da reciprocidade entre mulheres e homens, tendo como horizonte a construção duma humanidade nova.

A inversão, na perspectiva do Reino, proclamada por Jesus − «os últimos serão os primeiros» − significa a necessidade de novas relações sociais. Não basta “inverter os pólos”: no lugar dos homens, ponhamos, agora, as mulheres! Pelo contrário: trata-se de novas relações, não num registo romântico, mas de modo efectivo. Trata-se de construir uma nova humanidade, o que acarreta um projecto político novo e novas relações sociais. As curas e os exorcismos que Jesus realizava eram injecção de ressurreição na vida das pessoas. Mudavam completamente as pessoas. Tudo isto é demasiado revolucionário, porque um projecto de regresso à vida plena de oprimidos e de oprimidas destrói o poder patriarcal.

O Jesus total vai além do Jesus histórico e é proposta de ressurreição e de vida. Neste amor às pessoas e à natureza encontramos o sentido da vida, já que nele encontramos a Transcendência, o Mistério Maior, o próprio Deus.

A Comunidade dos seus seguidores e seguidoras formam o Corpo de Cristo. Corpo significa visibilidade. E tudo isto acontece na medida em que vivermos ao nível das acções com que realizamos ressurreição no coração da sociedade. (…)

Na força do Espírito, que nos conduz à verdade plena acerca de Jesus [Jo 14:26], comprovamos que a Sua história tem um sentido, diante do qual homens e mulheres respondem à chamada do Mistério Maior, com as suas próprias vidas. O facto de ser homem não tem relevância teológica para a comunidade cristã. Pela força do Espírito, mulheres e homens, negros e brancos, velhos e jovens, a natureza inteira caminham para uma realidade nova transformada. Aí, a dignidade de todos será respeitada. (fim)

Ana María Tepedino
Teóloga, Universidade Católica do Rio de Janeiro

In «10 Palabras clave sobre Jesus de Nazaret» (Dir. J. J. Tamayo Acosta), Editorial Verbo Divino, pp. 415-452 [excertos].