teologia para leigos

27 de setembro de 2011

UM JURISTA AUSTRÍACO TELEFONA DA GRÉCIA...


Grécia
Um verdadeiro “genocídio financeiro”




 [Então os gregos “recusam-se a economizar”? Um jurista de Viena, que tem um apartamento em Atenas, observou-os diariamente. A sua conclusão: economizam ao máximo. ]



imolação em Tessalónica...


Não podemos deixar de responder às diversas declarações dos mais altos responsáveis de toda a Europa, algumas delas roçando a imbecilidade, sobre estes “preguiçosos” gregos que “se recusam a economizar”.

Há 16 meses que tenho casa em Atenas e vivi in loco esta situação dramática. Ouvem-se queixas de que os planos económicos não vão funcionar, porque as receitas fiscais caíram. Põe-se em causa a vontade dos gregos economizarem. Que surpresa! Vejamos alguns factos:

- Redução de salários e de pensões até 30%.

- Redução do salário mínimo para 600 euros.

- Dramática subida de preços (combustível doméstico + 100%; gasolina + 100%, eletricidade, aquecimento, gás, transportes públicos + 50%) ao longo dos últimos 15 meses.

Resgate da UE de 97% volta para a EU


- Um  terço das 165 mil empresas comerciais a fecharem as portas, um terço sem conseguir pagar os salários. Por toda a cidade de Atenas pode ver-se os painéis amarelos com a palavra  “Enoikiazetai” a letras vermelhas – “Aluga-se”.

- Nesta atmosfera de miséria, o consumo (a economia grega foi sempre muito centrada no consumo) diminuiu de maneira catastrófica. Os casais com dois salários (onde o rendimento familiar representava até então 4000 euros), de repente, têm apenas duas vezes 400 euros de subsídio de desemprego, que começa a ser pago com meses de atraso.

- Os funcionários públicos e de empresas próximas do Estado, como a Olympic Airlines ou os hospitais, há meses que não recebem ordenados e os pagamentos a que têm direito foram adiados para outubro ou para o “próximo ano”. O recorde pertence ao Ministério da Cultura. Há 22 meses que os funcionários que trabalham na Acrópole não são pagos. Quando ocuparam a Acrópole para se manifestarem (pacificamente!) receberam rapidamente o troco, em gás lacrimogéneo

- Toda a gente está de acordo quando se diz que 97% dos milhares de milhões das tranches de resgate da UE voltam diretamente para a UE, através dos bancos, para amortizar a dívida e pagar novos juros. Assim, o problema é discretamente atirado para cima dos contribuintes europeus. Até ao crash, os bancos recebiam copiosos juros e as reivindicações estão a cargo dos contribuintes. Por isso não há (ainda?) dinheiro para as reformas estruturais.

- Milhares e milhares de empresários em nome individual, motoristas de táxi e de camiões, tiveram de desembolsar milhares de euros para pagarem as suas licenças e, para isso, contraíram empréstimos, mas hoje vêem-se confrontados com uma liberalização que faz com que os recém-chegados ao mercado não tenham de pagar quase nada, enquanto quem já lá está há mais tempo está onerado com enormes créditos, que tem de pagar.

- Inventam-se novos encargos. Assim, para apresentar uma queixa na polícia é preciso pagar logo 150 euros. A vítima tem de abrir a carteira se quer que a sua queixa seja aceite. Ao mesmo tempo, os polícias são obrigados a cotizarem-se para abastecerem os seus carros-patrulha. 

- Foi criado um novo imposto sobre a propriedade associado à conta da eletricidade. Se não for pago, a luz de casa é cortada. 


Onde está o dinheiro das últimas décadas? 


- Há meses que a escolas públicas deixaram de receber materiais escolares. O Estado deve milhões às editoras e as entregas deixaram de ser feitas. Gora, os estudantes recebem CDs e os pais têm de comprar computadores para que os filhos possam estudar. Não se sabe como é que as escolas – sobretudo as do Norte – vão pagar as despesas de aquecimento.

- Até ao fim do ano todas as universidades estão paralisadas. Um grande número de alunos não pode entregar trabalhos nem fazer exames.

- O país prepara-se para uma enorme onda de emigração e estão a aparecer gabinetes de aconselhamento sobre este assunto. Os jovens não vêem futuro na Grécia. A taxa de desemprego entre os jovens licenciados é de 40% e de 30% entre os jovens em geral. Os que têm emprego trabalham a troco de um salário de miséria e, em parte, de forma ilegal (sem segurança social): 35 euros por 10 horas de trabalho diário na restauração.

As horas extraordinárias acumulam-se sem serem pagas. Resultado: não sobra nada para investimentos de futuro como a educação. O governo grego não recebe nem mais um cêntimo em impostos.

- As reduções maciças de efectivos na função pública são feitas de maneira antissocial. Foram despedidas, essencialmente, pessoas que estavam a alguns meses da idade da reforma, para lhes ser pago apenas 60% do total da pensão a que teriam direito.

Toda a gente faz a mesma pergunta: onde está o dinheiro das últimas décadas? É evidente que não está no bolso dos cidadãos.

Os gregos não têm nada contra a poupança, simplesmente, não aguentam mais. Quem consegue ter emprego mata-se a trabalhar (acumula dois, três, quatro empregos).

Todas as conquistas sociais das últimas décadas em matéria de proteção dos trabalhadores se desfizeram em pó. Agora, a exploração tem rédea solta; nas pequenas empresas é, geralmente, uma questão de sobrevivência. Quando se sabe que os responsáveis gregos jantaram com os representantes da troika [Comissão Europeia, BCE e FMI] por 300 euros por pessoa, não podemos deixar de perguntar quando é que a situação acabará por explodir. 

A situação da Grécia deveria alertar a velha Europa. Nenhum partido que propusesse uma razoável ortodoxia orçamental estaria em condições de aplicar o seu programa: nunca seria eleito. É preciso atacar a dívida enquanto está ainda relativamente sob controlo e enquanto não se assemelha a um genocídio financeiro.


Günter Tews [jurista austríaco]


Viena (Áustria), 22 Set 2011

O MUNDO ESTÁ NAS MÃOS DOS BANCOS


737 donos do mundo
controlam 80%
do valor das empresas mundiais


Wall Street [foto de Michael Aston/Flickr]

[Um estudo de economistas e estatísticos, publicado na Suíça neste Verão, dá a conhecer as interligações entre as multinacionais mundiais. E revela que um pequeno grupo de actores económicos – sociedades financeiras ou grupos industriais – domina a grande maioria do capital de dezenas de milhares de empresas no mundo. Por Ivan du Roy | 26 Setembro, 2011]


O seu estudo, na fronteira da economia, da finança, das matemáticas e da estatística, é arrepiante.

Três jovens investigadores do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique1 examinaram as interacções financeiras entre multinacionais do mundo inteiro. O seu trabalho - “The network of global corporate control” (“a rede de controlo global das transnacionais”) - examina um painel de 43.000 empresas transnacionais (“transnacional corporations”) seleccionadas na lista da OCDE. Eles dão a conhecer as interligações financeiras complexas entre estas “entidades” económicas: parte do capital detido, inclusive nas filiais ou nas holdings, participação cruzada, participação indirecta no capital...

Resultado: 80% do valor do conjunto das 43.000 multinacionais estudadas é controlado por 737 “entidades”: bancos, companhias de seguros ou grandes grupos industriais. O monopólio da posse capital não fica por aí. “Por uma rede complexa de participações”, 147 multinacionais, controlando-se entre si, possuem 40% do valor económico e financeiro de todas as multinacionais do mundo inteiro.


Uma super entidade de 50 grandes detentores de capitais


Por fim, neste grupo de 147 multinacionais, 50 grandes detentores de capital formam o que os autores chamam uma “super entidade”. Nela encontram-se principalmente bancos: o britânico Barclays à cabeça, assim como as “stars” de Wall Street (JP Morgan, Merrill Lynch, Goldman Sachs, Morgan Stanley...). Mas também seguradoras e grupos bancários franceses: Axa, Natixis, Société générale, o grupo Banque populaire-Caisse d'épargne ou BNP-Paribas. Os principais clientes dos hedge funds e outras carteiras de investimentos geridos por estas instituições são por conseguinte, mecanicamente, os donos do mundo.

Esta concentração levanta questões sérias. Para os autores, “uma rede financeira densamente ligada torna-se muito sensível ao risco sistémico”. Alguns recuam perante esta “super entidade”, e é o mundo que treme, como o provou a crise do subprime. Por outro lado, os autores levantam o problema das graves consequências que põe uma tal concentração. Que um punhado de fundos de investimento e de detentores de capital, situados no coração destas interligações, decidam, por via das assembleias gerais de accionistas ou pela sua presença nos conselhos de administração, impor reestruturações nas empresas que eles controlam... e os efeitos poderão ser devastadores. Por fim, que influência poderão exercer sobre os Estados e as políticas públicas se adoptarem uma estratégia comum? A resposta encontra-se provavelmente nos actuais planos de austeridade.

Artigo de Ivan du Roy, publicado em Basta!, traduzido por Carlos Santos para esquerda.net
O estudo em inglês pode ser descarregado aqui


1 O italiano Stefano Battiston, que passou pelo laboratório de física estatística da École normale supérieure, o suíço James B. Glattfelder, especialista em redes complexas, e a economista italiana Stefania Vitali.

A ARMADILHA DO ENDIVIDAMENTO GREGO - COMO FOI MONTADA

A Grécia no centro da tormenta


Eric Toussaint


[O fundador do Comité para a Anulação da Dívida do Terceiro Mundo, Eric Toussaint, explica nesta entrevista como é que a banca privada internacional arrastou a Grécia para uma dívida incomportável, aumentando os empréstimos desde 2005 e financiando-se a baixo custo junto da banca pública para impor juros especulativos desde 2009. Para Eric Toussaint, as dívidas reclamadas pelos bancos estrangeiros e gregos à Grécia estão feridas de ilegitimidade.]


CADTM: É verdade que a Grécia tem de prometer ao mercado uma taxa de juro de cerca de 15% para poder pedir empréstimos a prazo de 10 anos?

Eric Toussaint: Sim, é verdade; os mercados apenas admitem comprar os certificados a prazo de 10 anos que a Grécia emitir na condição de que a Grécia se comprometa a pagar juros exorbitantes.

CADTM: A Grécia está disposta a contrair empréstimos nessas condições?

Eric Toussaint: Não, a Grécia não se pode dar ao luxo de pagar juros semelhantes. Custar-lhe-ia demasiado caro. Ora, todos os dias lemos, tanto na imprensa tradicional como nos meios de comunicação alternativos (aliás muito úteis para obter uma opinião crítica), que a Grécia tem de pedir emprestado a 15% ou mais.

Na realidade, desde que a crise rebentou na primavera de 2010, a Grécia limita-se a contrair no mercado empréstimos a 3 meses, 6 meses, no máximo um ano, com taxa de juro variável, consoante as emissões, entre 4% e 5% |1|. Relembramos que, antes do início dos ataques especulativos contra a Grécia, esse país conseguia pedir empréstimos a taxas muito vantajosas, tão grande era a ânsia dos banqueiros e outros investidores institucionais (seguradoras, fundos de pensão) – vulgarmente designados em francês por zinzins –, para lhe emprestarem dinheiro.

Foi assim que, a 13 de Outubro de 2009, a Grécia emitiu os certificados do Tesouro (T-Bills) a 3 meses com um rendimento (yield) muito baixo: 0,35%. Nesse mesmo dia, a Grécia fez outra emissão de certificados a 6 meses com uma taxa de 0,59%. Sete dias mais tarde, a 20 de outubro de 2009, emitiu certificados a uma taxa de 0,94% |2|. Isto aconteceu menos de seis meses antes de rebentar a crise grega. As agências de notação atribuíam uma nota muito boa à Grécia e aos bancos que lhe emprestavam a torto e a direito. Dez meses mais tarde, para emitir certificados a 6 meses, a Grécia teve de atribuir um rendimento de 4,65% (cerca de 8 vezes maior). Foi uma mudança de circunstâncias fundamental.

Outra questão importante para demonstrar a responsabilidade dos bancos: em 2008, a banca exigia à Grécia um rendimento mais elevado que em 2009. Por exemplo, em junho-julho-agosto de 2008, quando ainda não era conhecida a falência do Lehman Brothers, as taxas de juro já eram quatro vezes mais elevadas que em Outubro de 2009. No quarto trimestre de 2009, ao descerem abaixo de 1%, as taxas atingiram o seu nível mais baixo |3|. O que pode parecer irracional – dado que não é normal um banco baixar as taxas de juro num contexto de grande crise internacional, tanto mais no caso dum país como a Grécia que se endivida muito rapidamente – é lógico na perspectiva dum banqueiro que procura tirar o máximo proveito imediato, estando convencido de que, caso surjam problemas, as autoridades públicas virão em seu socorro. Depois da falência do Lehman Brothers, os governos dos EUA e da Europa verteram enormes montantes para salvar os bancos e relançar o crédito e a actividade económica. Os banqueiros aproveitaram este maná de capitais para emprestarem dentro da UE a países como a Grécia, Portugal, Espanha, Itália, convencidos de que, em caso de problema, o Banco Central Europeu e a Comissão Europeia ajudá-los-iam. Do seu ponto de vista, tinham razão.

CADTM: Queres dizer que os bancos privados, ao emprestarem com baixos juros, contribuíram activamente para empurrar a Grécia para a armadilha do endividamento insustentável, ao exigir posteriormente taxas muito mais elevadas, que impediram a Grécia de pedir empréstimos a prazos superiores a um ano?

Eric Toussaint: Sim, é isso mesmo. Não quero dizer que tenha havido uma maquinação propriamente dita, mas é incontestável que os bancos emprestaram dinheiro exageradamente a países como a Grécia (até baixando as taxas de juro). Do ponto de vista dos bancos, os dinheiros que receberam em quantidade maciça dos poderes públicos tinham de ser aplicados em empréstimos aos Estados da zona euro. É preciso recordar que desde três anos para cá, os Estados se tornaram os actores mais fiáveis, ao passo que se levantaram dúvidas sobre a capacidade das empresas privadas em manterem os seus compromissos e reembolsar as suas dívidas.






Para retomar o exemplo concreto anteriormente mencionado, quando, a 20 de Outubro de 2009, o governo grego vendeu T-Bills a 3 meses com um spread de 0,35%, tentava reunir um total de 1500 milhões de euros. Os banqueiros e outros especuladores propuseram perto de 5 vezes esse valor, ou seja, 7040 milhões. Por fim, o governo decidiu pedir 2400 milhões emprestados. Não será exagero afirmar que os bancos emprestaram exageradamente à Grécia.

Voltemos à questão da sequência de aumentos de empréstimos de bancos da Europa Ocidental à Grécia no período 2005-2009. Os bancos dos países da Europa Ocidental aumentaram os empréstimos à Grécia (tanto ao sector público como ao privado) numa primeira fase entre Dezembro de 2005 e março de 2007 (nesse período, o volume de empréstimos aumentou 50%, passando de pouco menos de 80 000 milhões para 120 000 milhões de dólares). Embora a crise do subprime tivesse rebentado nos EUA, os empréstimos voltaram a aumentar fortemente (+33%) entre Junho de 2007 e o verão de 2008 (passando de 120 000 milhões para 160 000 milhões de dólares); depois, mantiveram-se num nível muito alto (cerca de 120 000 milhões de dólares). Isto significa que os bancos privados da Europa Ocidental utilizaram o dinheiro que o Banco Central Europeu, o Banco de Inglaterra, a Reserva Federal dos EUA e os fundos dos mercado monetário (money market funds) dos EUA (ver mais adiante) lhes emprestavam massivamente e a baixo custo, para aumentarem os empréstimos a países como a Grécia |4|, sem tomar em conta os riscos.

Por conseguinte os bancos privados têm uma grande quota de responsabilidade no endividamento excessivo da Grécia. Os bancos privados gregos também emprestaram montes de dinheiro consideráveis aos poderes públicos e ao sector privado. Também eles têm uma grande quota de responsabilidade. As dívidas reclamadas pelos bancos estrangeiros e gregos à Grécia em consequência das suas políticas completamente arriscadas estão feridas, quanto a mim, de ilegitimidade. [25 Set 2011]


Publicado no site do CADTM. Traduzido por Rui Viana Pereira, revisto por Noémie Josse-Dos Santos.

Notas
|1| Hellenic Republic Public Debt Bulletin, n° 62, junho 2011. Disponível em www.bankofgreece.gr.
|2| Hellenic Republic Public Debt Bulletin, n° 56, dezembro 2009.
|3| Bank of Greece, Economic Research Department – Secretariat, Statistics Department – Secretariat, Bulletin of Conjunctural Indicators, Number 124, October 2009. Disponível em http://www.bankofgreece.gr/
|4| O mesmo fenómeno deu-se simultaneamente em Portugal, Espanha e países da Europa Central e de Leste.

Ler mais:

25 de setembro de 2011

O PAPA, AS MITRAS E O ADIAMENTO DA «UNIDADE DOS CRISTÃOS»

Friedrich Schorlemmer, teólogo protestante alemán


Teólogo e Pastor Friedrich Schorlemmer


"Hay que acabar con el ecumenismo inmovilista"


"La curia romana, con el papa a la cabeza, piensa que con sus grandes mitras se ha comido la sabiduría cristiana y que los otros lo tienen que aceptar"


"Los protestantes son más bien demócratas de izquierda y los católicos, de derecha"





[No se trata de aprender doctrina sino de creer en Cristo. No entiendo por qué no encontramos unidad en la diversidad, pues así es como funciona la democracia]


El pastor Friedrich Schorlemmer (Wittenberge, 1944) es un respetado teólogo protestante de Alemania del Este. En tiempos de la RDA era párroco de la iglesia del castillo de Wittenberg, en cuya puerta Martin Lutero clavó sus famosas 95 tesis contra las indulgencias (la compra del perdón de los pecados), el 31 de octubre de 1517 y donde el gran reformador alemán está enterrado. En 1983, en el mismo patio de la casa en la que vivió Lutero, Schorlemmer organizó con un herrero la fundición pública de una espada y su conversión en arado, una alegoría bíblica del "convertir las espadas en arados" que era el símbolo del movimiento pacifista independiente de la RDA. El acto no estaba autorizado y el herrero acabó emigrando a Alemania occidental. Miembro de la red altermundista Attac y del Partido Socialdemócrata, Schorlemmer dice que su crítica al papa, "no tiene que ver con un rechazo fundamental al catolicismo, sino con un deseo de unidad en la diversidad".

Lo entrevista Rafael Poch en La Vanguardia.

Más del 80% de los alemanes consideran "irrelevante" esta visita, ¿no es asombroso?


Es la tercera vez que viene. Ya estuvo dos veces y no dijo nada, y parece que ahora tampoco tiene nada de importancia que decir sobre la vida de la gente. Seguirá proclamando verdades muertas. Es posible que esta vez traiga algo más en la maleta, pero el resultado de sus conversaciones con el secretario general del Consejo Central Judío en Alemania y con los evangélicos no se hará público, como si se diera por supuesto que no pasará nada ¿Qué es esto?, ¿el "ecumenismo de la inmovilidad"? En los diecinueve años que lleva en Roma, este papa siempre se ha movido hacia atrás, nunca hacia adelante. También ha tenido una posición restrictiva sobre el dominio de la Iglesia de Roma sobre otras iglesias del mundo. En esto continúa la política de Juan Pablo II. Lo que más me molesta es que habiendo sido teólogo conciliar con Hans Küng, ignora los impulsos del concilio, por ejemplo que haya un diálogo sobre la búsqueda de la verdad también con quienes han llegado a respuestas diferentes.

Parece que el hecho de que Ratzinger sea alemán aumenta el nivel de exigencia hacia el papa, ¿cómo actúa este factor nacional?


El diario (sensacionalista) 'Bild', cuyo director es católico, siempre ha apoyado al papa. Su titular cuando lo nombraron fue "Somos papa", es decir los alemanes somos papa. Yo no me siento papa. Nosotros vivimos según el principio de la igual dignidad de toda persona; uno sabe hacer bien el pan, otro es un buen pintor, otro dirige un municipio o es profesor de parvulario, pero uno no vale más que otro. Esta igualdad contradice la arrogancia de la curia. Mire como tratan a las mujeres: un mundo dominado por hombres que juzga sobre la sexualidad humana. Por favor, ¡si ni siquiera saben lo que es! Si se dice algo en esta materia, hay que pensar en las consecuencias. Por ejemplo en el caso del sida. No se puede decir a la gente: "absteneros", o declarar que un hombre sólo tiene que tener una mujer y esta sólo un hombre. En teoría es así, pero no en realidad. La gente que se quiere no tiene relaciones sexuales sólo para tener hijos, pero de esto la curia no sabe nada. No tendría que hablar de ello y menos imponer. El hombre libre es el que actúa conscientemente, y no por recibir órdenes. Esta fue la idea de la libertad que impulsó a Lutero y esto tiene que seguir siendo una línea maestra en la iglesia evangélica: la libertad del cristiano que tiene una relación directa con Dios y no necesita a la Iglesia romana como intermediaria. Si que necesita a los otros creyentes, a sus hermanas y hermanos, por eso nos reunimos, hablamos y leemos la Biblia y la interpretamos, pero la Iglesia no es una condición para sentir la proximidad de Dios en nuestra vida. No se trata de aprender doctrina sino de creer en Cristo. No entiendo por qué no encontramos unidad en la diversidad, pues así es como funciona la democracia.

Pero, ¿qué es lo que tanto desagrada del papa alemán en la opinión pública alemana? ¿Por qué esta crispada exigencia?


Los alemanes del Este acabamos de dejar atrás una organización que se pretendía destinada a cosas superiores. Los comunistas pretendían haber identificado las leyes de la historia y su partido (comunista) era el ejecutor. La curia romana, con el papa a la cabeza, piensa que con sus grandes mitras se ha comido la sabiduría cristiana y que los otros lo tienen que aceptar, pero también hay que decir que hay muchísimos cristianos que se sienten parte de la Iglesia romana como iglesia mundial y al mismo tiempo se sienten presionados por ella. Si el papa viene aquí debería hablar con quienes entienden que en cada comunidad hay algunos y algunas que ven las cosas de manera diferente. Debería hablar con los católicos críticos, que no están contra la Iglesia sino contra su autoritarismo. Las cosas cambian. Hay muchas cosas que tenían gran importancia en el siglo XVI y que hoy son irrelevantes.



«o Catolicismo é triunfalista, sensacionalista...»


¿Cuales son las diferencias de mentalidad entre católicos y protestante alemanes?


Los católicos tienen una relación menos problemática con el poder, y también menos problemas con lo moral. La duplicidad en política, por ejemplo. No hay mas que ver a los presidentes de (la católica) Baviera. En religión los protestantes son más modestos, mientras que el catolicismo es triunfalista. Nosotros somos más fuertes en lo racional, ellos en la sensación de misterio. Como dijo (el teólogo protestante) Wolfgang Weiss, "quiero ir a una iglesia en la que no tenga que dejar mi racionalidad en la entrada". Nosotros también creemos en el misterio, pero no como enigma. El misterio es el secreto de la vida, lo que es otra cosa. La fe es una loa a los misterios de la vida. Tanto católicos como protestantes loan los misterios de la vida, pero los católicos son más espectaculares. Nosotros sólo tenemos la música, ellos la vestimenta, las ceremonias, el incienso.... Desde 1945 los protestantes son más bien demócratas de izquierdas, mientras que los católicos son demócratas conservadores. En Estados Unidos las iglesias luteranas no son fundamentalistas pero están siendo sobrepasadas por los integristas que se llaman evangélicos. En Europa necesitamos reflexionar sobre -y regresar a- las raíces de nuestra cristiandad. Así veremos que algunas cosas que tenían gran importancia dogmática ya no la tienen. Estamos vaciando los mares con nuestra pesca excesiva, el cambio climático nos lleva a la catástrofe y seguimos sin prohibir las bombas de racimo o las minas antipersonal a pesar de que casi todos los países aceptan la necesidad de prohibirlas... esos son los retos que tenemos por delante. Son temas que conciernen a cualquier persona que se sienta responsable del planeta y su futuro. La iglesia tiene que enfrentarse a ellos y no limitarse a huecos mensajes de navidad o de pascua sin contenido que son pura ceremonia. En esto estamos fracasando, porque no estamos a la altura de los retos que tenemos.



Jesús Bastante, 23 de septiembre de 2011

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ENTREVISTA A LlUÍS DUCH - RELIGIÕES E EXCLUSÃO

entrevista com Lluís Duch, autor de


"Religió i comunicació"



Seu llibre "Religió i comunicació" (Fragmenta, 2010) - Lluís Duch contesta algunes preguntes: ¿Quina diferència hi ha entre informació i comunicació? ¿Quina és la "salut comunicativa" de les religions? ¿Què són les "estructures d'acollida"? ¿Per què han fallat els pronòstics sobre la fi de la religió? ¿Són cristianes, les arrels de Catalunya? ¿Què pretén amb els seus llibres?





«Se não há comunicação não há ser humano.»

«A informação é a base material para que haja comunicação. O ser humano é aquele que passa da informação ao comunicacional.»

«Comunicação, comunhão e comunidade – são, então, os três aspectos da matriz do intercâmbio cordial que faz o ser humano ser ser humano.»

«As Religiões deveriam ser os grandes factores comunicativos. Mas, em vez de procurarem a comunicação, procuram a informação - sob a forma de códigos, sob a forma de proibições, sob a forma de atitudes juridicistas, etc.»

«As religiões o que fazem é acolher, ou de uma maneira humanizadora, ou de um maneira desumanizadora. Só será humanizadora quando é capaz de dar o passo de ‘infante’ (o que encara, mas não fala) a um ser capaz de expressar-se, de falar, de re-criar o recebido

«Do ponto de vista histórico, a história dos Reis da Catalunha é cristã, mas dum ponto de vista estrutural não. Não passa de aspectos conformes com o religioso e o cultural do cristianismo histórico-cultural

«Os meus textos são, em primeiro lugar, um colocar-me em questão, uma auto-crítica, e depois uma crítica a um mundo que não voltará mais».



L'auditori de l'Associació CIC va acollir la presentació de l'últim llibre de l'antropòleg i teòleg Lluís Duch, "Religió i comunicació" [més informació. http://www.fragmenta.cat/ca/cataleg/assaig/16416]. Hi van intervenir Ignasi Moreta, professor d'Humanitats (UPF) i editor de Fragmenta, Ramon M. Nogués, catedràtic emèrit de biologia (UAB), Anna Pagès, professora titular de filosofia de l'educació (URL), Antoni Puigverd, escriptor i col·laborador de La Vanguardia, Miquel Tresserras, degà de la Facultat de Comunicació Blanquerna (URL) i l'autor.
Vegeu la versió sencera de l'acte a:
http://www.vimeo.com/26571186