teologia para leigos

26 de agosto de 2011

ABORTO PERDOADO... SÓ COM «CONSULTA PAPAL» MARCADA


Dois pesos e duas medidas:
o aborto perdoado em Madrid
Ivone Gebara






É com muito constrangimento que muitas mulheres católicas leram a noticia publicada em vários jornais nesse último final de semana de que a Arquidiocese de Madri com aprovação papal autorizou a concessão do perdão e indulgência plenária às mulheres que confessarem o aborto por ocasião da visita do papa. A impressão que tivemos é que o papa, o Vaticano e alguns bispos gostam de brincadeiras de mau gosto com as mulheres. Não sabemos em que mundo esses homens vivem, quem pensam que são e quem pensam que somos!

Primeiro, concedem o perdão a quem pode viajar para assistir a missa do papa e passar pelo "confessionódromo" ou pelo conjunto de duzentos confessionários brancos instalados numa grande Praça pública de Madri chamada "Parque do Retiro". O perdão deste "pecado" tem local, dia e hora marcada. Custa apenas uma viagem a Madri para estar diante do papa! Quem não faria o esforço para tão grande privilégio? Basta ter dinheiro para viajar e pagar a estadia em algum hotel de Madri que o perdão poderá ser alcançado. Por isso nos perguntamos: que alianças a prática do perdão na Igreja tem com o capitalismo atual? Como se pode viver tal reducionismo teológico e existencial? Quem está tirando benefícios com esse comportamento?



Carta de Indulgência, JMJ, Madrid 2011



Segundo, têm o desplante de afirmar que o perdão deste "crime hediondo" como eles costumam afirmar, é dado apenas por ocasião da visita do papa para que nessa mesma ocasião as fiéis pecadoras obtenham "os frutos da divina graça" confessando o seu pecado. Como entender que uma falta é perdoada apenas quando a autoridade máxima está presente? Não estariam reforçando o velho e decadente modelo imperial do papado? Quando o Imperador está presente tudo é possível até mesmo a expressão da contradição em seu sistema penal.

Não quero retomar os argumentos que muitas de nós mulheres sensíveis às nossas próprias dores temos repetido ao longo de muitos anos numa breve reflexão como esta. Mas esse acontecimento papal madrilenho, infelizmente, só mostra mais uma vez, um lado ainda bastante vivo no Vaticano, ou seja, o lado das querelas medievais em que questões absolutamente sem peso na vida humana eram discutidas. E mais, demonstra desconhecer as dores femininas, desconhecer os dramas que situações de violência provocam em nossos corpos e corações.





Ao conceder o perdão ao "crime" do aborto na linguagem que sempre usaram, de forma elitista revelam o rosto ambíguo da instituição religiosa capaz de ceder ao aparato triunfalista quando sua credibilidade está em jogo. Podem abençoar tropas para matar inocentes, enviar sacerdotes como capelães militares em guerras sempre sujas, fazer afirmações públicas em defesa da instituição condenando pobres e oprimidas, abrir exceções à regra de seus comportamentos para atrair jovens alienados dos grandes problemas do mundo ao rebanho do Papa. A lista dos usos e costumes transgressores de suas próprias leis é enorme...


Por que reduzir a vida cristã a pão e circo? Por que dar um espetáculo de magnanimidade em meio a corrupção dos costumes? Por que criar ilusões sobre o perdão quando o dia a dia das mulheres é cheio de perseguições e proibições às suas escolhas e competências?

Somos convidadas/os a pensar no aspecto nefasto da posição do papa e dos bispos que se aliaram a ele. O papa não concedeu perdão e indulgência total ou plena "urbi et orbi", isto é, para todas as mulheres que fizeram aborto, mas apenas àquelas que se confessaram naquele momento preciso e por ocasião da visita do papa à Espanha. Não é mais uma vez a utilização das consciências especialmente das mulheres para fins de expansionismo de seu modelo perverso de bondade? Não é mais uma vez abrir concessões obedecendo a uma lógica autoritária que quer restaurar os antigos privilégios da Igreja em alguns países europeus? Não é uma forma de querer comprar as mulheres confundindo-as diante da pretensa magnanimidade dos hierarcas?

Será que as autoridades constituídas na Igreja Católica e de outras Igrejas são ainda cristãs? São ainda seguidoras dos valores éticos humanistas que norteiam o respeito a todas as vidas e em especial à vida das mulheres?

Creio que mais uma vez somos convocadas/os a expressar publicamente nosso sentimento de repúdio à utilização da vida de tantas mulheres como pretexto de magnanimidade do coração papal. Somos convidadas/os a tornar pública a corrupção dos costumes em todas as nossas instituições inclusive naquelas que representam publicamente nossas crenças religiosas. Somos convidadas/os a ser o corpo visível de nossas crenças e opções.

Fazendo isso, não somos melhores do que ninguém. Somos todas pecadoras e pecadores capazes de ferir uns aos outros, capazes de hipocrisia e mentira, de crueldade e crueldade refinada.

Mas, também somos capazes de dividir nosso pão, de acolher a abandonada, de cobrir o nu, de visitar o prisioneiro, de chamar Herodes de raposa. Somos essa mistura, expressão de nosso eu, de nossos deuses, dos espinhos em nossa carne convidando-nos e convocando-nos a viver para além das fachadas atrás das quais gostamos de nos esconder.


23 de Agosto de 2011
(por ADITAL)
A teóloga Ivone Gebara é doutora em Filosofia pela Universidade Católica de São Paulo e em Ciências Religiosas pela Universidade Católica de Louvain, na Bélgica. Pelo CEBI, colaborou no livro Terra: Eco Sagrado.
Confira também

25 de agosto de 2011

ROMA - O PROTAGONISMO COMO RESPOSTA À CRISE 1/2

1/2


O Pontificado de João Paulo II
&
a Globalização




O pontificado de João Paulo II [1978-2005] marcou uma nova fase do desenvolvimento do catolicismo, no âmbito do processo actual da globalização. Não se trata apenas de uma nova época cronológica, mas de uma mudança de carácter e de orientação. Os grandes desafios e oportunidades do final da ‘guerra fria’ e o começo duma era planetária, foram assumidos por João Paulo II, aos quais procurou responder com uma renovada influência da Igreja Católica na sociedade e com uma reestruturação interna num contexto de globalização.

A análise do último pontificado ajuda a clarificar a resposta do catolicismo aos novos desafios do terceiro milénio. No que diz respeito ao papel mundial do Papado, João Paulo II foi um papa popular, convocou grandes massas e manipulou com mestria a cultura dos meios de comunicação social, através de mais de cem viagens internacionais, de mais de uma dúzia de encíclicas e inúmeros documentos. Foi um papa viajante e transbordante, com uma enorme força física e moral, capaz de tomar posições contra a corrente e com convicções claras. Daí o respeito que produziu em inúmeras pessoas, crentes ou não crentes. O papel de Roma como centro do catolicismo tinha de adquirir uma dimensão nova. O novo estilo de pontificado combina pluralidade e relativismo (próprios da pós-modernidade) com o reforço da ortodoxia e da identidade colectiva, que é o que mais preocupa às correntes tradicionalistas. Buscou uma circunscrição clara da especificidade católica, no contexto ecuménico duma sociedade planetária, de aceitação da pluralidade ao nível mundial e o fortalecimento da unidade no âmbito interno do catolicismo.


JP II na Polónia, com Lech Walesa

Internacionalmente, este pontificado desempenhou um papel importante na queda do comunismo na Europa, mediou o conflito entre a Argentina e o Chile (1978), pronunciou-se contra a Guerra do Golfo (1991), do Kosovo (1999) e do Afeganistão (2001), denunciou a invasão do Iraque (2003), defendeu o Povo Palestiniano apesar de reconhecer o Estado de Israel (1994). Daí, a sua popularidade como agente da paz, o que lhe valeu ser proposto para Prémio Nobel. Politicamente, a sua postura foi clara. Não apoiou os cristãos comprometidos com governos de esquerda ou de influência comunista, como aconteceu na Nicarágua em 1983 e foi condescendente com ditaduras de direita, como a de Pinochet (1987) ou a da Argentina, com Videla (1982), recusando condenar explicitamente estes regimes. Exerceu actividade política na Polónia e reconheceu, em seguida, o Estado croata católico (1991). A política internacional do Vaticano nunca foi neutral, tendo sido mais condescendente com a direita capitalista do que com os governos socialistas. Porém mostrou-se com autonomia própria e com capacidade crítica face às grandes potências.

Nos fora internacionais alinhou ao lado de regimes autoritários, incluindo os islâmicos e comunistas, para opor-se ao controlo da natalidade, às medidas profilácticas contra a Sida, às pretensões dos homossexuais e a mudanças no modelo tradicional da família. A sua política de alianças foi marcada por uma clara identificação com a teologia e moral católicas, contudo aliou-se a governos, os mais antagónicos entre si possível, desde que defendessem, em pontos concretos, políticas favoráveis ao Vaticano. Nos fora internacionais, sempre defendeu a moral tradicional. A sua atitude restritiva em matéria moral influenciou também as questões jurídicas. Foi durante o seu pontificado que o número de convenções das Nações Unidas que não foram ratificados pelo Vaticano mais subiu, o mesmo acontecendo com muitos acordos sobre os direitos humanos. O papel internacional do Vaticano cresceu na segunda metade do século XX e o Papado alcançou uma enorme influência internacional, conferindo ao catolicismo uma capacidade de resposta a nível mundial que faltou a outras confissões cristãs. 


Cúria romana

Contudo, criticou-se a abstracção da sua doutrina social, o tom vago das suas denúncias dos governos ocidentais e dos fora internacionais. Os escândalos financeiros, como o do Instituto das Obras Religiosas, com Marcinkus (1981) e o do Banco Ambrosiano, com Calvi (1982), fragilizaram o seu pontificado. Na Nova Constituição Política do Estado do Vaticano (2001) manteve a concentração dos poderes judicial, legislativo e executivo na mesma figura, sem separar o Pontífice do Chefe de Estado. O Vaticano, ao nível constitucional, é um dos últimos governos absolutistas do mundo, sem separação de poderes, e sem constituição democrática.





Roberto Calvi e Banco Ambrosiano

Somou muitos críticos ao seu pontificado, acusando, este, de ser uma forma de «autoritarismo democrático». Segundo a opinião de U. Beck, isso consubstancia-se numa liderança baseada na comunicação social e no apoio das maiorias; numa capacidade carismática e no controlo tecnológico das massas; numa modernização de estruturas institucionais e na diminuição da participação dos indivíduos; na exaltação da pessoa e na perda administrativa da autonomia. João Paulo II impregnou o catolicismo com a sua personalidade, mas o apoio popular à sua pessoa, que irradiou bem para lá dos católicos, não foi acompanhado de uma identificação com o seu programa religioso e moral. À luz do Vaticano, é controversa a sua actuação, sobretudo pela sua visão pessoal da Igreja. O Catecismo Universal (1992) e o novo Código do Direito Canónico (1983) sintetizam a sua concepção teológica nesta matéria.


Caminho Neo-Catecumenal

Mas, temos que analisar as linhas mestras do seu pontificado à luz da sua origem e pertença. A Igreja polaca não conheceu a pos-modernidade, nem se preparou para a globalização. A unidade era uma condição da sua sobrevivência. Ela sempre colocou o acento tónico na autoridade, na disciplina e na homogeneidade doutrinal como forma de se defender do acossar governamental. A questão foi querer transferir essas linhas de actuação para a igreja universal situada num outro contexto histórico.

A postura assumida, filha de abertura controlada e de governo autoritário, travou o diálogo com as outras confissões religiosas. Gestos ecuménicos, tais como os encontros de Assis ou o diálogo com os ortodoxos e protestantes definharam por causa de documentos muito à defensiva, por causa de atritos com o Conselho Ecuménico das Igrejas e por causa de problemas com os Patriarcados Orientais. O ecumenismo não avançou e o Papado continua a ser o grande impedimento para a união dos cristãos, como o reconheceram Paulo VI (1967) e João Paulo II (Card. J Ratzinger, 1985). (cf. Apêndice Documental)


[‘Historia del cristianismo’, Vol. IV, Trotta, pp.470-473]


Juan Antonio Estrada


Apêndice documental

«O Papa é ‘indubitavelmente o obstáculo maior no caminho do ecumenismo’» (Paulo VI, ASS 59 [1967], 497)

«Teve uma grande repercussão ecuménica a posição de Karl Rahner e H. Fries: “Para lá disso, deveria implantar-se um princípio de fé realista: nenhuma igreja particular pode decidir nem recusar como contrário à fé qualquer terminologia que outra igreja professe como dogma obrigatório. Além do mais, (…) o que numa igreja particular é confissão expressa e positiva não pode impor-se como dogma obrigatório a outra igreja particular, mas que deve relegar-se para um consenso futuro». (‘La unión de las iglesias’, Tesis II, Herder, Barcelona, 1987, p. 38)

«Dito de outro modo: Roma não deve exigir do Oriente uma doutrina do primado distinta da que foi vivida e formulada no primeiro milénio. […] Quanto a esta questão, a união poderia conseguir-se assim: por um lado, o Oriente desistindo de considerar heresia a evolução ocidental do segundo milénio e aceitando como correcta e ortodoxa a modelação que a igreja católica foi adquirindo ao longo dessa evolução. Por outro, o Ocidente deveria reconhecer como ortodoxa e correcta a igreja do Oriente, sob a forma que quis para si.» (Cardeal J. Ratzinger, ‘Teoria de los principios teológicos’, Herder, Barcelona, 1985, pp.238-239)

ROMA - O PROTAGONISMO COMO RESPOSTA À CRISE 2/2

2/2


O Pontificado de João Paulo II
&
a Globalização



João Paulo II com a Igreja Ortodoxa grega




Os pedidos de perdão por faltas graves cometidas no passado, como aquando do Jubileu de 2000, não tiverem consequências no plano da auto-crítica institucional, nem na modificação das relações com os outros cristianismos. Para além disso, João Paulo II projectou uma imagem do ‘primado’ muito distante da função daquele que ‘preside à comunhão das igrejas’, isto se tomarmos em conta a perspectiva dos cinco Patriarcados e a dos Concílios Ecuménicos. A sua concepção de Igreja foi mais a do Sumo Pontífice, como representante directo de Cristo. A sua concepção do Papado está mais perto da do Vaticano I e a colegialidade apenas desempenhou algum papel em escassos anos do seu governo. Se é verdade que a globalização favorece a pluralidade de centros de poder, o desenvolvimento do catolicismo foi numa direcção contrária a esse processo.




O actual modelo carece de aceitação a nível global e crescem as críticas à sua actual forma. É necessário distinguir entre Primado Universal, papel como Patriarca do Ocidente e Bispo de Roma, sem misturas ou mesclas. O âmbito de influência aumenta à medida que diminui o espaço em que é exercido. Impõe-se uma diminuição dos poderes do primado a nível universal em benefício da colegialidade e da sinonidade, de modo a que o modelo organizativo seja mais assumido por outras confissões, especialmente os ortodoxos e os anglicanos. Só assim seria possível que outras confissões aceitassem o primado com a garantia de que, na mesma, podiam conservar a sua autonomia e competências ao lado de um governo central mais restrito. O cristianismo do primeiro milénio esteve marcado pelo sistema patriarcal, o qual, na igreja antiga, assentava em cinco patriarcados. Cada um deles tinha autonomia institucional, litúrgica e sacramental, legislativa e disciplinar, o que permitia uma eclesiologia de comunhão. É este modelo organizativo que as igrejas ortodoxas reivindicam, o qual também seria aceitável por parte de algumas igrejas protestantes. Poder-se-iam constituir novos patriarcados na África, na Ásia e na América, abrindo espaço para as diferenças e especificidades culturais. Não se compreende que uma igreja não europeia tenha que assumir um modelo de cristianismo europeu.


Opus Dei


João Paulo II percebeu a importância da globalização e fez, da América, a reserva demográfica do catolicismo, o centro da sua atenção. Porém, as suas actuações correspondiam a uma mais que evidente concepção monárquica da Igreja. Optou por afirmar o seu papel como «bispo universal», por reforçar o controlo da cúria romana sobre as igrejas nacionais e apresentar-se como o papa que admoesta, supervisiona e controla, sublinhando ainda mais a dependência das conferências episcopais. A alternativa teria sido reforçar a colegialidade e a Igreja como ‘comunhão’, ouvindo o que as diversas igrejas tivessem a dizer do governo romano central. Depois do Vaticano II proliferaram textos sobre eclesiologia de comunhão, inculturação e validade do princípio da subsidiariedade, o qual exige que aquilo que se pode resolver localmente não deve ser levado a instâncias mais altas. Porém, de facto, o centralismo aprimorou-se e a modernização foi usada para conferir mais poder e mais controlo às congregações romanas, à custa dos episcopados nacionais. Foram, igualmente, polémicas as nomeações de bispos sem a consulta tradicional das instâncias locais e as intervenções nas ordens religiosas nas costas dos superiores e dos capítulos. Como resultado, aconteceu o congelamento do ecumenismo, o qual não aceita a ideia dum bispo universal e o definhamento dos episcopados nacionais.


«Santo subito...»



Para além disso, num contexto de globalização, as viagens papais correram o perigo de cair na dinâmica pós-moderna, a qual acentua uma comunicação de tipo afectivo, a identificação das massas com o líder, a atracção pelo espectáculo e pela montagem mediática. Sempre que há identificação com o papa e secundarização dos conteúdos da sua pregação, perde-se o testemunho eclesial e fracassa a intenção de confirmar na Fé. A cultura dos meios de comunicação favorece impactos pontuais pouco duradouros. O que se impõe é o evento que tem impacto na opinião pública, mas que deixa para trás a mensagem ideológica que se quer transmitir. O sentimento de pertença e o reforço da coesão eclesial acentuam-se na experiência do encontro em si, mas tudo isso torna-se efémero se não fizer parte dum projecto partilhado e participado.



Caminho Neo-Catecumenal em Amesterdão

 
É evidente um grande contraste entre uma Igreja marcada por grandes eventos de massas (e que o mostrou a todo o mundo) e a paulatina crise do catolicismo que perdeu capacidade de recrutamento e de influência doutrinal, sobretudo na Europa.

O papel do Papa valorizou-se em tempos de globalização, já que um mundo plural e universal compagina-se com uma autoridade última que sirva de referência a toda a gente. Se o papado, no catolicismo, se converteu numa instituição desmesurada que abafou outras estruturas organizativas, no protestantismo escasseia uma autoridade com valor supra-local que impeça um pluralismo que degenere numa crise de identidade.

A globalização é uma nova oportunidade para a convergência das igrejas. Os desafios da Nova Evangelização, de João Paulo II aquando do jubileu do ano 2000, centram-se, também, no diálogo com o humanismo não religioso, agnóstico e ateu. O ecumenismo e a aceitação da liberdade religiosa em Estados laicos colocam, também, desafios iniludíveis. Há que enraizar as igrejas em sociedades secularizadas, com Estados laicistas e com uma crescente influência de cidadãos sem igrejas.

Só um cristianismo unido pode afrontar com êxito o ingente labor de evangelizar sociedades secularizadas, a missão em países não cristãos e a crescente penetração das seitas que erosionam a base popular das grandes igrejas. Esta complexidade institucional, cultural e histórica favorece centros eclesiais de deliberação e comunicação, nos quais o Papado reformado poderia representar um papel.

[‘Historia del cristianismo’, Vol. IV, Trotta, pp.473-475]


Juan Antonio Estrada



Apêndice documental

«O Papa é ‘indubitavelmente o obstáculo maior no caminho do ecumenismo’» (Paulo VI, ASS 59 [1967], 497)

«Teve uma grande repercussão ecuménica a posição de Karl Rahner e H. Fries: “Para lá disso, deveria implantar-se um princípio de fé realista: nenhuma igreja particular pode decidir nem recusar como contrário à fé qualquer terminologia que outra igreja professe como dogma obrigatório. Além do mais, (…) o que numa igreja particular é confissão expressa e positiva não pode impor-se como dogma obrigatório a outra igreja particular, mas que deve relegar-se para um consenso futuro». (‘La unión de las iglesias’, Tesis II, Herder, Barcelona, 1987, p. 38)

«Dito de outro modo: Roma não deve exigir do Oriente uma doutrina do primado distinta da que foi vivida e formulada no primeiro milénio. […] Quanto a esta questão, a união poderia conseguir-se assim: por um lado, o Oriente desistindo de considerar heresia a evolução ocidental do segundo milénio e aceitando como correcta e ortodoxa a modelação que a igreja católica foi adquirindo ao longo dessa evolução. Por outro, o Ocidente deveria reconhecer como ortodoxa e correcta a igreja do Oriente, sob a forma que quis para si.» (Cardeal J. Ratzinger, ‘Teoria de los principios teológicos’, Herder, Barcelona, 1985, pp.238-239)


24 de agosto de 2011

IGREJA TENTADA PELO TRIUNFALISMO DO PASSADO

«as Acampadas católicas...»


Entrevista: a José Alvilares, sacerdote, catedrático y autor de 'Penitencia pública'



José Alvilares


"La JMJ es el cristianismo como espectáculo,
que Jesús rechazó en las tentaciones"


"Antes, durante y después de Rouco y Benedicto, Dios"




Sigue siendo verdad lo del teólogo Ratzinger:
"Hoy la Iglesia se ha convertido para muchos en el principal obstáculo para la fe"



Bento XVI recebe 40 Empresários-Mecenas das Jornadas M. Juventude, com card. Rouco à sua direita - Papa abençoa o 'sistema neo-liberal'; o 'sistema explorador' precisa da confirmação da Religião...

 
 (José Manuel Vidal).- Todavía quedan en la Iglesia voces proféticas y libres, capaces de disentir y de ir contracorriente. El sacerdote y catedrático de Filosofía lucense Xosé Alvilares acaba de publicar 'Penitencia pública'. Un libro de un indignado sereno. Una denuncia argumentada de la involución eclesial española, encarnada por el cardenal Rouco Varela, que olvida el modelo del Vaticano II para regresar a una Iglesia del poder. De ahí que se permita incluso nombrar a su propio sobrino como obispo de Lugo, al que califica de "ejercicio de poder clerical que sobrepasa toda medida".  Tacha la JMJ de "exhibición de poder" y de "cristianismo de espectáculo".


¿Su libro 'Pentencia pública' es una obra contra el cardenal Rouco o una crítica a la política clerical que él dirige y gestiona desde hace más de una década?
El libro "Penitencia pública", publicado en Lugo en marzo pasado, intenta una crítica "teológica" a la intervención "clientelar" de Don Antonio Mª Rouco Varela, arzobispo de Madrid, en el nombramiento de su sobrino Don Alfonso Carrasco Rouco como obispo de Lugo, a espalda de la diócesis. La "toma de posesión" triunfal de la misma con un banquete para seiscientos invitados -de ellos casi treinta obispos de su facción en la conferencia episcopal-, es la expresión de una idea patrimonial de la iglesia. La crítica teológica atiende, asimismo, a la influencia de esa mentalidad arcaica del señor Rouco, opuesta a la teología del concilio Vaticano II, en la dirección de la Conferencia episcopal española.


¿Por qué lo escribió?
Han inspirado ese libro dos tipos de razones. Teológicas, las primeras. Ningún poder, ni el episcopal, "representa" a Dios, puede hacer las veces de Dios, no es poder absoluto. Dice Rahner: "Dios nunca es propiedad privada de la Iglesia o de la teología". Y Max Horkheimer: Dios no "tiene que ver con el poder, sino con el no poder que resiste al poder". Otras razones, eclesiológicas: la Iglesia no es "rebaño episcopal", sino pueblo de reyes, sacerdocio santo, pueblo de la propiedad de Dios. El último Concilio abandonó la idea de la encíclica "Vehementer nos" (1907) de Pío X: "El deber del rebaño es cumplir con sumisión las órdenes de los pastores". Todos los bautizados participan de los "poderes" mesiánicos de Cristo, sacerdotal, profético y regio.


¿A quiénes va dirigido?
Los destinatarios del libro son cuantos, en nuestra diócesis de Lugo y en España, padecen este modo de ejercer el "poder" por parte de los distintos miembros de la llamada Conferencia episcopal española, que sustituye a Dios y mantiene a los fieles en minoría de edad permanente.


o 'Restauracionismo' católico...

¿Sigue sumida nuestra Iglesia en el "invierno" que ya denunciara Rahner hace varias décadas?
La iglesia continúa en tiempos de invierno. ¿Qué quiso decir Rahner con la expresión "la fe en tiempos de invierno"? El mismo dice: "Es terriblemente difícil dar una respuesta adecuada a esta pregunta". Pero antes había apuntado "Si la cristiandad poseyera realmente el punto de radicalismo que objetivamente le corresponde sería primavera en la Iglesia". Su discípulo J.B.Metz contrapone "radicalismo evangélico" a "rigorismo legal". En ese sentido "invierno eclesial" vendría a ser la vuelta al "legalismo", al "ritualismo" y al "espiritualismo" que el Vaticano II había tratado de evitar, dejando a un lado el radicalismo evangélico. El hombre real, su situación, "sus gozos y esperanzas" es otra vez olvidado y postpuesto. La ley suplanta al Evangelio.



Jesus disse: «Que entre vós não seja assim...»


¿Por qué los jerarcas de nuestra Iglesia quieren desactivar la esperanza de la primavera del Concilio Vaticano II?
Desactivar la esperanza es la condición para aceptar y someterse a lo presente, pues la esperanza es siempre crítica por ser utópica. El afán del poder es mantener el conformismo.


¿Cuál es el alcance de la restauración? ¿No se ha ido ya el péndulo eclesiástico demasiado a la derecha y, quieran o no en Roma, tendrá que volver al centro?
El alcance de la "restauración" consiste en recuperar el poder clerical, de ahí el nombramiento de obispos a espaldas del pueblo. O el cultivo episcopal de lo que llaman "movimientos" -opus, quicos, comunión y liberación, etc-, que fingen ser pueblo y lo suplantan. La oposición en la Iglesia, más que entre derechas e izquierdas, se da entre clericalismo y secularidad.


¿El cambio en la Iglesia vendrá desde abajo o desde arriba?
Hay un cambio social, ambiental, comunitario, en la Iglesia que produjo el Concilio y que es indestructible. Hay un ejercicio de la libertad en el pensamiento y en el lenguaje entre los cristianos evidente que antes no había. Baste observar los libros publicados por las editoriales "religiosas", Sígueme, PPC, Sal terrae, Verbo divino, Trotta, etc. El cambio viene de todas partes. Lento, sin duda.


¿Es esperable ese cambio a corto plazo o, más bien, hay que esperarlo a medio o a largo plazo?
"Habla, no escucha; enseña, no aprende" se decía de algún papa viajero. La Iglesia necesita, sobre todo, escuchar y aprender. Por eso sigue siendo verdad lo del teólogo Ratzinger: "Hoy la Iglesia se ha convertido para muchos en el principal obstáculo para la fe."


¿Ha caído la Iglesia de nuevo en la tentación del poder? ¿El nombramiento del sobrino de Rouco para la diócesis de Lugo encaja en esa dinámica del poder?
El nombramiento del sobrino de Rouco como obispo de Lugo es un caso asombroso, por muchas razones, de un ejercicio del poder clerical que sobrepasa toda medida. Es, además, un caso de inconsciencia. ¿Cómo es posible que el autor de tal esperpento no haya caído en la cuenta del descrédito público en que lo iba a colocar su petulancia? Incluso entre sus partidarios.


¿Qué le parece la Jornada Mundial de la Juventud? ¿Irá a Madrid a ver al Papa?
Los llamados "viajes pastorales" del Papa hacen de éste el único llamado a proclamar el Evangelio -sólo él es la Iglesia-, pero, además, lo hacen representante de Dios. Por su parte, las concentraciones mundiales de la juventud son exhibición de un "poder" mundial y mundano que choca con el más reconocido espíritu del Evangelio. "Mirad que no hagáis vuestra justicia delante de los hombres para que os vean, porque entonces no tenéis mérito ante vuestra Padre que está en los cielos." (Mateo, 6, 1) Es el Cristianismo como espectáculo, que Jesús rechazó en las tentaciones.


¿Qué opinión le merece Benedicto XVI como teólogo y como Papa?
La obra teológica de Ratzinger, según el mismo confiesa en su libro "Mi vida", se reduce a un tratado de Escatología, para la Dogmática de Auer. Más importancia que su obra teológica escrita, tiene su actividad teológica como Prefecto de la Sagrada Congregación para la Doctrina de la fe. El hecho más conocido de esa actividad fue la persecución de la Teología de la liberación, pero también han merecido sus cuidados otras como la teología política de Metz, la teología trascendental de Rahner y centenares de otros teólogos. No carece de interés recordar que la Facultad de teología del Opus de la universidad de Navarra le dio el doctorado "honoris causa" en teología. Como papa, Benedicto XVI recupera la época que Karl Rahner llamó "época piana". "La Iglesia 'piana' ha sucumbido a la tentación de afirmarse en su propio ser, de mantener su estilo autárquico de vida, su mentalidad integrista y conservadora, monolítica, jerárquica y clerical".



Card. Rouco Varela - os interesses inconfessados à juventude - a 'sombra' tenebrosa dos interesses

 
Y después de Rouco y de Benedicto, ¿qué?
Antes, durante y después de Rouco y Benedicto, Dios. La novedad estará en que a Dios le quedará, después de ambos, más espacio.



José Manuel Vidal,
PERIODISTA DIGITAL,
2 de Agosto de 2011



JMJ, «pára-águas» de mais:

JMJ & a apoteose de «Os Kikos» com card. Rouco, depois da partida do Papa:

Câmara Municipal de Madrid colabora c/ JMJ:

JMJ e o Guiness-Book:





JMJ e os corredores da «política vaticana» em Espanha:

JMJ & «Quatro Ventos» - a ‘quádrupla aliança’: Igreja, Governo, Forças Armadas e Empresários: