teologia para leigos

27 de julho de 2011

EXTREMA-DIREITA E EUROPA EM CRISE




Polícias estão atentos
à extrema-direita em Portugal



Profanação de cemitério norueguês por neo-nazis


A recente filial (chapter) dos Hells Angels Motor Club (HAMC) em Portugal – HAMC Darkland, sul de Lisboa –, reconhecida pela casa mãe a 14 de Maio de 2011, e a criação, em 2010, da HAMC Silvercoast-Aveiro, aceite a 7 de Março de 2010 – são uma indicação de que os movimentos ideologicamente conotados com a extrema-direita estão para ficar em Portugal.

Actualmente, apenas os Hammerskins (PHS-Portuguese Ammerskins), liderados por Mário Machado, e alguns grupos de motociclistas como os Road Wolves, além dos Hell Angels, estão verdadeiramente activos no nosso país, com destaque para estes últimos. Em Portugal, os HAMC têm cinco filiais – Darkland, Silvercoast, Lisbon (Lisboa), Southside (Setúbal) e Nomads (Algarve), mas na Europa são 182 chapters.

A Europol confirmou ao jornal i que estes grupos classificados como Outlaw Motorcycle Club Gangs (OMCG), «estão presentes em Portugal» e referem, num relatório de 2011, que a Europa é o continente com o maior aumento de filiais de OMCG, com destaque para os Bandits e os Hells Angels.

Os nacionalistas e simpatizantes da extrema-direita continuam a organizar-se em fóruns na internet e numa série de blogs de tendências mais ou menos radicais. Um ramalhete que as forças de segurança não consideram preocupante. Por exemplo, a tentativa de trazer o movimento supremacista norte-americano Volksfront para Portugal foi bem sucedida (o movimento apenas se expandiu para Espanha, Portugal, Alemanha, Austrália e Canadá), mas actualmente já só restam meia dúzia de membros. (…)

Outra preocupação das autoridades é o Partido Nacional Renovador (PNR). Apesar de o seu líder, José Pinto Coelho, negar qualquer relação com extremismos, a Polícia Judiciária tem identificados vários activistas do PNR suspeitos de actividades relacionadas com grupos radicais, como é o caso de um candidato autárquico do PNR, de um dirigente da juventude e do Conselho Nacional, todos do PHS (PHS-Portuguese Ammerskins).

Segundo se lê no último relatório de segurança interna, «continua a ser notada a actividade de entidades e indivíduos que defendem perspectivas ideológicas extremistas, fundadas na violência política sobre o sistema e, no caso da extrema-direita skin-head neonazi, do racismo e da xenofobia

Augusto Freitas de Sousa, jornalista
Publicado em Jornal-i, 27:VII:2011, p.17

FRANCESCO ALBERONI - SOBRE A LIBERDADE E A GANÂNCIA



Já não é possível distinguir
liberdade e poder discricionário




A especulação que sufoca com as suas tenazes estados inteiros forçando-os a aumentar os impostos pagos pelos cidadãos e a despedir funcionários públicos, que provoca o aumento do preço dos cereais levando a fome a muitos países, resulta da ganância.

Ganância por dinheiro, por quantias cada vez maiores, mesmo à custa de prejudicar todos os outros. Em economia já se ensinou que o empresário enriquece através da criação de emprego, melhorando com isso a vida de todos, mas hoje, no mundo globalizado da técnica, isto já não se aplica porque o progresso técnico permitiu que surgissem enormes potências económicas, de total insensibilidade, que tomam aos outros sem nada dar em troca.

E os estados ainda não aprenderam a fazer-lhes frente. Comportam-se como os médicos de outros tempos, que tratavam qualquer maleita com sangrias, enfraquecendo ainda mais o doente.

A palavra "ganância" pode ter sido expulsa da linguagem económica, mas continua a existir na velha linguagem da moral, que condena os excessos e a desmesura, os avarentos como os pródigos, os cobardes como os temerários.

Mas o que caracterizará melhor a modernidade que a desmesura? Desmesura da população, da produção, do lixo. No cinema, nos videojogos, na música, desmesura dos efeitos especiais; desmesura nos concertos rock, na noite, no consumo de drogas, nas máfias que em todo o mundo dominam sectores inteiros da economia. Desmesura nas despesas do Estado, para fins militares ou para todos os que solicitam subsídios injustificados, reformas aos 30 anos e privilégios para políticos de todos os tipos, mesmo que isso obrigue os países a acumular dívidas imensas.

Estou convencido que as dificuldades dos estados em controlar a especulação mundial resultam do próprio facto de termos deixado de dispor das categorias morais que permitiam impor limites entre a liberdade e a arbitrariedade. Ficamos horrorizados quando estudamos a história antiga e vemos que os conquistadores invadiam, saqueavam e destruíam países inteiros, mas assistimos indiferentes à pilhagem económica de um estado e de um povo por outro. Crescemos numa sociedade livre e liberal e isso tira-nos a coragem de dizer que devia ser imposto um limite à livre compra e venda de bens. O princípio parece-nos sagrado, inviolável. No entanto, tivemos a coragem de proibir a compra e a venda de seres humanos, de abolir o comércio de escravos.

Quanto tempo será preciso para arranjarmos coragem de proibir comportamentos que até há bem pouco tempo podem ter sido factores de progresso, mas neste momento se tornaram catastróficos?

Talvez devamos começar por nos convencer de que a ganância e a desmesura são vícios que não podem deixar de nos conduzir à ruína.

Francesco Alberoni, sociólogo
Jornal i-online,
26:VII:2011


25 de julho de 2011

NO CAMINHO DE JESUS - JA PAGOLA


 
Também a ti…


Também a ti te pode acontecer o que aconteceu a muitos outros. Por vezes, sentes-te quase «perdido».

Há muita gente que vive, hoje, assim.
Movimentam-se muito, falam sem cessar.

Vais andando e desandando pelos mil e um caminhos que, a partir de fora, te vão indicando os sinais e as modas do momento.

Pensa um pouco.
Fechado no teu próprio “ego”, não conheces o caminho que te leva ao encontro dos outros. Sem te dares conta, vives usando habilmente os outros. Raramente te deténs diante do mistério dos outros. Vives enclausurado em ti mesmo, quando o que tu precisas é encontrar um caminho que te abra às outras pessoas.

Falta-te o mais importante, que é descobrir que Jesus é um caminho que é preciso percorrer.

Vou dizer-te uma coisa que, provavelmente, desconheces.
Os primeiros cristãos não falam do cristianismo como se ele fosse uma «religião». Nunca o designam dessa maneira. O que eles encontraram em Jesus não foi uma nova religião, mas o “caminho” mais acertado para viver. Um caminho que é preciso percorrer…

Tu sabes bem o que é um “caminho”.
Às vezes, caminharás com segurança; outras, depararás com obstáculos, cansar-te-ás, e até poderás ter que retroceder. Tudo isso faz parte do caminho. Se seguires os passos de Jesus, poderás ter maus momentos, dúvidas, extravios, mas terás sempre um caminho.


J A Pagola


[foto: átrio do Convento de Santo André de Rendufe]

24 de julho de 2011

POEMA DE MANOEL DE BARROS - O menino que apertava parafusos no vento



O vidente


Primeiro o menino viu uma estrela pousada nas
pétalas da noite.
E foi contar para a turma.
A turma falou que o menino zoroava.
Logo o menino contou que viu o dia parado em cima
de uma lata
igual que um pássaro pousado sobre uma pedra.
Ele disse: Dava a impressão que a lata amparava o dia.
A turma caçoou.
Mas o menino começou a apertar parafuso no vento.
A turma falou: Mas como você pode apertar parafuso
no vento
se o vento não tem organismo.
Mas o menino afirmou que o vento tinha organismo
e continuou a apertar parafuso no vento.


Manoel de Barros, ‘Tratado Geral das Grandezas do Ínfimo’, Ed. Record [Brasil], 2001

[pintura de Júlio Resende, pormenor]

21 de julho de 2011

ENTREVISTA A TAMAYO - SOBRE AS RELIGIÕES

Juan José Tamayo-Acosta
teólogo (Amusco, Palencia, 1946-)

«O melhor das religiões é criar hereges»

 «Jesus não passaria nos critérios
de beatificação do Vaticano»


 
‘Pessoal… e transmissível’
TSF (Áudio) 37m 40s
[20:VII:2011]

20 de julho de 2011

COMUNIDADE E DIVISÃO INTERNA - O TRIGO E O JOIO

TRAVESSIA: QUERO MISERICÓRDIA E NÃO SACRIFÍCIO


Viver em Comunidade
Joio e trigo crescem juntos
[Mateus 13: 24-30]







OLHAR A PRÁTICA DA NOSSA COMUNIDADE

No círculo de hoje, vamos meditar sobre a parábola do joio e do trigo. Tanto na sociedade como na comunidade e na vida de todos nós existe tudo misturado: qualidades boas e incoerências, limites e falhas. Nas nossas comunidades se reúne gente que vem de vários cantos do Brasil, cada um com a sua história, com a sua vivência, a sua opinião, os seus anseios, as suas diferenças. Tem pessoas que não sabem conviver com as diferenças. Querem ser juiz dos outros. Acham que só elas estão certas, e os outros errados. A parábola do joio e do trigo ajuda a não cair na tentação de querer excluir da comunidade os que não pensam como nós. Vamos conversar sobre isto.

1. Como se manifesta, na nossa comunidade, a mistura do joio e do trigo?
2. Que consequências traz para a nossa vida?


OLHAR A PRÁTICA DE JESUS

1. Introdução à leitura do texto - Vamos ouvir a parábola do joio e do trigo, tirada do “Sermão das Parábolas”. Os empregados que aparecem na parábola representam certos membros da comunidade. O dono da terra representa Deus. Durante a leitura, vamos prestar atenção nas atitudes dos empregados e na reacção do Dono da terra.

2. Leitura do texto de Mateus 13, 24-30

3. Momento de silêncio

4. Perguntas para reflexão:
1) Vamos lembrar juntos a parábola que acabamos de ouvir.
2) Qual a diferença entre a atitude dos empregados e do Dono da terra?
3) Quais os critérios dos empregados e quais os critérios do Dono da terra?
4) Qual o ponto da parábola de que você mais gosta? Por quê?
5) Olhando no espelho da parábola - com quem nós nos parecemos mais? Por quê?


CELEBRAR A VIDA NA COMUNIDADE

Sugestões para a celebração:

1) Preces: O que o texto nos faz dizer a Deus? Colocar em forma de prece tudo aquilo que refletimos sobre o evangelho e sobre a nossa vida. Como refrão após cada prece digamos: “Ajudai-nos, Senhor, a acolher as diferenças!” Terminar esta parte com um Pai-Nosso.

2) Rezar um salmo. Sugestão: Salmo 32 (31) “Tu, Senhor, nos acolhestes e nos perdoaste!”


UMA AJUDA PARA O GRUPO

SITUANDO

O capítulo 13 traz o Sermão das Parábolas [seguindo o texto de Mateus; (Mc 4, 1-34)]

 Mateus omitiu a parábola da semente que germina sozinha (Mc 4, 26-29), ampliou a discussão sobre o porquê das parábolas (Mt 13, 10-17) e acrescentou as parábolas do joio e do trigo (Mt 13, 24-30), do fermento (Mt 13, 33), do tesouro (Mt 13, 44), da pérola (Mt 13, 45-46) e da rede (Mt 13, 47-50). Junto com as do semeador (Mt 13, 4-11) e do grão de mostarda (Mt 13, 31-32), são ao todo sete parábolas!

Estamos aqui no centro do Evangelho de Mateus. O coração deste centro é a parábola do joio e do trigo. É nela que aparece a recomendação mais importante para as comunidades da época.

Durante séculos, por causa da observância das leis de pureza, os judeus tinham vivido separados das outras nações. Este isolamento marcou a vida deles. Mesmo depois de convertidos, alguns continuavam nesta mesma observância que os separava dos outros. Eles queriam a pureza total. Qualquer sinal de impureza devia ser extirpado em nome de Deus. “Não pode haver tolerância com o pecado”, diziam estes. Mas outros como Paulo ensinavam como a Nova Lei de Deus trazida por Jesus estava pedindo o contrário! Eles diziam: “Não pode haver tolerância com o pecado, mas deve haver tolerância com o pecador!” A comunidade deve vencer a tentação de querer excluir os que pensam de modo diferente. Este é o pano de fundo da parábola do joio e do trigo.


COMENTANDO

Mateus 13, 24-26: A situação: joio e trigo crescem juntos. A palavra de Deus que faz nascer a comunidade é semente boa, mas dentro das comunidades sempre aparecem coisas que são contrárias à palavra de Deus. De onde vêm? Esta era a discussão. Em Mateus 13, 27-28a, a questão é: qual a causa da mistura que existe na vida? Um inimigo fez isso. Quem é este inimigo? O inimigo, o adversário, Satanás ou diabo (Mt 13, 39), é aquele que divide, que desvia. A tendência de divisão existe dentro de cada um de nós. O desejo de dominar, de se aproveitar da comunidade para subir e tantos outros desejos interesseiros são divisionistas, são do inimigo que dorme dentro de cada um de nós.

Mateus 13, 28b-30: A reacção diferente diante da ambiguidade. Diante dessa mistura do bem e do mal, alguns queriam arrancar o joio. Pensavam: “Se deixarmos todo o mundo dentro da comunidade, perdemos nossa razão de ser! Perdemos a identidade!” Queriam expulsar os que pensavam de modo diferente. Mas esta não é a decisão do Dono da terra. Ele diz: “Deixa crescer juntos até a colheita!” O que vai decidir não é o que cada um fala e diz, mas o que cada um vive e faz. É pelo fruto produzido que Deus nos julgará.

A força e o dinamismo do Reino se manifestam na comunidade. Mesmo sendo pequena e cheia de contradições, ela é um sinal do Reino. Mas ela não é dona do Reino, nem pode considerar-se justa. A parábola do joio e do trigo explica a maneira como a força do Reino age na história. É preciso ter paciência e aprender a conviver com as contradições e as diferenças, mesmo tendo uma opção clara pela justiça do Reino.


ALARGANDO

O ensino em parábolas

A parábola é um instrumento pedagógico que usa o quotidiano para mostrar como a vida nos fala de Deus. Torna a realidade transparente e faz o olhar da gente ficar contemplativo. Uma parábola aponta para as coisas da vida, e por isso mesmo, é um ensinamento aberto, pois das coisas da vida todo o mundo tem alguma experiência.

O ensinamento em parábolas faz a pessoa partir da experiência que tem: semente, sal, luz, ovelha, flor, mulher, criança, pai, rede, peixe, etc. Assim, ele torna a vida quotidiana transparente, reveladora da presença e da ação de Deus. Jesus não costumava explicar as parábolas. Geralmente, terminava com esta frase: “Quem tem ouvidos ouça” (Mt 11,15; 13,9.43). Ou seja, “É isso! Você ouviram! Agora tratem de entender!” Jesus deixava o sentido da parábola em aberto e não o determinava. Sinal de que acreditava na capacidade do povo de descobrir o sentido da parábola a partir da sua experiência de vida. De vez em quando, a pedido dos discípulos, ele explicava o sentido (Mt 13,10.36). Por exemplo, os versículos 36-43 trazem a explicação da parábola do joio e do trigo. Ela mostra como se fazia catequese naquele tempo.


As comunidades se reuniam e discutiam as parábolas de Jesus, procurando saber o que ele queria dizer.

Assim, pouco a pouco, o ensinamento aberto de Jesus começava a ser afunilado na catequese da comunidade que aceitava apenas uma explicação da parábola. Ela não tinha a mesma confiança de Jesus na capacidade do povo de entender as coisas do Reino.

(Texto extraído do livro “Travessia: Quero misericórdia e não sacrifício” – Círculos Bíblicos [12º círculo] sobre o Evangelho de Mateus – de Carlos Mesters, Mercedes Lopes e Francisco Orofino – Publicado pelo Centro de Estudos Bíblicos. Coleção a Palavra na Vida - Volume 135/136)


16 de julho de 2011

COMUNIDADE: PEQUENOS GRUPOS EM MINORIA

Como fermento




Com uma audácia desconhecida, Jesus surpreendeu a todos proclamando o que nenhum profeta de Israel se tinha atrevido a dizer: "Deus está aqui com a sua força criadora da justiça, abrindo caminho no mundo para tornar a vida de seus filhos mais humana e feliz”. É preciso mudar. Devemos aprender a viver, acreditando nessa Boa Notícia: o Reino de Deus está chegando!

Jesus falava com paixão. Muitos foram atraídos por suas palavras. Outros tinham muitas dúvidas. Tudo era uma loucura? Onde é que se podia ver o poder de Deus transformando o mundo? O que é que poderia mudar o poderoso império de Roma?

Um dia, Jesus contou uma parábola muito breve. Ela é tão pequena e humilde que, muitas vezes, pode passar despercebida para os cristãos. Ele diz: "Com o reino de Deus acontece como o fermento que uma mulher pegou e escondeu em três medidas de trigo, até ficar tudo levedado”.

Aquelas pessoas simples entendiam o que Jesus lhes falava. Todos já tinham visto suas mães fazerem pão em casa. Eles sabiam que a levedura fica "escondida”, mas não permanece inactiva. Silenciosamente, vai fermentando devagar. Dessa mesma maneira Deus está agindo desde o interior da vida.
Deus não impõe de fora, mas transforma as pessoas de dentro para fora. Ele não domina com o seu poder, mas atrai para o bem com seu amor. Não força a liberdade de ninguém, mas se oferece para tornar nossas vidas mais felizes. Então, se quisermos entrar em seu reino, temos que actuar assim.

Está começando uma nova era para a Igreja. Os cristãos teremos que aprender a viver em minoria em uma sociedade secularizada e plural. Em muitos lugares, o futuro do cristianismo dependerá, em grande parte, do nascimento de pequenos grupos de crentes, atraídos pelo evangelho e reunidos em torno de Jesus.

Aos poucos, aprenderemos a viver a fé de maneira humilde, sem fazer muito barulho, nem dar grandes espectáculos. Já não cultivaremos tantos desejos de poder, nem de prestígio. Não gastaremos nossas forças em grandes operações mediáticas. Buscaremos o essencial. Caminharemos na verdade de Jesus.

Seguindo seus desejos, tentaremos viver como "fermento" de vida saudável na sociedade e como um "sal" que, humildemente, se dilui para dar sabor evangélico à vida moderna.

Contagiaremos o nosso meio com o estilo de vida de Jesus e irradiaremos a força inspiradora e transformadora do seu Evangelho. Passaremos a vida fazendo o bem. Como Jesus.

José Antonio Pagola

15 de Julho de 2011
por Adital
[Enviado por Eclesalia Informativo. Tradução: Redação de Eclesalia].