teologia para leigos

12 de julho de 2011

POBRES - QUANTOS SÃO?

Pobreza absoluta.




É difícil saber quantos pobres há em Portugal
Novos casos apoiados pela Cáritas aumentaram 40% desde o ano passado. Perceber a dimensão da pobreza em Portugal permanece um desafio complicado, a que falta juntar vários indicadores, defendem especialistas contactados pelo i.

Um estudo para a Fundação Francisco Manuel dos Santos, divulgado ontem em Lisboa, revela que os indicadores nacionais melhoraram significativamente entre 1993 e 2008: a incidência de pobreza diminuiu 4,7%, passando de 22,5% da população para 17,8% em 2008. Para o economista João César das Neves, além de os dados serem datados, o problema está na metodologia de cálculo: "Hoje nos países desenvolvidos só são utilizados indicadores de pobreza relativa, que conta os indivíduos com rendimentos inferiores a 60% do rendimento mediano por adulto." Em 2008, segundo o estudo apresentado ontem, considerava-se limiar da pobreza um rendimento mensal de 414 euros. Esse valor subia para cerca de 870 euros no caso de uma família com dois adultos e duas crianças. "Sabemos que nos últimos meses o rendimento mediano do país diminuiu, e mesmo que a incidência se mantenha estável não significa que haja menos pobreza", reflecte César das Neves.

Calcular a pobreza absoluta passaria por fixar uma linha de rendimento mínimo e determinar quantos indivíduos ficam abaixo desse valor. Isabel Jonet, presidente do Banco Alimentar, lembra que o Instituto Nacional de Estatística já fez essa conta e que, sem as prestações sociais que incluem reformas, a pobreza absoluta em Portugal rondaria os 41%. Mas não há números actualizados e muitos indicadores, como os apoios não monetários às famílias mais desprotegidas, "não são captados pelos indicadores de pobreza tradicionais", reconhece o estudo da fundação que gere a base de dados estatísticos nacionais Pordata.

Segundo o estudo elaborado pelo investigador Carlos Farinha Rodrigues, da Universidade Técnica de Lisboa, a redução da incidência de pobreza aproximou Portugal da média europeia, um sinal mais positivo do que o encontrado para as desigualdades sociais, que se agravaram durante o mesmo período. Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portugal, diz contudo que a pobreza nacional tem algo de peculiar no universo europeu: "Muitos dos nossos pobres são pessoas que trabalham por conta de outrem, com rendimentos insuficientes." Outros, nota Isabel Jonet, somam mais de um milhão e são pensionistas com rendimentos inferiores ou iguais a 250 euros por mês.

Se o estudo da Fundação Francisco Manuel dos Santos nota que na ausência das prestações sociais e da progressividade dos impostos a incidência de pobreza seria 10% superior, Eugénio Fonseca nota ainda que, sem os contributos prestados pelas organizações civis, e no seu caso, pelas mais de 4 mil paróquias do país, a severidade da pobreza seria muito maior. Este ano só oito das Cáritas diocesanas receberam mais 40% de pedidos de apoio do que no ano passado, para um total de 25 mil famílias e 63 mil pessoas. O fundo solidário criado no ano passado pela instituição entregou desde Dezembro de 2010 cerca de 200 mil euros e na segunda quinzena de Janeiro teve de alterar as regras, uma vez que ao ritmo de solicitações as verbas iriam esgotar-se em três meses. Neste momento há pedidos no valor de 370 mil euros em lista de espera. Eugénio Fonseca adianta que os principais pedidos têm sido para o pagamento de amortizações de dívidas, propinas ou rendas de casa.

Isabel Jonet lembra um estudo realizado no ano passado em que se apurou que os pedidos de apoio junto das instituições de solidariedade aumentaram 76,6% nos últimos três anos e 49% dos beneficiários declaram ter rendimentos inferiores a 250 euros. Perante as novas medidas enunciadas no memorando de entendimento de ajuda externa, João César das Neves diz que os mais lesados continuarão a ser os rendimentos médios, que caem em pobreza.

O estudo da fundação revelava que, apesar de uma melhoria significativa, mais de 50% dos trabalhadores têm salários entre os 500 e os 800 euros. Ontem, em entrevista ao "Diário Económico", o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais esclareceu que as prestações sociais passarão a ser declaradas em sede de IRS mas continuarão isentas.

por Marta F. Reis
Publicado em 07 de Maio 2011, JORNAL i-on line



A JOGADA ALEMÃ É ARRISCADA

Desunião europeia




A Alemanha, que agora quer dar lições de moralidade em relação aos défices, esquece que também tem culpas na situação actual.

As medidas de austeridade em curso por toda a União Europeia, mas com especial violência nas suas periferias, põem em causa a recuperação económica, aumentam o desemprego, aprofundam a fractura social e não resolvem, longe disso, o problema dos desequilíbrios nas relações económicas entre países com profundos desníveis de desenvolvimento. A crise estimula toda uma narrativa preconceituosa sobre as origens dos problemas europeus, misturando moralismo com uns pós de psicologia dos povos, que nas mãos menos subtis se transformam em xenofobia aberta: há uma grande economia competitiva - a alemã -, composta por uma força de trabalho produtiva e disciplinada e por uma população que partilha as virtudes burguesas da poupança e da disciplina orçamental.

Esta narrativa destina-se a esconder as estruturas e as políticas que são responsáveis pelo desastre europeu em curso. A competitividade alemã foi nos últimos anos conseguida graças à imposição de uma duradoura compressão do poder de compra dos salários, que cresceram muito abaixo do medíocre crescimento da sua produtividade (inferior ao dos países da periferia, na realidade).

 Esta aposta da burguesia alemã gerou brutais excedentes comerciais, mas comprimiu o mercado interno alemão e foi responsável por níveis de crescimento económico decepcionantes. É isto que explica que a Alemanha também tenha violado o "estúpido" Pacto de Estabilidade e Crescimento que o governo alemão pretende agora irracionalmente reforçar.

A economia social de mercado alemã é cada vez menos social e isso vê-se nas estatísticas da pobreza e das desigualdades. Os excedentes alemães foram canalizados pelos bancos germânicos para especulação no mercado habitacional dos EUA ou para a bolha imobiliária em Espanha e financiaram, de forma mais geral, os défices em países como Portugal.

Uma estrutura produtiva frágil não aguentou a abertura irrestrita às forças do mercado global, num quadro de moeda forte e com a economia alemã apostada em comprimir a sua procura interna. A receita alemã da compressão salarial, injusta e contraproducente numa economia avançada com salários mais elevados e um Estado social apesar de tudo mais forte, nunca poderia ser aplicada em Portugal, dados os níveis salariais baixos num país dos mais desiguais da UE.

A política alemã enfrenta uma contradição insanável: salvar os seus bancos impondo um brutal ajustamento estrutural na periferia, ao mesmo tempo que pretende continuar um modelo exportador que requer défices comerciais nestes países.

Esta jogada alemã é arriscada e irrealista. A perspectiva de uma década de deterioração económica na periferia, garantida por uma política económica errada, cria as condições para o fim de um euro que tão bem tem servido a burguesia financeira e industrial alemã...

João Rodrigues,
Economista e co-autor do blogue «Ladrões de Bicicletas»

JORNAL i, Publicado em 21 de Junho de 2010




OS FRUTOS SUMARENTOS DA AUSTERIDADE - «VIVA A CRISE!»

«Não tenha vergonha de querer a Lua: precisamos dela»

por Serge Halimi





A  crise da dívida que abala alguns países europeus está a ter uma viragem inédita: nascida das escolhas feitas pelos Estados de pedir emprestado para salvar os bancos, coloca poderes públicos exangues sob a tutela de instituições subtraídas ao sufrágio universal. O destino dos povos da Grécia, de Portugal e da Irlanda já não se constrói nos Parlamentos, mas nos escritórios do Banco Central, da Comissão Europeia e do Fundo Monetário Internacional. À espera de uma convergência dos movimentos sociais?

Económica mas também democrática, a crise europeia levanta quatro questões principais. Porque é que políticas que garantem a bancarrota são implementadas em três países (Irlanda, Portugal e Grécia) com uma ferocidade notável? Serão os arquitectos destas escolhas gente iluminada a quem cada fracasso – previsível – da medicação que prescrevem leva a aumentar imenso a dose? Em sistemas democráticos, como explicar que os povos vítimas de tais prescrições pareçam não ter outro recurso que não seja o de substituírem um governo que falhou por um outro ideologicamente gémeo e determinado a praticar a mesma «terapia de choque»? Finalmente, será possível agir de outro modo?

A resposta às duas primeiras questões impõe-se quando nos confrontamos com a verborreia publicitária sobre o «interesse geral», os «valores partilhados da Europa», o «viver comum». As políticas adoptadas estão muito longe da loucura: são absolutamente racionais. E, no essencial, atingem o seu objectivo. Só que não se trata de pôr um fim à crise económica e financeira, mas de recolher os seus frutos, incrivelmente sumarentos. Uma crise que permite suprimir centenas de milhares de postos de trabalho de funcionários públicos (na Grécia, em cada dez pessoas que se reformam, nove não serão substituídas), cortar os seus salários e a duração das suas férias pagas, vender sectores inteiros da economia em proveito de interesses privados, pôr em causa o direito do trabalho, aumentar os impostos indirectos (os mais desiguais), aumentar as tarifas dos serviços públicos, reduzir as comparticipações das despesas de saúde, cumprir enfim o sonho de uma sociedade de mercado – uma tal crise constitui a providência dos liberais. Em tempos normais, a mais ínfima destas medidas tê-los-ia obrigado a um combate incerto e feroz; aqui, tudo vem de uma vez só. Porque haveriam então de querer sair de um túnel que parece ser para eles uma auto-estrada para a terra prometida?

No passado dia 15 de Junho, os dirigentes da Irish Business and Employers Confederation (IBEC), a organização patronal irlandesa, foram a Bruxelas. Pediram à Comissão Europeia para fazer pressão sobre Dublin para que uma parte da legislação irlandesa do trabalho fosse imediatamente desmantelada. À saída da reunião, Brendan McGinty, director das relações industriais e dos recursos humanos da IBEC declarou: «Os observadores estrangeiros vêem perfeitamente que as nossas regras salariais entravam a criação de empregos, o crescimento e a retoma. Ora, uma reforma de envergadura constitui um elemento central do programa que recebeu o aval da UE [União Europeia] e do FMI [Fundo Monetário Internacional]. O governo não pode hesitar na tomada das decisões difíceis.»

As decisões serão difíceis, mas não para todos, visto que generalizarão uma tendência já observada nos sectores desregulamentados: «A escala das remunerações dos novos trabalhadores contratados baixou cerca de 25% nos últimos anos», nota o IBEC. «O que mostra que o mercado de trabalho responde [sic] a uma crise económica e ao desemprego.» [1] E é assim que a alavanca da dívida oferece à UE e ao FMI os meios de fazerem reinar em Dublin a ordem com a qual sonha o patronato irlandês.

A regra parece aplicar-se noutros lados visto que, no dia 11 de Junho, um dos editorialistas do The Economist assinalava que «os gregos desejosos de reformas vêem na crise uma ocasião para colocarem o país no caminho certo. Louvam em silêncio os estrangeiros que impõem políticas de austeridade aos seus eleitos» [2]. No mesmo número do semanário liberal, podia assim descobrir-se uma análise do plano de austeridade que a UE e o FMI infligem a Portugal: «Os homens de negócios consideram de forma categórica que é preciso cumpri-lo em toda a sua extensão. Pedro Ferraz da Costa, que dirige um think tank patronal, afirma que nenhum partido português teria proposto, ao longo dos últimos trinta anos, um programa de reformas tão radical. Acrescenta que Portugal não deve perder uma tal ocasião» [3]. Em síntese, viva a crise.

Trinta anos é, mais ou menos, a idade da democracia portuguesa, com os seus jovens capitães que o povo cobria de cravos para lhes agradecer terem derrubado uma ditadura, posto fim às guerras coloniais em África e prometido uma reforma agrária, campanhas de alfabetização, o poder operário nas fábricas. Mas agora, com a redução do rendimento mínimo de inserção e do montante dos subsídios de desemprego, as «reformas» liberais das pensões, da saúde e da educação, as privatizações maciças, estamos perante o grande passo atrás, o Natal no Verão para o capital. E o pinheiro vai continuar a inclinar-se sob o peso das prendas, visto que o novo primeiro-ministro Pedro Passos Coelho prometeu ir além do que lhe impõem a UE e o FMI. Ele quer «surpreender» os investidores.

«Estejam ou não conscientes disso», afirma o economista norte-americano Paul Krugman, «os dirigentes políticos servem quase exclusivamente os interesses dos rentistas – os que aumentam enormemente os rendimentos da sua fortuna, que emprestaram muito dinheiro no passado, frequentemente de forma leviana, e que hoje são protegidos dos prejuízos fazendo com que eles sejam pagos por todos os outros». Krugman afirma que as preferências destes detentores de capitais se impõem mais naturalmente, porque «oferecem grandes verbas para as campanhas eleitorais e têm acesso aos decisores políticos que, logo que deixem de exercer cargos públicos, virão frequentemente trabalhar para eles» [4]. Durante a discussão europeia sobre a ajuda financeira à Grécia, a ministra austríaca das Finanças Maria Fekter afirmou a princípio que «não podemos deixar os bancos realizarem lucros enquanto os contribuintes pagam as perdas» [5]. Ingenuidade tocante, mas passageira: depois de ter hesitado durante quarenta e oito horas, a Europa deixou que os «interesses dos rentistas» se impusessem em toda a linha.

(…)
Mas outros meios, mais subtis, permitiam desapertar o garrote da dívida [6]. Assim, a dívida pública britânica passou, entre 1945 e 1955, de 216% para 138% do produto interno bruto (PIB); a dos Estados Unidos, de 116% para 66%. Sem plano de austeridade, antes pelo contrário. Claro que o desenvolvimento económico impetuoso do pós-guerra reabsorveu automaticamente a parte da dívida na riqueza nacional. Mas isso não foi tudo. Porque os Estados pagavam então um valor nominal que diminuía todos os anos tanto como o valor da inflação. Quando um empréstimo que é contratado a um juro anual de 5% é pago com uma moeda que todos os anos desvaloriza 10%, a «taxa de juro real» torna-se negativa – e é o devedor que ganha. Precisamente, entre 1945 e 1980, na maioria dos países ocidentais a taxa de juro real foi negativa quase todos os anos. Resultado, «os aforradores depositavam o seu dinheiro em bancos que emprestavam aos Estados a taxas inferiores à da inflação» [7]. A dívida pública diminuía então sem grande esforço: nos Estados Unidos, taxas de juro reais negativas trouxeram ao Tesouro americano um montante igual a 6,3% do PIB por ano, durante toda a década de 1945-1955 [8].


O povo compreendeu que nunca será
suficientemente pobre para o sistema ter pena dela


Porque é que os «aforradores» aceitavam ser enganados? É que eles quase não tinham escolha. Devido ao controlo dos capitais, e também à nacionalização dos bancos, a única coisa que podiam fazer era emprestar ao Estado, que assim se financiava [9].Nessa altura os ricos particulares não podiam comprar títulos especulativos brasileiros indexados à evolução dos preços da soja nos três anos seguintes… Restava então a fuga dos capitais, com as malas cheias de lingotes de ouro a transitarem de França para a Suíça na véspera de uma desvalorização ou de eleições que a esquerda pudesse ganhar. Mas os prevaricadores poderiam ir para a prisão.

Com os anos 1980, o cenário mudou por completo. As revalorizações de salários ao ritmo da inflação (escala móvel) protegiam a maioria dos trabalhadores das consequências desta última, enquanto que a ausência de liberdade de movimentos de capitais obrigava os investidores a submeterem-se a taxas de juro negativas. Agora, será o contrário.
A escala móvel dos salários desaparece quase por todo o lado – em França, o economista Alain Cotta designará esta decisão importante, tomada em 1982, como o «donativo Delors» (ao patronato). Além disso, entre 1981 e 2007, a hidra da inflação é controlada e as taxas de juro reais tornam-se quase sempre positivas. Aproveitando a liberalização dos movimentos de capitais, os «aforradores» (precisemos que não se trata aqui nem da reformada de Lisboa que compra certificados de aforro nos correios, nem da empregada de Salónica…) põem os Estados em concorrência e, segundo a expressão famosa de François Mitterrand, «ganham dinheiro a dormir». Prémio de risco sem assunção de risco! Será verdadeiramente necessário sublinhar que passar da escala móvel dos salários com taxas de juro reais negativas para uma diminuição acelerada do poder de compra com uma remuneração do capital que sobe em flecha é uma inversão total da situação social?

Aparentemente, isso já não é suficiente. Aos mecanismos que favorecem o capital em detrimento do trabalho, a troika (Comissão Europeia, Banco Central Europeu [BCE] e FMI) escolheu acrescentar o medo, a chantagem, o ultimato. Estados exangues por terem socorrido demasiado generosamente os bancos imploram um empréstimo para conseguirem fazer os pagamentos do fim do mês; a troika obriga-os a escolher entre a purga liberal e a falência. Toda uma parte da Europa, que ontem derrubava as ditaduras de António de Oliveira Salazar, de Francisco Franco, dos coronéis gregos, é assim lançada para uma situação de protectorado administrado por Bruxelas, Franqueforte, e Washington. Missão principal: proteger o sistema financeiro.

Os governos destes Estados continuam a existir, mas apenas para controlarem a boa execução das ordens e, eventualmente, para que o seu povo lhes cuspa em cima, quando compreender finalmente que nunca será suficientemente pobre para que o sistema tenha pena dele. O Le Figaro afirma que «a maioria dos gregos compara a tutela orçamental internacional a uma nova ditadura, depois da dos coronéis, que o país sofreu entre 1967 e 1974» [10]. Como é que alguém pode imaginar que a ideia da Europa sairá engrandecida se é assim associada a um colete-de-forças, a um oficial subalterno que se apodera das vossas ilhas, das vossas praias, dos vossos palácios nacionais, dos vossos serviços públicos, para os revender ao sector privado? Desde 1919 e o Tratado de Versalhes, quem ignora que um tal sentimento de humilhação popular pode desencadear um nacionalismo destruidor?


Reclamar o «impossível» quando, troçando,
os liberais constroem o insuportável


(…)Mas a indignação está desarmada se não conhecer os mecanismos que a desencadearam e se não se apoiar em soluções políticas. As soluções são conhecidas: voltar as costas às políticas monetaristas e deflacionistas que agravam a «crise», anular a dívida, no todo ou em parte, controlar os bancos, domar os bancos, desglobalizar, recuperar as centenas de milhares de milhões de euros que o Estado perdeu sob a forma de diminuições de impostos que privilegiaram os ricos (70 mil milhões só em França nos últimos dez anos). E pessoas cujo domínio da economia não tem nada a invejar ao de Trichet, mas que não servem os mesmos interesses que ele, apresentaram essas soluções de forma detalhada [14].

Nunca como hoje foi tão claro que não estamos perante um debate «técnico» e financeiro, mas sobretudo perante um combate político e social. Claro que os liberais troçarão, afirmando que os progressistas reclamam o impossível. Mas que fazem eles senão construir o insuportável? Chegou outra vez a altura, portanto, de relembrar a exortação de Jean-Paul Sartre a Paul Nizan: «Não tenha vergonha de querer a Lua: precisamos dela» [15].


sexta-feira 8 de Julho de 2011
Notas
[1] «IBEC in Brussels on Concerns about Reform of Wage Rules», IBEC, 15 de Junho de 2011.
[2] Charlemagne, «It’s All Greek to Them», The Economist, Londres, 11 de Junho de 2011.
[3] «A Grim Inheritance», The Economist, 11 de Junho de 2011.
[4] Paul Krugman, «Rule by Rentiers», The New York Times, 10 de Junho de 2011.
[5] International Herald Tribune, Neuilly-sur-Seine, 15 de Junho de 2011.
[6] Ler Laurent Cordonnier, «Pode um país abrir falência?», Le Monde diplomatique − edição portuguesa, Março de 2010.
[7] Cf. «The Great Repression», The Economist, 18 de Junho de 2011, que detalha a história deste mecanismo.
[8] Ibid.
[9] Ler Pierre Rimbert, «Nous avons eu le pouvoir, maintenant il nous faut l’argent», Le Monde diplomatique, Abril de 2009.
[10] Le Figaro, Paris, 16 de Junho de 2011.
[11] Ler «O que mal se adquire, nunca se perde», Le Monde diplomatique − edição portuguesa, Março de 2010.
[12] Reuters, 2 de Junho de 2011.
[13] Ler Maurice Lemoine, «Villes privées dans la jungle», Le Monde diplomatique, Junho de 2011.
[14] Sobre cada um destes assuntos, o Le Monde diplomatique publicou inúmeras propostas nos últimos dois anos. Poderá ler-se também o «Manifesto dos economistas aterrados», http://atterres.org/ (em edição portuguesa, Actual Editora, 2011).
[15] Prefácio de Jean-Paul Sartre a Aden Arabie, Maspero, Paris, 1971



7 de julho de 2011

PATRIARCA DE LISBOA PEDE PERDÃO E RECUA


no Santuário de Fátima

Apocalipse 3:16
 
«Assim, porque és morno
- e não és frio nem quente –
vou vomitar-te da minha boca.»


 [Na verdade, há fins de vida muito tristes...
Tenhamos, pois, compaixão de D. José]


Declarações do Cardeal-Patriarca de Lisboa
à Revista “Ordem dos Advogados”,
sobre a Ordenação de Mulheres



ESCLARECIMENTO



1. Numa entrevista concedida à revista “Ordem dos Advogados”, a entrevistadora pôs-me a questão da ordenação de mulheres. A minha resposta provocou reacções várias e mesmo indignação. Devo confessar que nunca tratei deste assunto sistematicamente. Sempre me referi a ele ou respondendo a perguntas de entrevistadores, ou a perguntas do público no diálogo que se seguia a conferências minhas sobre variados temas. As reacções a esta entrevista obrigaram-me a olhar para o tema com mais cuidado e verifiquei que, sobretudo por não ter tido na devida conta as últimas declarações do Magistério sobre o tema, dei azo a essas reacções. Sinto-me, assim, na obrigação de expor claramente o meu pensamento, em comunhão com o Santo Padre e com o Magistério da Igreja, obrigação minha como Bispo e Pastor do Povo de Deus (cf. LG. nº 25).


2. O não conferir a mulheres o sacerdócio apostólico, através da ordenação sacerdotal, é uma tradição que radica no Novo Testamento, no próprio Jesus Cristo e na maneira como lançou as bases da Sua Igreja.
Nosso Senhor Jesus Cristo leva à plenitude a criação e dessa plenitude faz parte a harmonia de homens e mulheres, na sua diferença complementar e na sua igual dignidade, dando pleno cumprimento à narração da Criação: “Deus criou o homem à Sua Imagem; à Imagem de Deus Ele o criou; homem e mulher Ele os criou” (Gen. 1,27). Esta complementaridade do homem e da mulher na história da salvação, atinge a sua plenitude na relação de Cristo e de Maria. O lugar e a missão de Maria inspiram fortemente a Igreja, na complementaridade da missão. A contemplação de Nossa Senhora é importante para compreender o rosto feminino da Igreja.
Quando Jesus escolheu os seus Apóstolos, escolheu homens embora fosse sempre seguido por mulheres que O acompanham até à Cruz. É certo que a consideração cultural e social da mulher na sociedade judaica, não facilitaria a escolha de mulheres para a missão de apóstolos. O Santo Padre Bento XVI, no II vol. de “Jesus de Nazaré”, reconhece que, no testemunho da Ressurreição, na tradição sob a forma de profissão, são referidos apenas homens, talvez porque na tradição judaica, apenas eram aceites como testemunhas em tribunal os homens, o testemunho das mulheres sendo considerado não credível.
Esta forma de discriminação social não impede de sublinhar o papel decisivo das mulheres: “na tradição sob a forma de narração as mulheres têm um papel decisivo”. A diferença de ministério não diminui a dignidade da missão. Cito Bento XVI: “Na sua estrutura jurídica, a Igreja está fundada sobre Pedro e os onze, mas, na forma concreta da vida eclesial, são sempre as mulheres que abrem a porta ao Senhor”[1].



3. Depois do Pentecostes começa o tempo da Igreja, que continua o ministério de Jesus Cristo. A sucessão apostólica é dinamismo fundante e fundamental da Igreja nascente. Os Apóstolos impõem as mãos a homens que continuarão o seu ministério apostólico. O facto de não constarem mulheres entre estes sucessores e cooperadores, não significa uma minimização da mulher, mas a busca daquela complementaridade entre masculino e feminino, plenamente realizada na relação de Cristo com Maria. Nas Igrejas paulinas aparecem mulheres em grande relevo e com responsabilidade, quer na missão, quer na dinamização das comunidades cristãs. Mas o Apóstolo não lhes impõe as mãos. Na Igreja de Roma é conhecida a importância das “virgens” mártires.
Nestes primeiros tempos da Igreja é notória a harmonia entre o facto de o sacerdócio apostólico ser conferido a homens e a importância e dignidade das mulheres na Igreja. A dignidade fundamental de todos os fiéis procede da sua união a Jesus Cristo, o único Sacerdote. Toda a Igreja participa dessa dignidade, pois ela é um Povo Sacerdotal. A Primeira Carta de São Pedro é clara: “Vós, como pedras vivas, prestai-vos à edificação de um edifício espiritual, para um sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus, por Jesus Cristo” (2,5); “Vós sois uma raça eleita, um sacerdócio real, uma nação santa, um povo adquirido, para anunciar os louvores d’Aquele que vos chamou das trevas à Sua luz admirável” (2,9).


Todos os membros da Igreja, homens e mulheres, participam desta dignidade real e sacerdotal, que exprimem sobretudo quando celebram a Eucaristia. Esta expressão supõe continuamente a presidência de Jesus Cristo, Cabeça da Igreja e Seu Senhor, que Ele exerce através do sacerdócio apostólico que, “in personna Christi”, garante a toda a Igreja a vivência da sua dignidade sacerdotal. Esta harmonia foi vivida e construída, de forma indiscutível, ao longo dos séculos. O ministério dos sacerdotes ordenados encontra a sua verdade na vivência da Igreja como Povo Sacerdotal.



4. A questão da ordenação de mulheres para o ministério do sacerdócio apostólico surge recentemente, sobretudo nos países ocidentais e explica-se por factores diversos:


* Os movimentos de promoção da mulher, que defendem, não apenas a sua dignidade, mas a sua igualdade de direitos e funções nas sociedades modernas. Os movimentos feministas concretizaram esta luta na reivindicação de as mulheres serem iguais aos homens em todas as funções da sociedade. Os critérios teológicos da grande Tradição da Igreja são substituídos por critérios culturais e sociológicos.


* A perda da consciência da dignidade sacerdotal de todos os membros da Igreja, reduzindo a expressão sacerdotal ao sacerdócio ordenado.


* A compreensão do sacerdócio ministerial como um direito e um poder, não percebendo que ninguém, homens e mulheres, podem reivindicar esse direito, mas sim aceitar o chamamento da Igreja para o serviço, que inclui o dom da própria vida.


Este dado novo da sociedade provocou uma reflexão teológica e as mais claras intervenções do Magistério sobre esta matéria. A teologia séria, num primeiro momento, valorizou esta longa tradição da Igreja, mas não excluiu que se tratasse de uma questão aberta, na atenção que se deve prestar à actuação do Espírito Santo, na busca da expressão do mistério da Igreja nas realidades novas.
 


5. O mais recente Magistério dos Papas interpreta esta tradição ininterrupta, que tem a sua origem em Cristo e no corpo apostólico, não apenas como uma maneira prática de proceder, podendo mudar ao ritmo da acção do Espírito Santo, mas como sendo expressão do próprio mistério da Igreja, que devemos acolher na fé. Cito o texto do Papa João Paulo II, na Carta Apostólica “Ordinatio Sacerdotalis”: “Embora a doutrina sobre a ordenação sacerdotal que deve reservar-se somente aos homens, se mantenha na Tradição constante e universal da Igreja e seja firmemente ensinada pelo Magistério nos documentos mais recentes, todavia actualmente em diversos lugares continua-se a retê-la como discutível, ou atribui-se um valor meramente disciplinar à decisão da Igreja de não admitir as mulheres à ordenação sacerdotal. Portanto, para que seja excluída qualquer dúvida em assunto da máxima importância, que pertence à própria constituição divina da Igreja, em virtude do meu ministério de confirmar os irmãos (cf. Lc. 22,32), declaro que a Igreja não tem absolutamente a faculdade de conferir a ordenação sacerdotal às mulheres e que esta sentença deve ser considerada como definitiva por todos os fiéis da Igreja”.
Somos, assim, convidados a acatar o Magistério do Santo Padre, na humildade da nossa fé e continuarmos a aprofundar a relação do sacerdócio ministerial com a qualidade sacerdotal de todo o Povo de Deus e a descobrir a maneira feminina de construir a Igreja, no papel decisivo da missão das nossas irmãs mulheres.


6. Neste ano em que celebro 50 anos da minha ordenação sacerdotal, grande manifestação da bondade de Deus para comigo, foi bom prestar este esclarecimento aos meus diocesanos. Seria para mim doloroso que as minhas palavras pudessem gerar confusão na nossa adesão à Igreja e à palavra do Santo Padre. Creio que vos tenho mostrado bem que a comunhão com o Santo Padre é uma atitude absoluta no exercício do meu ministério.


Lisboa, 6 de Julho de 2011


† JOSÉ, Cardeal-Patriarca


[1] Bento XVI, Jesus de Nazaré, II vol., ed. Portuguesa, pag. 214.


POLITEISMO CATÓLICO - CÉU E TERRA COMPLETAM-SE

                     Tempos de Visita

 



Em tempos de visita papal, convém fugir um pouco do shownalismo (como é chamado o jornalismo que faz da notícia espetáculo) e falar do essencial: a fé.

Às vezes me pergunto se a humanidade tem mesmo avançado. Nos tempos primevos, ensina Fustel de Coulanges, cada família cultuava seus deuses domésticos. Ninguém invejava o deus do vizinho, nem tinha a pretensão de impor a ele o deus de suas crenças. A menos que a filha fosse se unir em casamento ao filho do vizinho. Nesse caso, ela se via obrigada a renegar seus deuses familiares e aderir de corpo e alma aos deuses cultuados pela família do marido – que exercia também a função de sacerdote. Como disse seu Apolônio, meu mecânico, com quem converso essas coisas enquanto o vejo limpar o carburador, “o povo antigo não tinha fé, tinha fezes.”

Minha avó era mais contundente ao ver minha preguiça de levantar cedo no domingo para ir à missa: “Que diabo de fé é sua?”

A coisa começou a complicar quando o politeísmo se viu ameaçado pela contra-reforma monoteísta ocorrida no Egito a partir de 1.400 anos antes da era cristã, graças ao faraó Akhenaton e ao rebelde hebreu Moisés. A antiga e tradicional democracia divina, com cada deus satisfeito com a sua respectiva cota de poder, acabou desbancada pelo monopólio da fé. Nasceu então uma divisão que jamais a humanidade conhecera antes: de um lado, os fiéis, de outro, os idólatras, que segundo os primeiros acreditavam em falsos deuses. A humanidade ainda não tinha conhecido o fenômeno do ateísmo. Essa foi a primeira reação fundamentalista registrada pela história: o deus de uma nação, além de ser o principal, é promovido também a ser o único.

Portanto, a crença em um decreta a descrença e o descrédito de todos os demais deuses. Só a única e verdadeira fé permite o acesso ao único e verdadeiro Deus. Daí nasceu a distinção entre o verdadeiro e o falso. E em nome do verdadeiro, a religião passou a recorrer à violência, o que parece uma antinomia. Mas quem pensa nisso quando se encontra imbuído de que deve impor aos demais a verdade, ainda que a ferro e fogo? Sobretudo quando se está convencido de que autoridade e verdade é mais do que uma rima. (De fato, é uma tragédia).

A modernidade veio salvar a religião de sua presunção de ser a única depositária da verdade. Hoje, cremos muito mais na verdade científica, empírica e matematicamente comprovada, que nas verdades religiosas. Quem duvida da existência de um trio de quarks na intimidade do átomo, embora não haja telescópio que nos permita vê-lo? No entanto, nossos aparelhos eletrônicos funcionam. Para muitos, funcionam miraculosamente, como o fax, o tempo real dos @ e o celular.

Mas quem tem absoluta certeza de que há vida depois da morte? Ninguém. No máximo, temos fé. Ora, direis espantado, estaria esse heterodoxo frade da teologia da libertação reivindicando a volta do politeísmo? Nada disso. Desejo apenas a tolerância, como a que foi praticada por Jesus, que jamais criticou a fé da mulher fenícia ou a do centurião, nem impôs como condição às suas curas a prévia adesão à sua crença.

A mim o que espanta é constatar a nova modalidade de politeísmo: lá em cima, num céu abstrato, o deus no qual cremos; aqui em baixo, os deuses aos quais de fato prestamos devoção: o dinheiro, o poder, o consumismo que nos consome e consuma. E esta crença rigorosa de que fora do capitalismo não há salvação, embora 2/3 da humanidade não tenham acesso aos bens que ele oferece.

O cerne da questão é bem mais em baixo: cremos em Deus e nos bens finitos que nos etiquetam socialmente, mas não no próximo. Religião sim; amor não, exceto o que aumenta a nossa cota de satisfação e prazer. Toda a nossa lógica sistêmica cultua o mercado, a propriedade privada, o dinheiro aplicado, o crescimento do PIB, o aumento das exportações, o rigor fiscal, sem a menor preocupação para com os sem-terra, sem-teto, sem-escola, sem-saúde e sem-identidade. Em nome de Deus, passamos indiferentes por aqueles que têm fome e têm sede e são imagens vivas de Cristo, conforme o evangelho de Mateus (25, 31-44).

Ora, quem dispõe de tempo para prestar atenção naquele que se encontra dependurado numa cruz, atrapalhando o nosso programa de domingo? Alguma ele andou aprontando...


 
Frei Betto, Domingo, 13 de maio de 2007


 [Frei Betto é escritor, autor do romance sobre Jesus “Entre todos os homens” (Ática), entre outros livros]


6 de julho de 2011

SAIR DA CRISE AOS TRAMBOLHÕES?


Quatro cenários




Primeiro. O actual plano de austeridade PSD/PP funciona. O défice é reduzido, a recessão acaba dentro de um ano e meio e os mercados recebem de braços abertos o refinanciamento de dívida a preços marginalmente superiores aos praticados antes da crise. O crescimento económico mundial recupera em força, inundando os mercados de capitais e absorvendo ondas de emigração portuguesa. Portugal volta assim ao seu estado ex-ante de medíocre performance económica, já que vive com um estado manietado pela necessidade de saldos primários positivos (continuação da austeridade) impeditivos de qualquer reestruturação económica que não a que é feita pela redução dos salários directos e indirectos. Um país onde dificilmente se conseguirá uma vida decente.

Segundo. Depois de um provável incumprimento (e saída do euro) da Grécia, a Europa decide-se a mutualizar a dívida pública europeia através de euro-obrigações. Associado vem obrigatoriamente um “ministro” das finanças europeus, como propõe o Sr. Trichet, que impõe a continuada austeridade na periferia, agora traumatizada pelo que aconteceu na Grécia. As economias da periferia entram em declínio face ao centro, até aos periféricos se fartarem da perda contínua de soberania e dos custos associados.

Terceiro. A Europa não chega a acordo e deixa os pequenos países da periferia entrar em incumprimento desorganizado. Devido às suas necessidades de financiamento público, são forçados a sair do euro. A banca colapsa e o crédito congela. Forte contracção do produto e instabilidade social. À Argentina. A recuperação depende de aparecer um governo à Kirchner. Os países do centro recapitalizam o BCE e assumem as perdas do Fundo europeu através de transferências fiscais. Politicamente, é mais fácil convencer os eleitores que tal pagamento é o custo de se terem livrado dos países “mal comportados”.

Quarto. Os países da periferia negoceiam uma saída organizada (e secreta) do euro com a EU. Dá-se um default através da desvalorização cambial subsequente, introduzem-se controlos de capitais e a banca é imediatamente nacionalizada e recapitalizada através da emissão monetária, prevenindo os efeitos de uma crise bancária. Os governos tomam as provisões necessárias anteriores ao anúncio para prevenir problemas de pagamentos e aprovisionamento de bens essenciais (da alimentação ao petróleo). Numa segunda fase, as reservas de ouro são utilizadas para estabilizar o câmbio. Adopta-se uma política industrial virada para a resolução do défice externo.

Nenhum dos cenários é agradável. Os cenários 1 e 4 são mais improváveis. O primeiro pela racionalidade económica (acho que é mais provável ganhar o Euromilhões); o quarto por ser politicamente impraticável. No actual rumo, estamos a caminho do terceiro.

Nuno Teles
06:VII:2011


«A JUVENTUDE DO PAPA» - 5 OPINIÕES SOBRE AS J.M.J.

Jornadas Mundiais da Juventude – Madrid 2011
5 opiniões

 JM Castillo




«Pero el fondo del asunto, que es lo que nos tendría que preocupar, está en otra cosa. Lo diré directamente y sin remilgos. Yo no sé en virtud de qué argumento el obispo de Roma se ve con el derecho de convocar concentraciones “mundiales”.»






Jesus Bastante





«Leo en la prensa con estupefacción la medida que han impuesto los organizadores de la Jornada Mundial de la Juventud, que tendrá lugar del 16 al 21 de agosto en Madrid: las monjas que no lleven hábito al encuentro no serán recibidas por Benedicto XVI





José Manuel Vidal




«Visita del Papa sí, pero no así". Este es el titular que podria resumir el documento-informe del Foro de Curas de Madrid sobre la JMJ y su financiación. Es la opinión de 120 curas madrileños




Xabier Pikaza





«No tengo criterio ni conocimiento suficiente para enjuiciar esa visita en plano pastoral, social y económico. Pero sé un poco de la teología del Papa, y de eso puedo decir con toda sencillez quién es el que viene






Roser Puig


«¿La JMJ ¿servirá para “evangelizar”? Yo lo dudo.
Tal vez sirva para que algunos muchachos se decidan a entrar en algún seminario católico (las muchachas no ha lugar, según Benedicto XVI, claro), pero evangelizar, lo que se dice evangelizar, no será el efecto que se consiga con estas jornadas apoteósicas. Seguramente se conseguirá que el Papa se de un baño de multitudes aprobando, con ello, la papolatría de quienes acudan a rendirle pleitesía.
Pero no hay que confundir el anuncio de la Buena Nueva, con el suscitar vocaciones sacerdotales.
Todos los asistente (la mayoría, sino todos) serán miembros de movimientos neoconservadores y están al cabo de la calle de cual es la Buena Noticia cristiana.»