teologia para leigos

10 de maio de 2011

QUE TIPO DE IGREJA QUEREMOS? 7/7

7/7




3.c) Uma Igreja à altura dos desafios históricos

As categorias ‘Povo de Deus’ e ‘Igreja-comunhão’ permitem redistribuir melhor a potestas sacra dentro da Igreja, obriga a redefinir o papel do bispo e do padre, permite que surjam novos ministérios e um novo estilo de vida religiosa incarnada nos meios populares. A Hierarquia é mero serviço interno e não constituição de estratos ontológicos que abre caminho para divisões internas no corpo eclesial com vistas à criação de diferentes ‘classes de cristãos’ (sentido analítico).(…)

No que diz respeito à articulação Reino-mundo-Igreja devemos dizer que aqui se verifica uma forma própria de realizar a dialéctica destas relações.

O Reino é, sim, a utopia cristã que diz respeito ao destino final do mundo. Mas, insiste-se, que ele se encontra em processo dentro da história sempre e lá onde se constroem a justiça e a fraternidade e onde os pobres são respeitados e constituídos em agentes da sua própria história. Portadores do Reino são todos os homens, instituições e práticas que se orientam pelos ideais éticos impregnados pelo espírito do Jesus histórico. A Igreja é um portador qualificado e oficial, mas não exclusivo.

A categoria mundo recebe uma determinação histórica: é o mundo dos pobres, o sub-mundo que deve ser transformado em mundo de convívio humano fraterno; no mundo há Reino e anti-Reino (sub-mundo da miséria) e o Reino constrói-se contra o anti-Reino, cujos agentes podem e devem ser, profeticamente, denunciados. A Igreja propõe-se assumir o sub-mundo e o não-homem para ajudar no processo de libertação integral, contribuindo especialmente com a sua especificidade – com a referência religiosa e sua leitura usando a categoria ‘Reino-de-Deus’, que já está em processo AGORA até que culmine na consumação do mundo.

Parece-nos que, mediante o pacto da Igreja com as grandes maiorias pobres do Continente sul-americano (cujo símbolo maior foi a entrega do anel pontifical do Papa João Paulo II aos favelados do Vidigal no Rio de Janeiro, em Julho de 1980), se descortina, nesse pacto, um caminho novo para a Igreja. Agora, os pobres não são apenas vistos numa perspectiva caritativa e assistencialista, mas principalmente política: são as classes populares, novo sujeito histórico emergente que, provavelmente, decidirá os destinos da sociedade futura. Os pobres estão a aumentar o nível da sua consciência, estão a organizar a suas práticas e a exigir uma sociedade mais participativa e menos elitista. Provavelmente, é nesta direcção que caminhará o processo social. A Igreja, tanto na sua reflexão como na sua prática, (pelo menos na América Latina), está a responder a estas exigências ‘em cima da hora’. Não chega nem atrasada, nem com modelos inadequados. Consegue estar à altura dos desafios. A sociedade latino-americana futura terá uma presença estrutural de elementos cristãos e evangélicos, graças à Igreja que está a ajudar a gerar o futuro. Esta verdade é tão forte que já há analistas que ponderam: uma sociedade latino-americana que não incluir no seu processo, em grau elevado, elementos cristãos será anti-popular. A matriz do povo é cristã; esta matriz está a expressar-se dentro de uma codificação que responde às exigências históricas. É a oportunidade de mostrar todo o seu vigor e toda a sua verdade. É nesta direcção que caminha a esperança e se define o futuro mais promissor da Igreja latino-americana.

Leonardo Boff
Igreja – Carisma e Poder
Ed. Vozes, 1981

«JESUS, HOMEM LIVRE» 1/5

1/5




Jesus
e o seu ambiente social

Para com a sua família, a liberdade de Jesus é grande.
A sua família toma atitudes para o desviar da sua vida de peregrinação (Mc 3:21; 3:31; Mt 12:46-50). Os familiares julgam que ele perdeu o juízo. Jesus não está acorrentado pela escravidão familiar: para Jesus, a sua mãe, os seus irmãos, são aqueles que escutam a palavra de Deus. O profeta não deixa que os seus lhe ditem o comportamento. Os habitantes de Nazaré sabem-no e rejeitam-no (Mc 6:1-6; Lc 4:16-24; Mt 13:53-58). Por isso, Jesus exige dos discípulos liberdade relativamente à família (Lc 14:26-28). Jesus não é o homem [exclusivo], nem duma família, nem duma aldeia, nem de nenhuma tribo. Jesus transgride os imperativos familiares e tribais.

Esses imperativos, porém, eram menores se comparados com a pressão social exercida pelas castas religiosas dominantes: escribas, fariseus e saduceus. Jesus foi duro para com eles. Devemos desconfiar, sem dúvida, do género literário polemizante, devido à oposição entre o cristianismo nascente e a religião judaica. Esta oposição é, porém, originária: deriva da atitude de Jesus para com os guardiões oficiais da Lei e da religião.

Jesus não receia frequentá-los (Lc 11:37ss); mas considera nula a autoridade deles. Os fariseus não lho perdoarão e isto por razões que estão longe de ser mesquinhas. Os textos podem induzir em erro sobre as razões da liberdade de Jesus para com os intérpretes oficiais da Lei. Os fariseus são descritos de tal maneira que o leitor contemporâneo é tentado a julgá-los imorais, vilmente interessados e hipócritas. As necessidades da polémica fizeram desempenhar, ao fariseu, o papel do ‘adversário de má fé’. Será, contudo, desonesto julgar as coisas assim: Jesus, por exemplo, considera irrepreensível o fariseu Nicodemos. Fariseus, escribas e saduceus são atacados como classes dominantes, detendo indevidamente o poder de interpretar a Lei. Jesus condena-lhes a função social – é o poder deles que Jesus quer despedaçar e, nisto, dá testemunho da sua liberdade. A sua revolta contra os doutores da Lei é uma revolta pelos pequenos. Os doutores impõem-lhes um jugo insuportável. Eles ignoram que Deus torna livre o ser humano. Impõem a Deus as conveniências e as regras deles. Jesus volta a dar a Deus a sua liberdade, transgredindo o poder dos escribas e dos fariseus, recusando o ‘bom’ fundamento da «autoridade» deles.

Jesus não é um sectário, não se encerra na grandeza da ascese, não se separa da população. Pelo contrário, sente-se à vontade com os mal-pensantes. Estes, pelo menos, não impõem o seu caminho a Deus. Deixam tudo livre. Mas essas pessoas de má reputação não têm lugar numa sociedade regulada pela casta dos «perfeitos» ou pela dos sacerdotes. São párias, embora não sejam todos pobres, longe disso.

Quem são eles?

Primeiro, os publicanos, gente de fama duvidosa, cobradores de impostos, ladrões notórios. São odiados. Depois, as prostitutas: o fariseu Simão duvida de que Jesus seja um profeta, senão não deixaria que uma delas lhe beijasse os pés (Lc 7:36ss). Finalmente, o povo: Jesus aproxima-se dele, sabe-lhe das misérias, conhece-lhe os sofrimentos, acede-lhe às súplicas, quando realiza os milagres, referidos pelos evangelistas, a favor do povo. Esse pequeno povo é ignorado pelos letrados que o desprezam, porque nada sabe da Lei (cf. Jo 9:34). Jesus, porém, é livre relativamente aos preconceitos sociais. Ousa pretender que os publicanos e as prostitutas precederão, no Reino dos Céus, os orgulhosos guardiões da Lei.

Jesus não se manifesta menos livre na escolha dos amigos. Os evangelistas não escondem que ele tinha amigos. A multidão parece admirada por ver como era dedicado a Lazáro. Os evangelistas mencionam amizades femininas: Marta, Maria e, talvez, Madalena. A atitude de Jesus para com as mulheres não releva da menor misoginia. As suas palavras e o seu comportamento superam, a este respeito, os dos seus contemporâneos. A discussão sobre a «carta» de divórcio (o homem podia repudiar a mulher por motivos os mais ridículos, [p. ex., caso deixasse torrar o estrugido…]) mostra que Jesus se preocupava com a igualdade dos sexos, o que não estava nada de acordo com a opinião corrente. Neste caso ainda, Jesus dá testemunho da sua liberdade perante a pressão social e as normas de comportamento e de julgamento social.

Não é menos livre perante o poder político: este não lhe mete medo. Jesus fala francamente dos homens políticos. Assim, quando lhe contam que Herodes o quer mandar matar, Jesus faz troça dele: «Ide dizer a essa raposa…», isto é, na linguagem imaginosa da época: ‘a esse homem que não representa qualquer perigo e a quem não temo’. Jesus não faz cálculos políticos, nem entra em compromissos. Também não se deixa encerrar no jogo político dos resistentes ao poder do império romano: os zelotas (Mc 4:26-29; Mt 11:12). Parece, no entanto, ter sido convidado para pôr o seu ascendente sobre as multidões ao serviço da libertação nacional, da qual os zelotas eram o sustentáculo dessa luta activista. Jesus desiludiu essa esperança e, paradoxalmente, foi a queixa de conduzir uma revolta política que o levou à condenação à morte por parte dos romanos, como o atesta a irónica inscrição posta por eles na Cruz: «Jesus, rei dos judeus».

Essa liberdade impressiona os seus contemporâneos. O mais belo elogio de Jesus, que possuímos, é o dum Doutor da Lei, fariseu: «Mestre, sabemos que és franco e que ensinas o caminho de Deus com franqueza, sem te preocupares seja com quem for, pois não olhas à categoria das pessoas» (Mt 22:16). Que este elogio tenha sido inspirado pela velhacaria, pouco importa. Só podiam lisonjeá-lo publicamente se existisse acordo entre os seus contemporâneos sobre a sua personalidade: a dum homem livre.

Christian Duquoc, op
‘Jesus, Homem livre – esboço duma cristologia’
Edições Paulistas, 1975, Colecção ‘Fé e mundo moderno’.

5 de maio de 2011

«JESUS, HOMEM LIVRE» 2/5


2/5







Jesus,
uma Palavra livre

A liberdade, em Jesus, não se mostra, no seu ensinamento e no modo da sua existência, inferior às suas relações sociais. Os seus ouvintes ficaram impressionados com a sua maneira de ensinar: ensinava com autoridade (Mc 1:22), e não como os escribas e os fariseus. Estes eram ‘comentadores’. Jesus era um criador. A ideia que os escribas e os fariseus faziam da Lei e da religião judaicas não lhes permitia outra atitude. Por isso, o debate entre eles e Jesus concentrava-se na maneira como ele se refere à Lei. Múltiplos episódios dos evangelhos são consagrados a controvérsias sobre pontos de observância ritual. Julgando-o superficialmente, a importância que lhes é dada pelos evangelistas parece-nos facilmente exagerada. Na realidade, esses episódios fornecem debates concretos para manifestarem como, em Jesus, ensino e atitude estão ligados. A sua palavra comenta o seu comportamento. Às acusações dos fariseus (contra os discípulos) de não respeitarem a tradição dos «antigos» (Mc 7:2-3), Jesus responde contestando a origem divina de tais observâncias, pois elas são humanas e devem ser julgadas humanamente. Atribuem-lhes um valor desmedido, a ponto de lhes sacrificarem o mandamento de Deus que é o de não prejudicar os outros (Mc 7:9-14). A transgressão do Sábado desencadeia oposições violentas: Jesus indica o sentido do próprio comportamento ou do dos discípulos. Ou então recorda a liberdade tomada por uma das maiores figuras de religião judaica, David (Mt 12:1-8); ou ainda lembra o que é evidente para quem quer que não seja fanático: «O Sábado foi feito para o Homem». Em Israel, os Mestres são culpados de inverterem a ordem, sob o pretexto de honrarem a Deus: esquecem-se que, aos olhos de Deus, conta somente a misericórdia, não o sacrifício (Mt 12:7). Jesus, com bom senso, denuncia a mesquinhez legal quando o censuram por ter curado no dia de Sábado, o que é proibido pela Lei: «Qual dentre vós, se tiver uma ovelha e ela cair numa cova, num Sábado, não irá buscá-la e tirá-la de lá?» (Mt 12:11)

A liberdade de Jesus, relativamente à Lei, confere-lhe a faculdade de julgar. A Lei deve ser apreciada, na prática concreta, sob a dupla exigência do amor de Deus e do próximo (Mt 7:12; 22:37-40; Mc 12:28-34). Se Jesus não receia transgredir a Lei, a ponto de escandalizar os mestres em religião, é porque a sua liberdade é uma forma de amor ao próximo (Mt 7:12).

«O Sermão da Montanha», quer dizer, os capítulos 5, 6 e 7 de Mateus, que reúne numa única exposição palavras dispersas de Jesus, tem origem nessa atitude de liberdade. Jesus não se apoia em qualquer tradição: «Ouvistes o que foi dito…» (Mt 5:43). «Eu porém digo-vos» (MT 5:44). Jesus explica, num estilo paradoxal, a determinante do seu próprio comportamento, cuja regra é não ter outra senão a sua atitude para com Deus e o seu amor efectivo pelo próximo. Jesus não promulga uma nova Lei, não faz uma teoria da Lei; adopta uma atitude que contesta radicalmente a função que faziam desempenhar a essa Lei. Esta opção espanta, escandaliza. É tão nova que o povo fica impressionado com a autoridade com a qual ele a faz sua. O povo e os fariseus ficaram excitados com essa liberdade, procuraram determinar-lhe a origem. Não é a do pecador, senão a Lei teria razão contra ele. A liberdade de Jesus é de outra ordem. Os fariseus, os escribas, os saduceus têm medo: consideram perigoso o comportamento de Jesus. Apertam Jesus com perguntas, estendem-lhe armadilhas. Esperam chegar a definir-lhe o comportamento segundo as categorias recebidas.

Jesus confunde-os, abre-lhes uma brecha no sistema religioso.
A liberdade de Jesus impõe-se a tal ponto que não podem esquivar-se à questão que ela suscita. Irrita-os, constrange-os a tomarem partido, obriga-os a serem eles mesmos. Chegam aos julgamentos extremos - acusam, aquele que tem autoridade sobre os possessos, de agir por magia.

Christian Duquoc, op
‘Jesus, Homem livre – esboço duma cristologia’
Edições Paulistas, 1975, Colecção ‘Fé e mundo moderno’.

«JESUS, HOMEM LIVRE» 3/5


3/5




Jesus,
uma atitude libertadora

A autoridade de Jesus mostrava-se, para os intérpretes da Lei, inquietante e misteriosa, porque, à liberdade com a qual se referia à religião judaica, ele aliava um inexplicável poder original sobre as doenças e as possessões. Sem dúvida, o ministério de «taumaturgo» de Jesus (taumaturgo quer dizer curativo), foi sem dúvida ampliado pela tradição oral. É indubitável, no entanto, que o local de origem dessas narrativas, reproduzidas especialmente por Marcos, é galilaico. E. Trocmé julga que, antes de serem postas em escrita, essas narrativas foram compostas por contadores populares. A memória deles era, em geral, extraordinária; por isso, seria desonesto suspeitar-lhes a fidelidade. E aquele autor acrescenta, dirigindo-se àqueles que procuram separar o trigo do joio, o histórico da lenda: «É impossível, no entanto, afirmar com certeza que uma dada narrativa é fictícia ou que uma outra seria histórica». Importa-nos, neste caso, a imagem de Jesus que sobressai dessas narrativas populares: confirma a que se evidencia no testemunho dos discípulos ou na inquietação sentida por escribas e fariseus. E. Trocmé conclui:

«Seguindo um bom método, devemos perguntar o que significa a existência de tais narrativas para o conhecimento de Jesus histórico.»

«A primeira significação desse facto é que esse personagem despertou o interesse e a simpatia entre as pessoas mais simples das terras galileias. Não se falou o bastante da importância desse fenómeno, pouco habitual numa sociedade em que o particularismo religioso de todos os movimentos activos (fariseus, essénios e mesmo zelotas) parece ter tido, como consequência, um afastamento cada vez mais nítido da massa do povo. Jesus, tal como João Baptista e ainda mais do que ele, dirigiu-se à multidão e soube encontrar-lhe o caminho do coração. Se o conseguiu, foi seguramente pela sua pregação de uma graça de Deus destinada a todos, mas em primeiro lugar pela sua actividade curativa, a qual respondia a uma necessidade social bem conhecida das sociedades em que a medicina era apanágio de alguns privilegiados.»

«Há mais do que isso nas narrativas dos milagres. Estas apresentam Jesus como um personagem misterioso, capaz de comunicar com o mundo do além e de recorrer a um poder ultrapassando de longe o do homem mais dotado. Não é arbitrário, segundo julgamos, ver nisso o equivalente popular do reconhecimento, pelos discípulos, da autoridade muito especial que emanava da pessoa de Jesus. Numa linguagem bastante ingenuamente mitológica [‘mitológica’, ou seja, transpondo para Deus acções humanas demasiado imaginativas], é uma interessante confirmação da imagem de Jesus que sobressai dos ditos do Senhor. O próprio facto de pessoas, dispostas a empregar essa linguagem, terem falado do taumaturgo de Nazaré em termos que lembram os usados pelos discípulos, é indício de que a autoridade do Mestre ultrapassa as clássicas categorias do messianismo judaico e das ideologias helenistas.»

[E. Trocmé, Jésus de Nazareth vu par les témoins de sa vie, Delachaux et Niestlé, Neuchâtel, 1971, p.122-123]


A proximidade de Jesus relativamente ao povo galileu e a sua bondade para com os doentes, mesmo se foi ingenuamente interpretada, apontam para um juízo sobre a sua personalidade, idêntico ao que resulta do estudo das suas relações sociais ou das suas tomadas de posição perante a Lei e a religião. Curar é manifestar um poder, em primeiro lugar, não no sentido mágico da palavra: Jesus nunca tenta apoderar-se dum poder divino através de meios rituais ou gestos secretos. Através dum milagre, sublinha a vinda do «Reino de Deus», pois o Reino inaugura-se pelo recuo da doença e pela libertação face a poderes inquietantes e exteriores – os demónios. Seria vão precisar melhor qual a força pessoal que estava na origem desse dom. Essa «autoridade» concerne um domínio mais misterioso do que a doença ou a possessão: o pecado. Jesus anuncia o perdão. Ao paralítico que tem nele a fé suficiente para esperar a cura, Jesus, vendo essa fé, declara que os pecados lhe estão perdoados (Mc 2:5). À pecadora que foi beijar-lhe os pés em casa do fariseu Simão, Jesus diz-lhe que os seus pecados foram perdoados e dá uma explicação ao fariseu: «Se declaro que os pecados dela, tão numerosos, foram perdoados, é porque ela mostrou muito amor» (Lc 7:47).

Os fariseus escandalizam-se por Jesus perdoar os pecados: «Porque fala assim este homem? Blasfema. Quem pode perdoar pecados senão Deus?» (Mc 2:7) Jesus, no entanto, só reivindica, nesse perdão, a aplicação (ao caso particular do pecado) da sua relação com a Lei e com Deus. A do paralítico ou o amor da pecadora provam que estão próximos de Deus: entenderam o que significa o Reino de Deus. Jesus reconhece-o publicamente através da concessão do seu perdão, do perdoar. Jesus não se deixa encerrar na contagem das infracções legais. A sua liberdade face à Lei torna-o livre para poder dar esperança ao pecador.

[Jesus é, sobretudo, uma atitude livre e libertadora!]

Christian Duquoc, op
‘Jesus, Homem livre – esboço duma cristologia’
Edições Paulistas, 1975, Colecção ‘Fé e mundo moderno’.

[Nota pessoal: porque eles – o paralítico e a pecadora – acolhem Jesus (dizem-lhe ‘sim’), Jesus acolhe-os no seu Reino… No centro das narrativas acerca de curas e milagres não está o fantástico, mas o ‘acolhimento’. Podemos dizer que o fantástico, hoje, depois de Jesus, é sermos capazes de nos acolhermos uns aos outros! O ‘acolhimento’ é a marca de água do Reino; ele rebenta com os calculistas… os ponderados.]

«JESUS, HOMEM LIVRE» 4/5


4/5




Jesus, um Profeta

 Não é de todo inútil tentar remontar para lá da experiência pascal, para trás, até à primeira ideia que se fez de Jesus. As opiniões emitidas a respeito dele explicam os conflitos que suscitou e tornam inteligível a cisão que se produziu com os chefes religiosos. Elas permitem também, com muita prudência, conhecer a maneira como Jesus aceita ou recusa as opiniões dos seus contemporâneos sobre a sua identidade e a sua função. Afastam também certos erros: assim, a opinião dos contemporâneos de Jesus evita acentuar o facto de ele ter sido um Mestre ou um teólogo de profissão, um Rabi, na terminologia da época. É verdade que certos indícios apontam nesse sentido: por exemplo, Jesus ensina num círculo de discípulos, interpreta a Lei, discute decisões jurídicas, prega no serviço sinagogal. Também é certo que, para lá do facto de Jesus nunca ter percorrido os degraus que o levariam a vir a ser um Rabi, os seus contemporâneos também nunca o tomaram como tal. Se por vezes o tratam assim, é apenas por uma questão de respeito, tal como hoje também se diz «Senhor». Os seus contemporâneos nunca tomaram Jesus como pertencente à casta dos letrados, em matéria de interpretação da Escritura. Encararam-no como um homem «carismático», ou seja, um profeta. São numerosos os textos que testemunham essa convicção popular (Mc 6:15; 8:28; Mt 21:11; 21:46; Lc 7:16; Jo 4:19; 6:14; 7:40; 7:52; 9:17).

Os fariseus, embora com reticências, adoptam este ponto de vista (Lc 7:39; Mc 8:11): se lhe exigem um sinal é porque o reconhecem como ‘profeta’; sendo assim, ele deve, em troca, fornecer uma legitimação da autenticidade da sua «vocação» de profeta. Quanto aos discípulos, a convicção de dois deles, referida por Lucas na sua narrativa da aparição de Emaús, parece ter sido a opinião corrente: «O que diz respeito a Jesus de Nazaré – dizem eles ao companheiro de caminho –, que foi um profeta poderoso em obras e palavras, diante de Deus e de todo o povo…» (Lc 24:19). Porém, seria como falso profeta que Jesus seria preso e condenado. [J. Jeremias, ‘Théologie du Nouveau Testament’, tomo I, Cerf 1973, p.101]

Essa qualidade de profeta, porém, não representa tudo o que os contemporâneos de Jesus imaginavam da sua identidade. Testemunha-o um texto evangélico. Marcos relata que, aquando duma viagem, Jesus interroga os discípulos: «Quem dizem os homens que eu sou?» E eles respondem: «João Baptista; e outros, Elias; mas outros, um dos profetas» (Mc 8:27-28). Os contemporâneos de Jesus, portanto, estavam divididos sobre a identidade dele. Se concordavam ao lhe reconhecerem a qualidade profeta, não sabiam a que origem atribuir a sua atitude, a qual o separava tão estranhamente de todos os mestres religiosos em Israel. As respostas, recolhidas pela tradição e retomadas pelos evangelistas, testemunham que, se Jesus era profeta, não se inseria na linhagem clássica dos profetas. Se tomarmos em consideração a questão que os fariseus, segundo o evangelho de João, puseram a João Baptista - «És tu o Profeta?» (Jo 1:21) -, parece que os contemporâneos de Jesus pensaram no Profeta cuja palavra, apelando para a conversão, precederia o juízo final. Isso explica a divergência das respostas referidas pelos discípulos.

Com efeito, esse Profeta, em virtude dos textos do Antigo Testamento, identificavam-no, quer com Elias, quer com outro profeta antigo que voltara à terra. Um texto de Malaquias (3:23) justificava esta interpretação: «Eis que vou enviar Elias, o Profeta, antes de chegar o meu Dia, grande e temível» (quer dizer, o Dia do juízo final).

Encontra-se um pensamento análogo num poema de Ben Sirá (Sir 48 todo, em especial v.10-11). Devia ser, portanto, uma crença bastante espalhada em Israel que Elias voltaria para exortar à penitência antes do tempo do julgamento. Sem dúvida Jesus faz alusão a essa crença ao designar assim João Baptista: «E, quer acrediteis ou não, ele é o Elias que estava para vir.» (Mt 11:14) Devemos interpretar este texto com precaução, pois não foi escrito por Mateus sem intenção polémica relativamente aos discípulos do Baptista, aos quais a jovem Igreja teve de dar explicações cabais. Mas noutros círculos de judeus pensava-se no regresso de um outro profeta, em especial em Moisés, tendo como base um texto do Deuteronómio (18:15) que cita Moisés referindo o futuro da profecia em Israel: «Yahvé teu Deus suscitará para ti, entre os teus irmãos, um profeta como eu, que escutareis».

Estas opiniões dos contemporâneos de Jesus evocam a atmosfera na qual ressoava a palavra dele. O povo judeu, privado de toda a independência política, organizado por uma Lei que o separava de todos os outros povos, com a memória repleta de profecias acerca do seu grandioso destino futuro, excitado, nas suas expectativas, pelo surgimento de leaders a acicatarem a lutar contra a opressão estrangeira (os «messias»), impressionado por múltiplas revelações (apocalipses) anunciando a iminência dos últimos tempos, desapontado porque há séculos nenhum profeta se fazia ouvir e porque a sua religião passara a estar sob o domínio dos «mestres» ou comentadores, esperava ansiosamente o Profeta que iniciaria os últimos tempos. Quando a voz de João ressoou no deserto, acreditaram que a história ia mudar de curso. Quando Jesus percorreu a Galileia, proclamando a iminência do Reino de Deus, pensaram que, finalmente, o Profeta esperado tinha surgido. Como se tratava de uma missão particularmente elevada, tinham imaginado que devia ser cumprida por algum grande profeta, vivendo de novo na terra para esse último afrontamento com as potências opostas a Deus. Isso explica a escolha dos nomes propostos pelos discípulos a Jesus.

Jesus parece não ter dado grande importância a essa divergência sobre a identidade do último profeta. Pelo contrário, aceitou o juízo segundo o qual era «profeta». Por várias vezes, afirma com efeito tomar assento entre profetas (Lc 13:33; Mt 23:31). Para o judaísmo do tempo de Jesus, era profeta aquele que fosse «possuidor» do Espírito. Jesus pretende sê-lo de facto: se expulsa os demónios, é pelo Espírito de Deus (Mt 12:28). Segundo Lucas (Lc 4:18-21), Jesus aplicou a si mesmo a profecia de Isaías (61:1) evocando a consagração do profeta e descrevendo a missão deste: «Anunciar a Boa-Nova aos pobres, proclamar a liberdade aos cativos, mandar em liberdade os oprimidos…». Jesus reivindica para si mesmo o poder profético. Que essa pretensão remonta propriamente a Jesus, antes de toda a reinterpretação da comunidade originada na experiência pascal, disso não há dúvida. Esse título foi abandonado em seguida, porque demasiado restritivo para designar Jesus, à luz da Ressurreição. Continua a ser, no entanto, um caminho indispensável para o nosso conhecimento de Jesus.

A palavra «profeta» já não tem, na linguagem vulgar, o sentido que evocava no tempo de Jesus. Designa, o mais das vezes, um homem que tem o dom de predizer o futuro, ou que, por vezes, possui uma estranha lucidez sobre os riscos do presente. Este último sentido tem tendência para se tornar preponderante. Certos acontecimentos contemporâneos – a morte de Gandhi, que lutava pela não-violência ou o assassinato de Luther King, que pregava a igualdade entre brancos e negros – foram qualificados de «proféticos». Este critério não está afastado do que podia sentir um contemporâneo de Jesus.

Jesus não é profeta por ter previsto o futuro, é profeta porque, numa fidelidade absoluta à sua missão e numa liberdade sem 'rabos de palha', anuncia a exigência radical de Deus, com plena lucidez sobre os riscos individuais e sociais.

A autoridade de Jesus, a sua liberdade a respeito de todas as pressões, a sua palavra destruidora de todas as falsas-razões, o seu sentido de Deus vivo e presente, correspondiam àquilo que segundo se julgava era agir e falar sob a influência do Espírito Santo. Se os contemporâneos tentaram identificar Jesus a um dos antigos profetas, isso deve-se à crise particularmente forte atravessada pelo judaísmo e, também, ao gosto do fim-do-mundo, a que os escritores apocalípticos os tinham sensibilizado. Que Jesus tenha sido julgado como o último Profeta, isso informa-nos sobre o ambiente cultural e religioso da sua época, mas orienta-nos também para uma intuição subjacente às questões que a acção e a palavra de Jesus puseram aos seus auditores: não seria ele mais do que o último Profeta, isto é, não seria ele Messias?


Christian Duquoc, op


‘Jesus, Homem livre – esboço duma cristologia’
Edições Paulistas, 1975, Colecção ‘Fé e mundo moderno’.

4 de maio de 2011

«JESUS, HOMEM LIVRE» 5/5


5/5




O comportamento de Jesus


Assim, a imagem que se impõe, da leitura dos evangelhos, é a de um homem livre; não a dum «aristocrata» ou dum super-homem, que só sentisse desprezo pelo povo. Pelo contrário, a autoridade de que Jesus dá provas no seu ensinamento, traduzida pela liberdade do seu comportamento social e da sua atitude religiosa, não gera de modo algum qualquer tipo de retraimento receoso perante ele.

As multidões cercam-no de todos os lados, os doentes imploram-no, os pecadores sentem-se perdoados e os excluídos da sociedade, compreendidos. Nem a autoridade, nem a liberdade de Jesus o separam dos pobres e dos humildes; por isso, seria compreendê-las mal, imaginar Jesus altivo e longínquo. A sua proximidade com o povo testemunha, pelo contrário, que essa liberdade foi simples, como a de uma criança.

Jesus, com efeito, não tinha nada de um asceta com uma especial inclinação para a ‘perfeição’.

16«Com quem poderei comparar esta geração? É semelhante a crianças sentadas na praça, que se interpelam umas às outras, 17dizendo:


‘Tocámos flauta para vós
e não dançastes;
entoámos lamentações
e não batestes no peito!’


 18Na verdade, veio João, que não come nem bebe, e dizem dele: ‘Está possesso!’
 19Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizem: ‘Aí está um glutão e bebedor de vinho, amigo de cobradores de impostos e pecadores!’» [Mt 11:16-19]

Jesus não seguiu o caminho de João Baptista. Não se retirou para o deserto, para viver no jejum e na ascese. Ficou no meio do povo, frequentando fosse quem fosse, tanto os profissionais da religião, em cuja casa não recusava jantar, como os cobradores de impostos, odiados pelos seus roubos, ou as pessoas de vida duvidosa. Não desdenhava participar em casamentos, beber vinho. Anunciar o reino de Deus e ter um modo de existência comparável ao das pessoas vulgares, isso era escandaloso. Jesus ensinou o caminho de Deus com liberdade e isso é que suscitou oposição. Censuraram-lhe viver segundo usos e costumes que levavam a pensar que se tratava, muito claramente, de um pecador. Se o fosse, do mal, o menos, mas que ele não o compreendesse, que desempenhasse o papel de profeta e que vivesse numa liberdade que nenhum homem temente a Deus ousaria outorgar-se a si mesmo, isso ameaçava o equilíbrio social e religioso do judaísmo do primeiro século. A autoridade e a liberdade de Jesus explicam os conflitos provocados pela sua palavra, os quais, por fim, hão-de levar à sua condenação.

Os evangelhos não são mudos acerca da personalidade histórica de Jesus. As palavras autênticas que mencionam, as cenas que descrevem, as controvérsias de que dão testemunho, as oposições e conflitos que dão a entender, a frescura dos encontros que assinalam impõem uma imagem dele; e a palavra que a multidão utiliza para traduzir a sua impressão - «autoridade» - resume perfeitamente aquilo que, para nós,  resulta dum estudo mais atento das relações sociais de Jesus e da sua atitude religiosa. Troquei esse termo («autoridade») por um outro mais conforme com  a nossa cultura contemporânea – liberdade. Porém, a essa noção abstracta (liberdade), seria preferível uma outra mais concreta - «homem livre».

Atingimos, assim, um dado certo da personalidade histórica de Jesus, o qual é confirmado tanto pelo comportamento dos adversários, como pela adesão dos discípulos ou pela admiração do povo. Esse dado é da maior importância para o labor teológico. E isto por duas razões: por um lado, dispensa-nos de recorrer a um vocabulário religioso, e, por outro, tem uma significação contemporânea.

1.Não obriga a recorrer a um vocabulário religioso para discernir em Jesus uma realidade de que temos uma intuição comum e que, no entanto, nos parece misteriosa. Jesus está presente, todo inteiro, nessa liberdade, e essa liberdade suscita uma questão sobre a sua origem. Jesus dá-se inteiramente e, ao mesmo tempo, vela-se inteiramente. O espanto, de que falam muitas vezes os evangelistas, traduz bem essa experiência d’uma presença sem dissimulação, sem pensamento reservado, em tudo igual à presença duma criança, e, ao mesmo tempo, d’uma incapacidade simultânea de se lhe descobrir a origem e o alcance. É a sua própria evidência que a torna misteriosa. O vocabulário religioso que será utilizado em seguida pelos contemporâneos ou pela comunidade primitiva, para exprimirem a si mesmos essa experiência, tem valor, se for relacionado com o que pretende interpretar: Jesus impondo-se como homem livre.

2.Aquele dado comporta igualmente uma significação contemporânea. O anúncio de Jesus nas Igrejas organizou-se em redor dum certo número de termos retirados do Antigo Testamento. A partir do conjunto de termos disponíveis, esse vocabulário raramente se relaciona com a experiência original [de Jesus] que tinha por fim interpretar. A sua utilização oculta a experiência inicial [de Jesus] e retira-lhe poder libertador. Além disso, a insistência no «amor», como específico único de Jesus, contribuiu para fazer desaparecer, na pregação vulgar, a imagem transmitida pelas primeiras testemunhas. O que as impressionou foi a sua liberdade e a sua «autoridade»; portanto, é na sua esteira que deve ser interpretada a sua atitude plena de bondade e de amor para com pobres e pecadores. Nos testemunhos dos evangelhos, a personalidade de Jesus nunca se mostra enfezada. A bondade, a compreensão, o amor de que falam inscrevem-se no interior duma experiência fundamental que explica os implacáveis conflitos suscitados pela sua personalidade.

Os cristãos esquecem, com demasiada facilidade, essa liberdade e essa «autoridade» de Jesus. Estas qualidades traçam, dele, um retrato que condiz mal com as requeridas pelas necessidades duma Igreja ou duma organização. Explicam, no entanto, que os seus contemporâneos o tenham qualificado como «profeta».

Christian Duquoc, op
‘Jesus, Homem livre – esboço duma cristologia’
Edições Paulistas, 1975, Colecção ‘Fé e mundo moderno’.

3 de maio de 2011

O «MOVIMENTO JESUS» - QUE SIGNIFICA?


 
Seguir a Jesus

Jesus não deixou atrás de si uma «escola», ao jeito dos filósofos gregos, para que se fosse aprofundando a última dimensão da realidade. Também não pensou em nenhuma instituição que assegurasse no mundo a verdadeira religião. Jesus deu início a um movimento de «seguidores» que se encarregariam de anunciar e desenvolver o projecto do «reino de Deus». Foi daí que nasceu a Igreja de Jesus. Por isso, não há nada tão importante para nós como renovar incessantemente, dentro da Igreja, o seguimento fiel da sua pessoa. Seguir Jesus é aquele específico que nos torna verdadeiramente ‘cristãos’.

Embora por vezes nos esqueçamos, é essa a primeira opção dos cristãos: seguir a Jesus. Essa decisão mudaria tudo. Seria começar a viver de maneira diferente: a fé, a vida, a realidade de cada dia. Seria encontrar, finalmente, o eixo, a verdade, a razão de viver, o caminho.

Seria poder viver dando um conteúdo real à adesão a Jesus: crer no que cria; viver o que ele vivia; dar importância àquilo que ele dava; interessar-se por aquilo que ele se interessava; tratar as pessoas como ele as tratava; ver a vida como ele a via; rezar como ele rezava; contagiar a esperança como ele a contagiava.






Eu bem sei que é possível seguir a Jesus por diversos caminhos. (…) Mas há certos traços que são fundamentais e que não podem faltar num verdadeiro seguimento de Jesus. Vou indicar alguns.

1.   Seguir Jesus implica pôr os pobres no centro do nosso olhar e do nosso coração; situar-nos na perspectiva dos que sofrem, fazer nossos os seus sofrimentos e as suas aspirações, assumir a sua defesa.


2.   Seguir Jesus é viver com compaixão: deitar fora a indiferença, não viver só de abstracções e de princípios teóricos, mas aproximarmo-nos das pessoas na sua situação concreta.


3.   Seguir a Jesus exige a promoção do acolhimento: não viver com mentalidade de seita, não excluir nem ex-comungar, fazer nosso o projecto integrador e inclusivo de Jesus, derrubar fronteiras e construir pontes, eliminar a discriminação.






4.   Seguir a Jesus é assumir a crucifixão pelo Reino de Deus: não evitar a nossa identificação, nem o nosso empenhamento por medo das consequências dolorosas, carregar com o peso do «anti-reino» e tomar a cruz de cada dia em comunhão com Jesus e com os crucificados da terra.


5.   Seguir a Jesus é confiar no Pai comum, invocar o seu nome santo, pedir a vinda do seu reino e semear a esperança de Jesus contra toda a esperança.


J A Pagola


[fotos : (1) - Memorial ao Holocausto, centro interpretativo subterrâneo, Berlim; (2) - idem, angustiante Carta de deportada (3) Kaiser-Wilhelm-Gedächtnis-Kirche, 'Igreja da Memória', destruída em 1943, de que restou apenas a Torre da fachada muito danificada; em 1961, Egon Eiermann desenhou uma nova igreja octogonal, separada da do séc. XIX, em vidro azul com uma nova torre sineira hexagonal que se ergue no local da antiga nave principal da igreja destruída]