teologia para leigos

12 de março de 2011

LIBERDADE, SÓ A DE ESTAR PRESO - LUIS CERNUDA



Si el hombre pudiera decir lo que ama,si el hombre pudiera levantar su amor por el cielo
como una nube en la luz;
si como muros que se derrumban,
para saludar la verdad erguida en medio,
pudiera derrumbar su cuerpo,
dejando sólo la verdad de su amor,
la verdad de sí mismo,
que no se llama gloria, fortuna o ambición,
sino amor o deseo,
yo sería aquel que imaginaba;
aquel que con su lengua, sus ojos y sus manos
proclama ante los hombres la verdad ignorada,
la verdad de su amor verdadero.
Libertad no conozco sino la libertad de estar preso en alguiencuyo nombre no puedo oír sin escalofrío;
alguien por quien me olvido de esta existencia mezquina
por quien el día y la noche son para mí lo que quiera,
y mi cuerpo y espíritu flotan en su cuerpo y espíritu
como leños perdidos que el mar anega o levanta
libremente, con la libertad del amor,
la única libertad que me exalta,
la única libertad por que muero.
Tú justificas mi existencia:si no te conozco, no he vivido;
si muero sin conocerte, no muero,  porque no he vivido.






Luis Cernuda




9 de março de 2011

A NARRATIVA DA DES-SOLIDARIEDADE NEOLIBERAL


 A era da precariedade


De repente, a precariedade chegou à generalidade dos meios de comunicação social, ocupando as manchetes e o horário nobre. O rastilho que impôs a sua visibilidade foi um encontro. De um lado estava uma canção, Que parva que eu sou, dos Deolinda, que parece um álbum de fotografias. Mas, em vez de registar momentos de felicidade, esse álbum mostra-nos imagens do pior que está a acontecer na vida de uma juventude que só conhece, ou só perspectiva, o trabalho precário. Entre o sarcasmo e a auto-ironia, a canção regista a aceitação passiva da situação, mas também a insuportabilidade e a revolta. Do outro lado estava um público que imediatamente reconheceu essa condição como sendo a sua. Apropriou-se da canção de forma política, isto é, como veículo de denúncia e de protesto, e fê-la percorrer as redes sociais, entrar pelo debate público e sair para a rua, em protesto marcado para 12 de Março. Saberiam eles que estavam a suscitar a identificação, directa e indirecta, de tantas outras gerações, de tantos outros trabalhadores, mais ou menos escolarizados?

O fenómeno da precariedade laboral, que a partir do mundo do trabalho metastiza todo o viver com incerteza e insegurança, não é novo. Começou na década de 1980 [1], quando o projecto neoliberal se lançou ao ataque de direitos associados ao mundo do trabalho, direitos esses que vinham sendo decisivos na eliminação de desigualdades socioeconómicas e na construção de sociedades mais decentes.

 
Dessa recomposição do «mercado de trabalho», desde então empreendida, fizeram parte a flexibilização da «oferta» e da «procura» de mão-de-obra; a alteração de dispositivos legais que traduziam formas de protecção e dignificação do trabalho; e as múltiplas desregulações dos contratos que, com a ameaça do desemprego, facilitaram diminuições de vencimentos, o aumento de ritmos e tempos de trabalho, a extensão de contratos a termo, a aceitação de trabalho a tempo parcial e outros vínculos precários.

O aumento da precariedade, da exploração e das desigualdades − que a crise e a austeridade ainda vêm agravar − afecta quem está hoje a sair das universidades, mas já afectou quem há vinte anos, senão mais, começou a receber as primeiras bolsas de investigação ou a «passar recibos verdes» e nunca mais abandonou os vínculos precários. Vinte anos depois, muitos desses precários têm já filhos que não sabem o que é ter pais com direito a férias, subsídios de doença ou de desemprego, tal como têm pais cujas legítimas expectativas de tempo de reforma foram já muito «precarizadas» pela ajuda (financeira e não só) que os filhos são forçados a pedir-lhes. Outros têm pais que nem sequer chegaram a ter reformas minimamente decentes − e não têm como os ajudar. Décadas passadas, a precariedade afecta também aqueles que, aproximando-se da reforma, tenham passado por experiências de desemprego ou tenham tido carreiras contributivas tão precárias que nem podem sonhar com a aposentação.

A precarização do emprego, fenómeno comum a todos os países da União Europeia mesmo que tenha especial incidência em Portugal, não é de facto um problema que atinja apenas uma geração. Os dados hoje comprovam-no. Basta olhar, por exemplo, para a evolução do trabalho temporário que, entre 1995 e 2008, cresceu em todas as classes etárias. Mas a tendência geral de aumento é acompanhada de um outro padrão: a da manutenção da classe mais jovem, entre os 15-24 anos, como a que apresenta os valores mais elevados, seguindo-se a dos 25-49 anos e, menos afectada, a dos 50-64 [2].

Todas estas situações, do desemprego à precariedade e ao salário, tendem a agravar-se quando o nível de escolarização é menor. Isto é particularmente grave se pensarmos que Portugal é um país que tem ainda reduzidas taxas de escolarização superior e que tem vindo a assistir, na década posterior ao aumento das propinas no ensino superior e agora com a crise (e na ausência de alterações significativas no apoio escolar), a uma preocupante reelitização da frequência desses graus de ensino. A maior visibilidade que a era da precariedade hoje vai tendo no espaço público e mediático, transbordando dos âmbitos associativos e sindicais, decorre também, sem dúvida, da extensão e aprofundamento do fenómeno, da consciência de que ele não é passageiro. Mas com a visibilidade pública torna-se também um campo em disputa.

As narrativas que apostam na quebra de solidariedades intergeracionais ou interprofissionais vão fazer tudo o que estiver ao seu alcance para dizer que mais vale a instabilidade da precariedade do que a estabilidade do desemprego; para opor os direitos dos mais velhos à flexibilidade dos mais novos; para fazer apelos paternalistas ao realismo assumindo culpas próprias nos ultrapassados utopismos − para onde atiram toda a geração de direitos socioeconómicos que o Estado social e os serviços públicos devem assegurar.

As narrativas que consideram que a precariedade, bem como o desemprego, são formas moralmente inaceitáveis, e além disso economicamente insustentáveis, de organizar as sociedades têm de desmontar os discursos que apenas apresentam «soluções» individuais para o emprego precário (da cenoura dos casos de sucesso ao bastão da falta de «boa atitude» ou «pró-actividade») e desenvolver formas de actuação colectiva que possam trazer transformações sociais. Nesse sentido, abrir brechas na era da precariedade terá de passar pela articulação de lutas comuns, da defesa dos serviços públicos e do emprego até todos os combates pela igualdade. Março anuncia-se como um bom mês para essa articulação: depois do protesto contra a precariedade a 12 vem o protesto contra a austeridade e o desemprego, dia 19.

segunda-feira, 7 de Março de 2011

Notas
[1] Cf. José Nuno Matos, «Precariado: de condicionado a condicionante político», Le Monde diplomatique − edição portuguesa, Setembro de 2007. O tema da precariedade vem sendo há anos regularmente tratado nestas páginas. Alguns artigos estão disponíveis em http://pt.mondediplo.com/.
[2] Ver Renato Carmo (org.), Desigualdades Sociais 2010. Estudos e indicadores, Mundos Sociais, Lisboa, 2010, p. 191 ss.


Foto: Anselm Kiefer [1945-.]

8 de março de 2011

NO PERFIL DO TEU ROSTO HÁ UMA URGÊNCIA - POEMA


DIA INTERNACIONAL DA MULHER




No perfil do teu corpo
há uma palavra de promessa
uma terra onde uma casa mora

Acode-me um sentimento
mas é um horizonte largo
que me pedes

No perfil do teu rosto
há um Nome sem urgência,
a justa janela
com vistas para um arrepio

(suspeito que sei quem és
- belo apontamento do meu orgulho)

4 de março de 2011

KEVIN CARTER - ALGUMA COISA GRITA DENTRO DE MIM


33, a idade de Cristo
«alguma coisa grita dentro de mim…»

 
[quando a vida se torna num funil de solidão…]
Sudão, Março de 1993. Uma criança sem identidade, do sexo masculino, arrasta-se em direcção a um campo de alimentação montado pelas Nações Unidas. Um abutre espera pacientemente que a Mãe Natureza lhe sirva o almoço.
O fotógrafo sul-africano Kevin Carter também está à espera. O que seria apenas mais uma entre as muitas dezenas de fotos que já tirara naquele dia, transforma-se numa imagem memorável quando o animal surge e ocupa o mesmo enquadramento. «Se ao menos o abutre abrisse as asas…» – pensou.
Vinte minutos passam e o abutre não colabora. O fotógrafo acaba por desistir e tira várias fotos do menino e do animal, uma das quais ficará imortalizada na capa de 26 de Março do New York Times como «o símbolo da fome e do horror em África».
Depois de tirar as fotografias, Carter afasta o abutre e senta-se à sombra de uma árvore a fumar um cigarro, enquanto a criança, esgotada e faminta, retoma a sua lenta e penosa marcha pela sobrevivência.


 
14 meses depois, a 23 de Maio de 1994, Kevin Carter recebe o Prémio Pulitzer por causa desta foto – às aclamações iniciais, porém, sucedem-se as críticas. Alguns jornalistas questionam a autenticidade da foto, sugerindo que esta fora «encenada». Outros colocam em causa a ética do fotógrafo: «Um homem ajustando as lentes até conseguir o quadro perfeito do sofrimento da criança bem pode ser visto como um predador, outro abutre em cena», escreve o St. Petersburg Florida Times.
A 27 de Julho desse ano, dois meses depois de ganhar o Pulitzer e ser transformado numa das «sensações do momento» em Nova Iorque, Kevin Carter estaciona a sua Nissan «pickup» vermelha à beira do rio Braamfonteinspruit, um pequeno curso de água nos arredores de Johannesburg onde costumava brincar em criança. Liga uma mangueira de jardim ao tubo de escape, fecha-se no carro, escreve um bilhete, coloca os «phones» nos ouvidos, liga o motor e morre por inalação de monóxido de carbono. Tinha 33 anos.

 
O suicídio de Kevin Carter é contado entre os fotojornalistas como um «aviso» aos novatos, servindo como exemplo dos perigos de se fotografar demasiado perto as misérias humanas. Dan Krauss, realizador de um documentário da HBO sobre o fotógrafo, «The Death of Kevin Carter: Casualty of the Bang Bang Club», vê nessa foto o momento em que Kevin incorporou, na criança moribunda, «o sofrimento de África» e, no abutre, «o seu próprio rosto».
Carter sempre viveu o seu percurso profissional vivendo o típico dilema dos fotojornalistas: testemunhar ou ajudar. Na maior parte das vezes, diz o próprio Carter, «estou a fazer um zoom sobre um tipo morto com uma piscina de sangue à volta a misturar-se na areia. O rosto está ligeiramente cinzento. E tenho de pensar visualmente. Alguma coisa grita dentro de mim ‘Meu Deus!’, mas estou a trabalhar. Lido com o resto depois.»
A carreira é feita à sombra da violência na África do Sul, na luta dos negros (e alguns brancos) contra o Apartheid, nas represálias de polícias e bandidos, gangs e justiceiros, na guerra entre zulus e o ANC, nas atrocidades cometidas por todos. Por ter passado tanto tempo a documentar os horrores sul-africanos, o grupo de fotógrafos em que estava incluído Kevin Carter e o seu amigo de infância, Ken Oosterbrock, passou a ser conhecido como «Bang Bang Club».
Quando Carter parte para o sul do Sudão, em 1993, tenciona fazer uma foto-reportagem com as tropas rebeldes. Em vez disso, mal o avião aterra e ele desembarca, depara-se com centenas de homens, mulheres e crianças famintos a dirigir-se em direcção a um campo de alimentação da ONU.
Depois de tirar dezenas de fotografias, afasta-se alguns metros em direcção ao mato para «fugir à visão de todas aquelas pessoas a morrer de fome», segundo recorda o fotógrafo sul-africano de ascendência portuguesa João Silva, que faz parte do «Bang Bang Club» dos tempos da África do Sul e acompanhou Carter no Sudão.
É Silva quem posteriormente contará o que se passou com Carter quando se sentou à sombra da árvore depois de tirar a foto da criança: «Acendeu um cigarro, falou com Deus, chorou. Depois disso ficou deprimido, dizia que só queria abraçar a filha».
O impacto da foto foi tremendo. O New York Times recebeu tantas cartas de leitores a querer saber o que tinha acontecido à criança que se viu forçado a publicar uma nota onde informava «desconhecer o seu destino». (afinal, sobreviveria e até fora identificado muito recentemente com o nome de Kong Nyong; morreu muito jovem de outra causa)
The Show Must Go On. O prémio aumenta a auto-confiança de Carter: editores de revistas em Nova Iorque querem conhecê-lo, as miúdas começam a interessar-se por aquele tipo sempre vestido de calças de ganga preta e t-shirt branca, as portas da fama abrem-se de par em par e ele acaba por ser contratado pela prestigiada agência Sygma.
«A pressão de estar sempre onde está a acção, o medo de que as suas fotografias não fossem suficientemente boas, a lucidez existencial ganha por sobreviver a tanta violência e as drogas que usava para minar essa lucidez», segundo a interpretação do jornalista Scott MacLeod, do Times, estão na base da «meteórica ascensão e queda» de Kevin Carter, «a prova de que nem todas as tragédias possuem uma dimensão heróica.»
Dois serviços falhados arrastam-no novamente para a depressão. Na cobertura da visita de Mitterrand à África do Sul, atrasou-se a enviar as fotos; quando finalmente chegaram, a Sygma não as publicou por considerar que não tinham a «qualidade desejável». À segunda oportunidade, um serviço em Moçambique não deu em nada porque, depois de passar seis dias no país, Carter perdeu os rolos no Aeroporto e nunca mais os encontrou. Recordam os amigos que foi na sequência destes dois falhanços – e dos problemas de dinheiro – que Carter começou a falar abertamente em suicídio. Muitos colegas aconselharam-no a marcar consulta no Psicólogo.
A morte em serviço do seu melhor amigo, Ken Oosterbrock, arrasou-o por completo. Oosterbrock, grande fotógrafo, vencedor como ele de um Pulitzer, era o seu oposto: «Ken era aquele tipo bem casado e com a vida organizada, mas Carter era caótico, sempre a trocar de mulher e, pelo meio, pai de uma criança que não planeara», de acordo com um dos seus colegas dos tempos do «Bang Bang Club».
O bilhete que escreveu antes de morrer: «Estou deprimido, sem telefone, sem dinheiro para pagar a renda, sem dinheiro para ajudar ao sustento da minha criança, sem dinheiro para pagar as dívidas, sem dinheiro! Sou assombrado pelas vívidas memórias de mortes e cadáveres e raiva e dor, de crianças feridas e esfomeadas, de loucos que assassinam alegremente, alguns deles polícias (…). A dor de viver ultrapassa a alegria ao ponto em que esta deixa de existir.»
E depois, recordando o amigo falecido: «Vou partir para me juntar ao Ken – se eu tiver essa sorte.»
A filha de Carter, Megan, tem uma visão muito diferente da fotografia premiada: «Eu vejo a criança em sofrimento como o meu pai. E o resto do mundo é o abutre.»

CORTARAM-NOS AS ASAS PARA QUE FOSSEMOS OBEDIENTES

«cortaram as asas ao rouxinol,
rouxinol sem asas não pode voar…»
[Adriano Correia de Oliveira]





a sublevação dos pássaros



Lição das Asas

Nós nascemos para ter asas, meus amigos.
Não se esqueçam de escrever por dentro do peito: nós nascemos para ter asas.

No entanto, em épocas remotas,
vieram com dedos pesados de ferrugem
para gastar as nossas asas
como se fossem tostões.

Cortaram-nos as asas para que fôssemos apenas
operários obedientes, estudantes atenciosos,
leitores ingénuos de notícias sensacionais,
gente pouca, pouca e seca.

Apesar disso, sábios, estudiosos do arco-íris
e de coisas transparentes,
afirmam que as asas dos homens
crescem mesmo depois de cortadas,
e, novamente cortadas, de novo voltam a ser.

Aceitamos esta hipótese,
apesar de não termos dela qualquer confirmação prática.

Por hoje é tudo. Abram as janelas. Podem sair.

(José Fanha)

[post by cm]

1 de março de 2011

PORTUGAL SOB PRESSÃO, MERKEL NÃO AFROUXA

[e agora, meu povo... rezar o Terço ao deitar?!!!]

Medida não deverá passar nas cimeiras de Março

Coligação de Merkel recusa compra de dívida pelo fundo europeu

in Jornal «PÚBLICO», 22.02.2011 - 16:20 Por Ana Rita Faria

Os partidos políticos que formam Governo com Angela Merkel estão a fechar o caminho a uma flexibilização do fundo de resgate do euro.




De acordo com a agência Bloomberg, a coligação da chanceler alemã rejeita a ideia de comprar de títulos de dívida soberana pelo futuro mecanismo de apoio europeu, a partir de 2013, inibindo a possibilidade de a Alemanha aprovar esta medida nas cimeiras que vão decorrer em Março.

A agência noticiosa revela que os partidos da coligação que suporta o Governo alemão, liderado por Angela Merkel, aprovaram uma resolução que estipula que o Parlamento deve
“rejeitar financiar ou garantir programas de compra de obrigações”, devido a questões de ordem constitucional, legal e económica. A versão final desta resolução deve ser hoje votada em Berlim.

Com esta resolução, os partidos da coligação de Merkel
tentam bloquear ao máximo a possibilidade de a chanceler alemã ceder às pretensões dos países periféricos nas cimeiras da zona euro e da União Europeia, que vão decorrer no próximo mês e de onde irão sair as soluções para resolver a crise da dívida na zona euro. Uma dos pontos em que se espera que os líderes europeus cheguem a acordo é a flexibilização do mecanismo de ajuda europeu, que, a partir de 2013, substituirá o actual Fundo Europeu de Estabilização Financeira, ao qual recorreram a Grécia e a Irlanda.

Mas a coligação de Merkel não é a única a dar sinais de oposição dentro da Alemanha à compra de dívida pública dos países periféricos do euro.

Hoje,
Axel Weber, presidente do banco central alemão, o Bundesbank, escrevia hoje no Financial Times que o mecanismo europeu não deveria comprar títulos de dívida.
Weber, que era até há pouco tempo considerado o candidato preferencial à presidência do Banco Central Europeu (BCE), considera que a compra de obrigações pelo mecanismo europeu seria ineficiente para reduzir o peso da dívida, pois exigiria um grande volume de compras para conseguir um resultado eficaz.
Wall Street diz que resgate a Portugal não passa de Abril

A notícia de que a Alemanha poderá vir a recusar a compra de dívida pelo mecanismo de ajuda europeu surge n
a pior altura possível para Portugal. Os juros da dívida portuguesa continuam acima de sete por cento no mercado secundário e há cada vez mais rumores de que o país venha a pedir ajuda até Abril.
Depois de agência Reuters ter avançado, na semana passada, que Bruxelas espera um pedido de ajuda por parte de Portugal até Abril, hoje foi a vez do Wall Street Journal avançar com a mesma ideia.

Citando uma fonte europeia, o jornal diz que o sentimento dominante em Bruxelas é o de que
Portugal terá de seguir em breve os passos da Grécia e da Irlanda, recorrendo à ajuda externa.

“O feeling é que [o resgate] não vai passar de Março ou de Abril no máximo e que Portugal já está sob pressão de países como a Alemanha para pedir ajuda”, escreve o Wall Street Journal. O jornal adianta mesmo que
algumas autoridades portuguesas estão já a considerar esta hipótese.
Com taxas de juro cada vez mais elevadas nos mercados, o receio é de que
Portugal não consiga financiar-se para pagar as elevadas amortizações de dívida que se seguem.

Até ao momento, o Estado já foi buscar 4,75 mil milhões de euros através de leilões de obrigações, mas
enfrenta, já no próximo mês, a amortização de 3,848 mil milhões de euros em bilhetes do Tesouro. A isso juntam-se, em Abril e Junho, os reembolsos de duas linhas de obrigações, uma de 4,3 mil milhões e outra de 4,9 mil milhões.